O setor industrial português enfrenta uma ameaça existencial após a passagem da histórica tempestade Kristin, que paralisou unidades produtivas e destruiu infraestruturas críticas em todo o país. Quem o diz é a APIP – Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos que lançou hoje um alerta, exigindo “medidas excecionais e eficazes” para evitar o colapso estrutural do tecido empresarial nacional.
A maior preocupação reside na fragilidade da rede elétrica. A Kristin derrubou 61 postes de muito alta tensão, deixando inoperacional cerca de 7% da rede nacional. Para as fábricas de plásticos, a dependência de geradores provisórios tem causado microcortes constantes que inutilizam matérias-primas e comprometem a segurança operacional.
“Sem condições reais para a retoma, assistiremos a encerramentos e perda de emprego”, adverte Amaro Reis, Presidente da APIP. A associação defende que o Governo deve solicitar ajuda técnica imediata a Espanha e França para acelerar a reparação da rede elétrica.
A APIP contesta ainda a eficácia das linhas de crédito tradicionais do Banco Português de Fomento, argumentando que o endividamento num cenário de ativos destruídos apenas acelera a insolvência.
O setor exige então fundos não reembolsáveis para reposição de capacidade produtiva; adiantamentos de liquidez imediatos, antecipando o pagamento dos seguros; ativação de mecanismos europeus de catástrofe para reforçar o financiamento estatal; e pressão sobre Seguradoras e Governo.
Com a situação de calamidade prolongada até 15 de fevereiro em 68 concelhos, a pressão sobre as seguradoras aumenta.
A APIP apela a uma “postura colaborativa” e à simplificação dos processos de peritagem para que o capital chegue às empresas antes que os encerramentos se tornem definitivos.
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