Joe Biden: o 46º improvável presidente dos Estados Unidos

A primeira vez que imaginou ser presidente dos Estados Unidos foi em 1987. Não correu bem. À segunda tentativa, as coisas também começaram mal, mas o certo é que o senador de Delaware vai assumir a presidência dos Estados Unidos.

Tudo começou com uma derrota no Iowa. Em fevereiro de 2020, no Estado em que as primárias (tanto democratas como republicanas) tinham início, o candidato Joe Biden averbava uma derrota que fez aumentar os receios democratas de que o na altura presidente Donald Trump tivesse razão: o ex-vice-presidente de Barack Obama não era adversário à sua altura. Pouco menos de um ano depois, Joe Biden encerra o ciclo tomando esta quarta-feira, 20 de janeiro, o lugar de 46º presidente dos Estados Unidos.

Joe Biden nasceu em 20 de novembro de 1942 e em 1974 a revista Time dele dizia que era uma das ‘200 faces for the future’ – só não antecipava que o ‘future’ fosse tão longínquo, todos tendo inferido que a sua prestação enquanto político de topo se tivesse esgotado em 2017, quando deixou de ser vice-presidente dos Estados Unidos.

Moderado e conservador – Biden não destoaria se fizesse parte da ala centrista dos republicanos – foi a essa dupla imagem que recorreu quando, em 1987, com pouco mais de 30 anos, concorreu pela primeira vez ao lugar de candidato a candidato à presidência dos Estados Unidos (para as eleições de 1988). Correu tudo mal ao jovem senador de Delaware (desde 1973), que se tornou famoso por ter inventado uma parte da sua própria biografia.

Joe Biden recorreu ao Senado para fazer a sua travessia do deserto e decidiu fazê-la bem longe: assumindo um interesse especial pela política internacional – o que o levaria, enquanto senador, a assumir posições em matérias tão inóspitas para os norte-americanos como os Balcãs. Talvez por isso, nunca tenha tido de prestar contas pelos disparates (pelo menos na visão europeia) que produziu enquanto ‘especialista’ na matéria. Voltou aliás a acontecer o mesmo com a questão da invasão do Iraque, decidida por um seu antecessor, o republicano George W. Bush, que primeiramente apoiou para mais tarde criticar – tendo repetido a forma errática como se comportava na frente internacional.

Quando Barack Obama o convidou para a vice-presidência pareceu claro na altura que era a ala conservadora dos democratas a tentar colocar um freio ao novo presidente, não fosse ele empolgar-se com algum tipo de socialismo. Ora, foi precisamente isso que sucedeu: Obama foi-se radicalizando ao longo dos seus dois mandatos e chegou ao limite quando engendrou um plano de saúde tendencialmente universal que acabava com o poder (ou parte dele) das seguradoras na matéria. Pouco depois, o presidente perdia o Senado e os problemas começaram a incendiar-lhe o tampo da mesa de trabalho da Sala Oval – e talvez nessa altura tenha agradecido a Biden a sua capacidade de fazer pontes com os republicanos.

Dois aneurismas mais tarde (de que se ‘safou’), a opção Biden para 2020 pareceu ser sempre um problema para os democratas: a sua avançada idade, o facto de ter falta de ânimo para impor-se como vencedor num debate a dois e as ‘brancas’ de que era acometido aconselhavam uma cadeira de baloiço e uma manta para os joelhos.

“Se perder contra um candidato com o ‘Sleepy’ Biden, vou-me embora do país”, disse numa altura qualquer o seu adversário Donald Trump – depois de os democratas terem decidido enfileirar todos atrás do velho senador, em detrimento de tantos candidatos que pareciam ser a nova alma dos partidos. Fica para mais tarde.

Joe Biden – que passou a entrar nos palcos em passo de corrida, tendo cometido a assinalável proeza de nunca se ter estatelado ao comprido – acabou por capitalizar os votos dos democratas e os votos anti-Trump, tendo ganho a 3 de novembro, ou uma semanas mais tarde, numa das mais polémicas presidenciais de que há memória. Resta saber se conseguirá produzir todo o dinamismo de que alguém que ocupa o seu lugar tem de ter para assegurar que os Estados Unidos se mantém mais ou menos ‘great again’.

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