Joana e Mariana Mortágua: “Leva o Bolsonaro para ao pé do Salazar”

“Ó meu rico Santo António, ó meu santo popular, leva lá o Bolsonaro, leva lá o Bolsonaro para ao pé do Salazar”. É assim a letra da música, que envolve o presidente do Brasil, cantada pelas deputadas do Bloco de Esquerda durante uma marcha do 25 de abril. A música foi cantada na presença de Catarina Martins, de Marisa Matias e de um deputado francês. O ditador António de Oliveira Salazar morreu em 1970.

Mais uma polémica entre Portugal e o Brasil. Depois da troca de galhardetes entre o ministro da Justiça brasileiro e o ex-primeiro ministro José Sócrates, eis que agora surgem duas deputadas portuguesas, de um partido que apoia o Governo, a cantarem uma música que envolve Jair Bolsonaro e o ditador Salazar.

As irmãs Mortágua, as duas deputadas do Bloco de Esquerda, que apoia no Parlamento o Governo de António Costa, surgem num vídeo a cantarem uma música que pede ao Santo António que leve o presidente brasileiro para junto de António de Oliveira Salazar, que está morto desde 1970. O  vídeo (pode ver mais abaixo) foi filmado durante a marcha do 25 de abril que teve lugar esta quinta-feira, 25 de abril, em Lisboa.

“Ó meu rico Santo António, ó meu santo popular, leva lá o Bolsonaro, leva lá o Bolsonaro para ao pé do Salazar”. É assim a letra da música cantada por Joana e Mariana Mortágua, inspirada numa música que celebra o santo padroeiro de Lisboa, Santo António, cujo dia celebra-se a 13 de junho.

Mariana Mortágua encabeça a marcha e canta a música usando um megafone. Já Joana Mortágua integra a marcha e também surge a cantar esta música.

No vídeo também surge a coordenadora do Bloco de Esquerda, mas Catarina Martins não canta a música durante o vídeo de 32 segundos.

Ao lado de Catarina Martins, surge a eurodeputada Marisa Matias, mas o vídeo não mostra claramente se a única eleita pelo Bloco de Esquerda para o Parlamento Europeu chega sequer a cantar a música.

Marisa Matias surge a conversar com o francês Jean-Luc Mélenchon, deputado na Assembleia Nacional francesa e líder do movimento de esquerda França Insubmissa. Mélenchon também foi candidato às eleições presidenciais francesas em 2017, quando obteve quase 20% dos votos. O deputado francês foi também eurodeputado e ministro no Governo de Lionel Jospin.

Este episódio poderá vir a prejudicar as relações entre Portugal e o Brasil depois de o ministro da Justiça brasileiro e José Sócrates terem trocado acusações na comunicação social esta semana.

José Sócrates acusou Sérgio Moro, o juiz conhecido pela operação Lava Jato, de ser um “um ativista político disfarçado de juiz”. Em resposta, o juiz brasileiro declarou que não debate “com criminosos pela televisão”.

O atual ministro da Justiça do Governo brasileiro de Jair Bolsonaro e responsável pela Operação Lava Jato respondeu desta forma ao antigo primeiro-ministro português envolvido na Operação Marquês por corrupção.

“Em relação à pessoa em particular, eu não debato com criminosos pela televisão. Então não vou fazer mais comentários”, disse Sérgio Moro à TV Record Europa, citado pela TVI24.

Curiosamente, esta quinta-feira foi conhecido que a deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua concluiu a sua prova de doutoramento em Economia na Universidade de Londres, conforme escreveu hoje o Jornal Económico.

 

 

 

Sérgio Moro responde a Sócrates: “Não debato com criminosos pela televisão”

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“Não há muitas pessoas que, tendo o trabalho intensíssimo do Parlamento ou noutra profissão ou função, tenham a capacidade de trabalho que permite escrever uma tese e para a levar ao júri numa universidade internacional de referência”, elogia Francisco Louçã, antigo líder do Bloco de Esquerda.
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