A agência de notícias estatal da Coreia do Norte confirmou que Kim Jong-Un, o líder do clã familiar que controla o país há sete décadas, visitará a China a convite do presidente chinês Xi Jinping para participar das comemorações do 80º aniversário do fim da II Guerra Mundial, que terão lugar na próxima semana. Terá a companhia do presidente russo, Vladimir Putin, também dado como presença confirmada. Ambos estarão presentes no desfile militar que ocorrerá na capital chinesa, o momento mais importante das comemorações – que o ocidente antecipa como sendo uma manifestação do incontestável aumento da capacidade bélica do Império do Meio numa altura em que vários conflitos militares marcam a agenda mundial. Entre os participantes, estarão 26 líderes estrangeiros.
Não são esperados líderes dos Estados Unidos ou dos principais países da Europa Ocidental, em parte por causa da postura da China face à guerra na Ucrânia. O regime chinês não participa na guerra – ao contrário de acusações que chegaram a ser insistentes – mas não disfarça o apoio ao esforço de guerra, nomeadamente através do aumento das relações comerciais entre as economias chinesa e russa.
Na tentativa de romper o isolamento diplomático, Kim Jong-Un tentou recentemente expandir as relações bilaterais com países que estão do outro lado da barricada face a Washington. E terá rejeitado esforços dos EUA e da Coreia do Sul para retomar a diplomacia com o objetivo de neutralizar o programa nuclear da Coreia do Norte. Jong-Un participou numa cimeira com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 2019 – sem resultados aparentes – que disse recentemente estar interessado em retomar os contactos com o norte-coreanos. Trump disse na passada segunda-feira que gostaria de reunir com Kim Jong-Un ainda este ano e que está aberto a novas negociações comerciais com a Coreia do Sul – tentando assim fazer a ponte entre os dois países da península. “Gostaria de me encontrar com ele neste ano”, disse, pouco antes de receber o novo presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, na Casa Branca. “Espero que você possa trazer paz à Península Coreana, a única nação dividida do mundo, para que possa se reunir com Kim Jong-Un, construir um Trump World (complexo imobiliário) na Coreia do Norte para que eu possa lá jogar golfe e para que você possa realmente desempenhar um papel de pacificador histórico mundial”, disse Lee.
A China é há décadas o maior parceiro comercial e principal fornecedor de ajuda da Coreia do Norte, mas a relação já não é tão amigável como antes. A Coreia do Norte tem apostado em expandir a cooperação com a Rússia, fornecendo tropas e munições para apoiar a guerra na Ucrânia. Mas os observadores afirmam que a Coreia do Norte deve tomar medidas para estreitar os laços com a China. Em 2023, cerca de 97% do comércio externo da Coreia do Norte foi com a China, enquanto apenas 1,2% foi com a Rússia.
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