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Lagarde abandona jantar em Davos onde EUA criticavam Europa

Ministro do Comércio criticava duramente a Europa durante evento em Davos e foi alvo de vaias. Várias pessoas começaram então a abandonar a sala, incluindo a presidente do BCE. Evento foi interrompido antes da sobremesa ser servida.
Christine Lagarde BCE juros
21 Janeiro 2026, 14h58

Uma centena de convidados para um jantar entre os quais presidentes das maiores empresas mundiais e chefes de Estado presentes em Davos, Suíça.

Mas um discurso agressivo de um ministro norte-americano a criticar a Europa deu origem a vaias e ao abandono da sala por várias pessoas. O evento foi mesmo cancelado antes da sobremesa ser servida.

Entre as pessoas que abandonaram a sala, esteve a presidente do Banco Central Europeu (BCE) Christine Lagarde.

O ministro do Comércio dos EUA criticava a Europa durante um discurso no evento que teve lugar durante o Fórum Económico Mundial em Davos.

Durante uma passagem em que Howard Lutnick realizava pesadas críticas à Europa, a francesa Christine Lagarde levantou-se e simplesmente abandonou a sala, revela a “Reuters”.

O jantar contava com uma centena de pessoas e foi organizado pelo presidente da BlackRock Larry Fink, que também é co-chairman do Fórum Económico Mundial. Foram convidados participantes do fórum, como empresários, mas também chefes de Estado e outros altos dignatários.

O evento foi interrompido depois das vaias em que várias pessoas começaram a sair da sala.

Donald Trump encontra-se a falar esta tarde em Davos onde voltou a expressar o seu desejo de controlar a Gronelândia, uma intenção que tem sido bastante criticada pelos líderes europeus.

“As pessoas pensam que eu usaria força, mas não tenho de usar força. Não quero usar, não vou usar força”, disse o líder dos EUA no seu discurso no Fórum Económico Mundial.

Trump quer arrancar imediatamente com negociações para comprar a Gronelândia, que pertence à Dinamarca, e deixou um aviso pouco habitual entre aliados. “Eles têm uma escolha [Dinamarca]. Podem dizer, e vamos apreciar o gesto; podem dizer não, e vamos lembrar-nos”.

A “Reuters” descreve que o discurso de Trump em Davos foi “mais de uma hora de repreensões e ameaças dirigidas a países já inquietos com a pressão dos EUA para apoderar-se de território da Dinamarca, um velho aliado dos EUA e da NATO”.

Fiel a si próprio, chamou a Dinamarca de “ingrata”, tendo qualificado a compra da Gronelândia como um “pequeno pedido” sobre um “pedaço de gelo”. Uma eventual aquisição, não coloca em causa a aliança da NATO, garantiu.

Deixou críticas também à Europa em várias vertentes: a energia eólica, o ambiente, a imigração e a geopolítica.

A Dinamarca já reagiu. “É claro do discurso que permanece a ambição do presidente”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros Lokke Rasmussen. Apesar de ter afastado a ameaça militar, o “problema não desapareceu”, segundo o governante dinamarquês.


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