KPMG antevê novo paradigma pós-covid na arquitetura dos estádios de futebol

Consultora e estúdio de arquitetura realçam a importância do distanciamento social e de uma experiência sem contacto com superfícies ou objectos nos estádios depois da pandemia. A adaptação levará a custos acrescidos, mas especialistas mostram-se otimistas com resultados no médio e longo prazo.

A “nova normalidade” que veio trazer a pandemia de covid-19 estende-se ao futebol, com a suspensão de ligas ou estádios fechados. A KPMG, consultora internacional, tem vindo, através da sua plataforma Footbal Benchmark, a avaliar este impacto no desporto-rei, debruçando-se agora sobre as novas características a que os estádios do futuro terão de obedecer para estarem em conformidade com as normas sanitárias em vigor.

O “Guia da UEFA para Estádios de Qualidade” de 2011, elaborado em conjunto com o estúdio de arquitetura Fenwick Iribarren, aponta “a necessidade de criar estruturas adequadas para as pessoas que providenciem o máximo de conforto e segurança” como recomendação primeira. Em 2020, e dada a pandemia causada pelo novo coronavírus, a definição de “segurança” passa por dois novos fatores que, em 2011, não seriam relevantes: o distanciamento social e a necessidade de contacto com o mínimo de superfícies e/ou objetos possível. Assim, um novo estudo do atelier acima mencionado, intitulado “Arquitetura para uma era pós-viral”, fornece uma análise geral de como a pandemia afetará o nosso uso de espaços públicos e privados, desde a infraestrutura da cidade, transportes públicos ou o próprio ambiente de trabalho em regime remoto, bem como recomendações sobre como projetar futuros complexos desportivos, especialmente estádios de futebol.

Um dos principais aspetos que trouxe a pandemia foi a necessidade de distanciamento social, o que também afetou a percepção dos indivíduos do seu espaço de conforto, que é agora muito mais alargado. A recomendação de que se mantenham dois metros de distância entre pessoas leva a que espaços a criar futuramente tenham de ser mais amplos, ou a que se diminua a capacidade dos já existentes. Por outro lado, a questão do toque em objectos em superfícies também terá de ser minimizada. A Fenwick argumenta que, para este objetivo, a tecnologia terá um papel determinante, com o uso de sensores para abrir e fechar portas ou para operar equipamentos de higiene como sanitas ou torneiras. Também a tecnologia móvel será chave em ambos os aspectos, com bilhetes virtuais ou a possibilidade de pedir e pagar comida e bebida ao intervalo sem sair do assento (que também evita aglomerações nas bancas de comida dos estádios). Outros aspectos relevantes prendem-se com a necessidade de rastreios à entrada dos estádios ou de uma maior ventilação das infraestruturas, de forma a circular o ar, o principal meio de propagação do vírus.

A implementação destas medidas representará um custo para os clubes, que viram já as suas receitas de bilheteira, uma importante fonte de rendimento, sofrerem rombos consideráveis com a suspensão das ligas e a retoma sem adeptos no estádio. Com os 10 clubes mais ricos do mundo a realizarem, em média, 17,79% das suas receitas operacionais na venda de bilhetes, é imediato que a impossibilidade de ter espectadores nos jogos representa um rombo financeiro considerável. Para estes 10 clubes, a estimativa de perdas de receitas de bilheteira situa-se, em média, nos 20,53 milhões de euros. E as perdas poderão não ficar por aqui, caso se mantenham as restrições sanitárias por um período mais longo.

Mark Fenwick, o responsável pela Fenwick Iribarren, mostra-se otimista em relação à implementação das soluções apresentadas, lembrando que, aquando dos grandes desastres no futebol inglês que obrigaram ao estabelecimento de lugares sentados, os clubes se adaptaram rapidamente, bem como à necessidade de novos procedimentos de segurança depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Também Andrea Sartori, o responsável máximo pela divisão de desporto da KPMG, também partilha do otimismo em relação ao comportamento da procura, realçando que, apesar da inexistência de uma métrica que permita uma previsão baseada em dados, “a experiência mostra que, quando uma ameaça directa ou indirecta de crise desaparece, as pessoas tendem a retomar as suas actividades de rotina – especialmente se esta for o seu passatempo apaixonado”. Por outro lado, caso uma percentagem considerável de adeptos se mostre relutante em voltar aos estádios, isso levará a uma maior procura por transmissões televisivas dos jogos e, por conseguinte, a uma maior valorização dos direitos televisivos dos clubes.

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