Que questões da gestão do SL Benfica considera serem mais prementes resolver atualmente?
Que política desportiva deve ser adotada no SL Benfica para que ganhe mais vezes?
Temos um modelo desportivo para implementar no Benfica: otimização do valor de mercado das equipas, algo que já é utilizado em algumas ligas na Europa. Este consiste em três grandes vetores: 1) maior eficiência na gestão dos plantéis, em que teremos que reduzir o número de jogadores por plantel com o fito de obter mais qualidade e menos quantidade, o que até ajuda a conferir estabilidade desportiva e financeira, 2) formação, em que vamos trazer Julen Guerrero para diretor e que vai aplicar connosco um processo de aposta e assunção de risco nos jovens através da identificação, captação, retenção e libertação só após o necessário sucesso desportivo (algo que vai ser trabalhado com as famílias dos jogadores e com os agentes de futebol), e 3) mais mestria e racionalidade nas entradas e saídas de jogadores, i.e., o Benfica vende caro, o que é bom, mas é ainda melhor ganhar. O Benfica não é uma trading de atletas. Temos que passar a contratar menos, mais barato e apostar mais no mercado nacional.
Que competências tem e que considera faltarem nos outros candidatos?
Não me cabe pronunciar sobre os outros candidatos. Posso apenas acrescentar aquilo que é a minha certeza: eu e a minha equipa, seja na lista candidata, seja os profissionais que me acompanharão, carregamos experiência, competência, know-how e especialização no setor onde o Benfica se insere. Seja a nível desportivo e institucional (eu, o vice-presidente para as modalidades Vítor Pataco, Julen Guerrero para a formação, entre outros) ou financeiro (Paulo Ferreira, ex-diretor financeiro da Federação durante quase 25 anos). Gostaria também de relembrar que contamos com todos os trabalhadores do Benfica porque queremos atribuir-lhes mais responsabilidades. Conheço muito bem o Benfica por dentro, o que é outra vantagem, e por isso eles sabem que vão contar comigo para os motivar e dar-lhes mais palco. Todos terão que contribuir.
Que papel vai ter o SL Benfica liderado por si na questão da centralização dos direitos televisivos?
Parece-nos que estão a começar a casa pelo telhado. Entendemos que temos que sentar à mesa com o Governo para suspender o DL 22-B/2021 imediatamente. De uma forma macro, não somos contra a centralização, mas somos contra a forma como se está a processar em surdina e sem transparência todo este processo. Nao conseguimos ainda perceber qual a chave e o modelo que a Liga apresentou na AdC. Não percebemos porque é que a Federação não acompanhou essa entrega de modelo com a Liga na AdC. Tudo isto nos faz confusão. O valor de 300 milhões de euros aventado há uns anos por Pedro Proença é irreal. O futebol português vale pouco no seu todo. O Benfica tem 1/3 das receitas atuais do bolo total, não pode perder dinheiro. Mas tem um valor de implementação social muito superior a 1/3 do futebol. Logo, vamos ter que pensar com as sociedades desportivas muito mais a fundo este processo. Por isso, precisamos de tempo. Somos apologistas que a centralização só tem um caminho de sucesso: reformulação dos quadros competitivos com a necessária redução do número de clubes. As ligas profissionais são insustentáveis, em particular, a 2.ª Liga (as SD’s têm custos superiores às receitas na sua maioria), os clubes intermédios da 1.ª liga não são tão competitivos com os 3 grandes e têm que se tornar mais até por uma questão de desempenho nas competições europeias para avançar mais e aumentar os pontos no ranking UEFA, a taça da liga tem que sair de janeiro porque há mais jogos na Champions e temos que defender o Benfica que participa nessa altura para não haver sobrecarga de jogos. Resumindo: há muito a trabalhar antes de se fechar o modelo e vamos ter que auscultar o mercado primeiro para saber quem tem interesse em comprar o produto hoje e com as alterações que propomos.
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