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Jipes à americana movidos a eletricidade? Ford diz que é má ideia

Marca histórica de Detroit desiste de ter grandes pickups à americana 100% elétricas. Vai apostar em pequenos elétricos low cost, híbridos e EREV, e claro, manter a aposta nos clássicos modelos americanos movidos a gasolina.
16 Dezembro 2025, 20h30

A Ford desistiu da grande aposta nos veículos elétricos obrigando a marca norte-americana a assumir perdas de 19,5 mil milhões de dólares (16,5 mil milhões de euros).
A marca opta pelo recuo num momento em que os EUA cancelaram o alívio fiscal aos carros elétricos.
Para a Ford, metade das suas vendas em 2030 vão ter origem em pequenos carros 100% elétricos, mais baratos, híbridos elétricos e EREV, veículos 100% elétricos, mas com um pequeno motor a combustão que serve apenas para recarregar a bateria, não acionando as rodas, mas funcionando apenas como gerador.
A marca deitou fora os planos para grandes pickups à americana movidas apenas a eletricidade, prevendo agora lançar versões híbridas. A Ford cancelou o lançamento do jipe 100% elétrico da série F, com a produção a focar-se a partir de agora nos modelos a gasolina e híbridos e a transformar uma fábrica destinada a carros elétricos numa de componentes para baterias. O F-150 Lightning vai agora ganhar uma versão híbrida.
A política de Donald Trump está a levar as três marcas de Detroit – Ford, General Motors e a Chrysler – a recuarem nos seus planos elétricos e a apostarem em modelos híbridos e movidos a gasolina..

O CEO da Ford Jim Farley vendeu a ideia durante anos a trabalhadores e investidores que a empresa tinha de apanhar a Tesla e os concorrentes chineses, mas já mudou de ideias.

“Não podemos alocar dinheiro a coisas que não dão dinheiro. Por muito que goste destes produtos, os clientes nos EUA não vão pagar por eles. É o final”, disse o gestor esta semana à “Reuters”.

Os EUA deixou de estar sujeito a metas, ao contrário da União Europeia e da China, onde as marcas têm metas a cumprir, mas também com apoios pelo meio.

A estratégia “One Ford”, produzir os mesmos carros para todos os mercados mundiais já não funciona. Os carros para os EUA vão ter obrigatoriamente de ser diferentes face a outros mercados.

“Os carros elétricos não vão desaparecer. As marcas querem competir globalmente ou vão só ficar em casa [nos EUA]?”, questionou o ex-executivo da GM Michael Dunne.

Se na Europa as vendas de elétricos e híbridos pesam 25% no mercado, já na China pesam 50% das vendas, enquanto que nos EUA afundaram para 5% quando os apoios foram retirados.

Stephanie Valdez Streaty da ox Automotive aponta que os carros elétricos não sobrevivem sem apoio público.

No entanto, a Ford vai continuar a apostar nos híbridos elétricos, esperando que metade das suas vendas globais em 2030 consistam destes modelos.

Nos EUA, a Toyota aposta forte nestes modelos, pesando 50% nas suas vendas. Estes modelos não precisam de carregamento recorrendo a cabos, usando um motor a gasolina para carregar a bateria elétrica.

“Os híbridos são o futuro para os fabricantes tradicionais”, defende Elliot Johnson da Evolve ETF.

“O recuo estratégico da Ford é um reconhecimento claro das mudanças reais nos mercados e a procura pelos consumidores”, segundo os analistas da Morgan Stanley que apontam que as mudanças “são dolorosas” para a empresa, mas que a marca precisa de melhorar a rentabilidade e alinhar-se com os interesses dos consumidores.
As vendas de carros elétricos nos EUA afundaram 40% em novembro com o fim dos 7.500 dólares de crédito fiscal no final de setembro. O apoio vigorava há 15 anos.
Em outubro, a General Motors anunciou perdas de 1,6 mil milhões de dólares ao ajustar a sua estratégia para os carros elétricos. Já a Chrysler também recuou nos seus planos, cancelando o lançamento da versão elétrica do jipe Ram.
“A decisão da Ford era esperada, e deve ser esperada para outras empresas, dada a nova realidade no ambiente dramaticamente mais fraco nos EUA, procura mais fraca”, segundo os analistas do Barclays.

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