Joaquim Sarmento: Riscos apontados por Centeno foram ‘fait-divers’ para distrair de Tancos

O porta-voz do Conselho Estratégico Nacional do PSD para a área das Finanças Públicas disse que a conferência de imprensa de Mário Centeno “acabou por se resumir a uma mão cheia de nada, com três críticas perfeitamente rebatíveis, com números atirados ao ar e sem qualquer sustentação por parte de alguém que é ministro das Finanças”.

Helder santos

“Interpreto [a conferência de imprensa de Mário Centeno hoje] como uma tentativa de criar um ‘fait-divers’, eventualmente para que se fale menos de Tancos. Eu acho que Tancos é o elefante na sala e, portanto, dificilmente deixará de se falar, mas quanto menos se falar, melhor para o PS”, afirmou hoje Joaquim Miranda Sarmento, em entrevista à Lusa, que será divulgada na íntegra na quarta-feira.

O porta-voz do Conselho Estratégico Nacional do PSD para a área das Finanças Públicas admitiu “que possa ter havido essa intenção porque a conferência de imprensa acabou por se resumir a uma mão cheia de nada, com três críticas perfeitamente rebatíveis, com números atirados ao ar e sem qualquer sustentação por parte de alguém que é ministro das Finanças”.

Relativamente ao primeiro risco, do crescimento económico, Joaquim Miranda Sarmento recordou que, depois de o PSD ter apresentado o seu programa económico em julho, Mário Centeno disse que “as previsões de crescimento económico do programa do PSD lhe pareciam realistas”, criticando, sim, o controlo da despesa pública.

“Aparentemente, terá mudado de opinião. Mas eu ressalvo que o crescimento previsto no programa do PSD para 2020 e 2021 é exatamente igual ao do Programa de Estabilidade, e só para 2022 e 2023 é que é ligeiramente superior”, referiu, adiantando que está em causa “uma diferença de 0,3 / 0,4 pontos percentuais, diferença essa inferior à revisão do PIB [Produto Interno Bruto] feita pelo INE [Instituto Nacional de Estatística] na semana passada”.

O INE melhorou, na semana passada, em sete décimas a taxa de crescimento do PIB em 2017, de 2,8% para 3,5%, tendo também revisto em alta, em três décimas, a taxa de crescimento de 2018, para 2,4%.

Sobre o segundo risco apontado por Mário Centeno, relativo à receita fiscal, Joaquim Miranda Sarmento disse à Lusa que, “do ponto de vista nominal, é possível arrecadar a receita” prevista pelo PSD, sustentando que os pressupostos “são exatamente iguais aos pressupostos do Conselho de Finanças Públicas”.

“Se nós temos um bocadinho mais de crescimento por via das nossas políticas, por via das medidas que esperamos tomar, sobretudo nos primeiros dois anos, os pressupostos desse maior crescimento [do PIB] traduzido em receita fiscal são exatamente aqueles que o Conselho de Finanças Públicas usa. Portanto, aí o ministro Mário Centeno não tem qualquer razão”, disse.

Sobre o terceiro ponto alvo de crítica, relativo à despesa pública, em que Mário Centeno afirmou esta manhã faltarem 2,4 mil milhões face às promessas do maior partido da oposição, Joaquim Miranda Sarmento frisou desconhecer como é que Centeno “contabilizou as promessas do PSD”.

“Vejo muito poucas promessas com impacto na despesa do ponto de vista do PSD, mas, mais uma vez, nas três principais rubricas da despesa: despesas com pessoal, prestações sociais e juros, nós usámos os pressupostos do cenário do Conselho de Finanças Públicas”, explicou.

Na entrevista à Lusa, Joaquim Miranda Sarmento disse também que “o ministro Mário Centeno está muito convencido” dos erros do PSD, “mas depois não é capaz de os demonstrar e também não é capaz de os rebater”.

“Ele pode achar que nós não conseguimos controlar a despesa corrente primária a 2% ao ano, como nos propomos e que é o ponto chave do nosso programa. [Mas] nós temos medidas de reforma dos serviços públicos e de reforma do Ministério das Finanças que explicam como é que faremos esse esforço”, indicou o também professor de Finanças.

O ministro Mário Centeno, na qualidade de candidato a deputado pelo PS, considerou hoje que o PSD tem 4.750 milhões de euros por explicar no seu programa eleitoral, acrescentando que há propostas “materialmente impossíveis” no cenário social-democrata.

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