Paradoxalmente, a destruição causada pela tempestade Kristin até pode acabar por ter um efeito líquido positivo no PIB nacional, dado que os estragos na infraestrutura não são contabilizados no indicador e o esforço de reconstrução deverá ser superior ao produto perdido nesta interrupção laboral. Ainda assim, a leitura do primeiro trimestre deve ser negativamente influenciada pela catástrofe, bem como o emprego e a componente externa.
Na nota de conjuntura de janeiro, o Fórum para a Competitividade reconhece o impacto da tempestade Kristin e outros fenómenos meteorológicos extremos que se têm registado em território nacional na atividade económica, além da destruição generalizada que causaram. Ainda assim, e apesar dos efeitos negativos para a vida das populações, o resultado líquido no PIB pode não ser negativo, dada a contabilidade do indicador.
A análise do Fórum relembra que os efeitos se materializarão por três vias: a “destruição do stock de capital, de estragos em infraestruturas, habitações, fábricas e equipamentos”, a perda de produção, “quer devido a destruição de potencial produtivo (sobretudo na indústria), quer à ausência de condições de produção, como falta de eletricidade, água, etc.”, e, finalmente, pelo esforço de reconstrução.
“Em termos de contas nacionais, o primeiro impacto não é contabilizado no PIB (seria incluindo num balanço contabilístico, que não é realizado regularmente), enquanto os restantes dois são, o segundo de forma negativa e o terceiro com contributo positivo”, explica a nota. “Por isso, é provável que a despesa na reconstrução acabe por ser superior às perdas de produção e que, paradoxalmente, o impacto final sobre o PIB ainda se venha a revelar positivo, pelas regras da sua contabilidade.”
Em termos trimestrais, estes primeiros três meses do ano serão certamente aqueles em que o impacto negativo mais se sentirá, sendo expectável uma recuperação ao longo de 2026 à medida que o investimento é canalizado para a reconstrução.
Do lado do emprego, os impactos negativos serão mais evidentes, embora temporários. A seguir aos lay-offs iniciais, haverá um esforço de “desvio de emprego para a reconstrução”, mas, com o país em pleno emprego, a criação líquida de postos de trabalho parece improvável.
Já do lado das exportações, o impacto imediato será também difícil de evitar, mas, “nos casos que seja possível reatar a produção num prazo relativamente curto” e os clientes se mantenham com as empresas, parte da produção poderá ser recuperada.
Perante este cenário, o Fórum mantém a expectativa de um crescimento no final do ano de 2% a 2,3%, mantendo como principal risco a componente externa e os avanços e recuos na política comercial dos EUA. No entanto, o risco associado às tempestades cresceu nas últimas semanas, reconhece a nota.
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