Jovens criam plataforma para “facilitar trabalho” dos jornalistas através de inteligência artificial

António Bernardino e Daniela Gonçalves são os criadores da ‘startup’ Pliccam que usa ferramentas de inteligência artificial. O projeto que recebeu um financiamento de 50 mil euros da Google e que estará disponível em 2019.

Dois jovens portugueses criaram uma plataforma que visa “facilitar o trabalho” dos jornalistas através da análise automática de texto, projeto que recebeu um financiamento de 50 mil euros da Google e que estará disponível em 2019.

António Bernardino e Daniela Gonçalves são os criadores da ‘startup’ Plicca que, através de ferramentas de inteligência artificial, promete “conseguir facilitar o trabalho dos jornalistas”, explicou a jovem, em declarações à agência Lusa.

“Existem coisas muito práticas que dão muito jeito nas redações, como por exemplo a sugestão de título, de palavra-chave, de análise sintática e gramatical do texto, a sugestão de imagem para agregar ao texto, de forma a ilustrar a notícia”, exemplificou Daniela Gonçalves.

E foi nesse sentido que os antigos alunos da Universidade Nova de Lisboa (aos quais se juntou outro jovem programador, Pedro Barroca) criaram o Plicca, em dezembro do ano passado.

Inicialmente, este era um projeto secundário, visto que os jovens estavam a trabalhar nas áreas em que se formaram – Engenharia Eletrotécnica e Ciências da Comunicação –, mas isso mudou neste verão, quando receberam um financiamento de 50 mil euros ao abrigo da Google Digital News Initiative, organização criada pela ‘gigante’ tecnológica para apoiar iniciativas na área do jornalismo.

“O que acontecia era que estávamos cada um nos seus trabalhos e isto era um projeto a título pessoal”, mas “com este financiamento conseguimos deixar os trabalhos que tínhamos para nos dedicarmos a 100%”, observou António Bernardino.

Em desenvolvimento está, por isso, “uma plataforma em que as pessoas podem, com o texto que estão a publicar, fazer perguntas ao sistema, como, por exemplo, qual é a audiência que se espera com o texto, se é um texto que está mais virado para […] Economia ou de Política, para pessoas mais jovens ou mais velhas”, indicou.

Ao mesmo tempo, será possível analisar “a mensagem de texto, o sentimento do texto, o tema que está a ser escrito – se é positivo ou negativo –, a forma como a pessoa está a escrever e depois, com estes parâmetros todos, […] o programa dá sugestões para se chegar melhor à audiência pretendida ou à audiência mais indicada”, acrescentou o jovem.

Por detrás estão ferramentas de inteligência artificial, assentes em tecnologias de ‘deep learning’ (aprendizagem profunda) e de ‘natural language processing’ (processamento da linguagem), áreas ainda pouco exploradas e que requerem investigação.

A estimativa é que a plataforma Plicca esteja operacional, ainda numa versão piloto, “no final de 2019”, segundo António Bernardino.

Até lá, os jovens estão a “tentar fazer parcerias” com órgãos de comunicação nacionais, sendo que, depois de a plataforma estar operacional, o acesso será feito por subscrição.

“Vamos ter três níveis distintos e, dependendo do nível que a pessoa pague, vai ter acesso a mais ou a menos funcionalidades”, apontou António Bernardino.

Os futuros clientes serão, assim, “meios de comunicação digitais, […] mas também as redações clássicas, porque em todo o processo de escrita podem ser inseridos estes modelos”, referiu Daniela Gonçalves.

A jovem assinalou que a estes acrescem entidades como a agências de comunicação ou de publicidade.

“No fundo, acaba por ser uma espécie de automatismo de revisão e sugestão para os textos e isso pode adaptar-se tanto à área do jornalismo como a outras que façam uso da língua portuguesa”, adiantou.

Garantido pelos jovens está que a plataforma servirá para “ajudar as pessoas e não para as substituir”.

“Há um grande medo de a inteligência artificial roubar trabalhos, mas não, só vem ajudar a resolver problemas”, concluiu António Bernardino.

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