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João Diogo Manteigas: “O Benfica não é uma trading de atletas. Temos que contratar menos”

Aos 42 anos, o advogado especializado em direito do desporto quer chegar à presidência do SL Benfica para garantir uma gestão mais eficiente que possa trazer mais vitórias. Sobre a centralização dos direitos televisivos, João Diogo Manteigas deixa o repto: “O Benfica não pode perder dinheiro”.
23 Outubro 2025, 13h50

Que questões da gestão do SL Benfica considera serem mais prementes resolver atualmente?

  • Explicação a todos os trabalhadores, treinadores, coordenadores, entre outros, sobre o nosso Modelo Desportivo de otimização do valor de mercado das equipas. Todos os colaboradores do Benfica contribuirão para a implementação do modelo;
  • Reuniões com a Liga de Clubes e com a Federação sobre os direitos audiovisuais e a proposta que queremos promover de alteração dos quadros competitivos através da redução de número de clubes para 16 na 1.ª liga e 2.ª Liga quanto antes;
  • Desencadear um concurso público para ser feita uma auditoria forense ao grupo Benfica, pelo menos, aos últimos 20/25 anos;
  • Reuniões com as entidades financeiras para estudar a viabilidade de uma reestruturação da dívida financeira para alargar a maturidade dos Empréstimos Obrigacionistas e ajustá-la às receitas da SAD ou pensar num instrumento diferente com prazos mais alargados;
  • Reuniões com todos os fornecedores do Clube e da SAD para efeito de análise aos FSE’s (Fornecimentos e Serviços Externos) e com todos os patrocinadores do Clube e da SAD para, todos juntos, apurarmos como podemos melhorar a relação com quem investe no Benfica e para podermos melhorar e aumentar a receita. Precisamos da ajuda de todos.

Que política desportiva deve ser adotada no SL Benfica para que ganhe mais vezes?

Temos um modelo desportivo para implementar no Benfica: otimização do valor de mercado das equipas, algo que já é utilizado em algumas ligas na Europa. Este consiste em três grandes vetores: 1) maior eficiência na gestão dos plantéis, em que teremos que reduzir o número de jogadores por plantel com o fito de obter mais qualidade e menos quantidade, o que até ajuda a conferir estabilidade desportiva e financeira, 2) formação, em que vamos trazer Julen Guerrero para diretor e que vai aplicar connosco um processo de aposta e assunção de risco nos jovens através da identificação, captação, retenção e libertação só após o necessário sucesso desportivo (algo que vai ser trabalhado com as famílias dos jogadores e com os agentes de futebol), e 3) mais mestria e racionalidade nas entradas e saídas de jogadores, i.e., o Benfica vende caro, o que é bom, mas é ainda melhor ganhar. O Benfica não é uma trading de atletas. Temos que passar a contratar menos, mais barato e apostar mais no mercado nacional.

Que competências tem e que considera faltarem nos outros candidatos?

Não me cabe pronunciar sobre os outros candidatos. Posso apenas acrescentar aquilo que é a minha certeza: eu e a minha equipa, seja na lista candidata, seja os profissionais que me acompanharão, carregamos experiência, competência, know-how e especialização no setor onde o Benfica se insere. Seja a nível desportivo e institucional (eu, o vice-presidente para as modalidades Vítor Pataco, Julen Guerrero para a formação, entre outros) ou financeiro (Paulo Ferreira, ex-diretor financeiro da Federação durante quase 25 anos). Gostaria também de relembrar que contamos com todos os trabalhadores do Benfica porque queremos atribuir-lhes mais responsabilidades. Conheço muito bem o Benfica por dentro, o que é outra vantagem, e por isso eles sabem que vão contar comigo para os motivar e dar-lhes mais palco. Todos terão que contribuir.

Que papel vai ter o SL Benfica liderado por si na questão da centralização dos direitos televisivos?

Parece-nos que estão a começar a casa pelo telhado. Entendemos que temos que sentar à mesa com o Governo para suspender o DL 22-B/2021 imediatamente. De uma forma macro, não somos contra a centralização, mas somos contra a forma como se está a processar em surdina e sem transparência todo este processo. Nao conseguimos ainda perceber qual a chave e o modelo que a Liga apresentou na AdC. Não percebemos porque é que a Federação não acompanhou essa entrega de modelo com a Liga na AdC. Tudo isto nos faz confusão. O valor de 300 milhões de euros aventado há uns anos por Pedro Proença é irreal. O futebol português vale pouco no seu todo. O Benfica tem 1/3 das receitas atuais do bolo total, não pode perder dinheiro. Mas tem um valor de implementação social muito superior a 1/3 do futebol. Logo, vamos ter que pensar com as sociedades desportivas muito mais a fundo este processo. Por isso, precisamos de tempo. Somos apologistas que a centralização só tem um caminho de sucesso: reformulação dos quadros competitivos com a necessária redução do número de clubes. As ligas profissionais são insustentáveis, em particular, a 2.ª Liga (as SD’s têm custos superiores às receitas na sua maioria), os clubes intermédios da 1.ª liga não são tão competitivos com os 3 grandes e têm que se tornar mais até por uma questão de desempenho nas competições europeias para avançar mais e aumentar os pontos no ranking UEFA, a taça da liga tem que sair de janeiro porque há mais jogos na Champions e temos que defender o Benfica que participa nessa altura para não haver sobrecarga de jogos. Resumindo: há muito a trabalhar antes de se fechar o modelo e vamos ter que auscultar o mercado primeiro para saber quem tem interesse em comprar o produto hoje e com as alterações que propomos.


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