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Lagarde: BCE está a monitorizar câmbios, mas tranquiliza mercados

“O que observamos é que o dólar tem desvalorizado contra o euro, sim, mas não apenas recentemente; é algo que se verifica desde março passado”, explicou a presidente do BCE, acrescentando que, “nas últimas semanas, desde o verão, tem flutuado ao longo de um intervalo” que se tem mantido estável.
5 Fevereiro 2026, 14h40

O Banco Central Europeu (BCE) está a monitorizar a situação no que respeita às taxas de câmbio, dada a força do euro nos mercados internacionais, embora Christine Lagarde argumente que a moeda única não tem atingido valores fora da série histórica face ao dólar. A presidente do banco explica que há quase um ano que o euro tem valorizado contra o dólar, mas sempre dentro de uma margem aceitável e já incorporada na análise de risco.

A autoridade monetária europeia deixou os juros inalterados na reunião desta quinta-feira, a primeira do ano, em linha com o esperado pelo mercado. Lagarde falou numa decisão “unânime”, mas reconheceu, perante as questões dos jornalistas, que o Conselho de Governadores debateu a questão das taxas de câmbio.

“O que observamos é que o dólar tem desvalorizado contra o euro, sim, mas não apenas recentemente; é algo que se verifica desde março passado”, retificou, acrescentando que, “nas últimas semanas, desde o verão, tem flutuado ao longo de um intervalo” que se tem mantido.

Como tal, “o impacto disto está incorporado na nossa análise” de risco, garantiu, frisando que o foco do banco central está na transmissão destas flutuações à economia real.

Ainda assim, Lagarde deixou o que poderão ser vistas como algumas indiretas a Trump, que tem gerado uma tempestade comercial com repercussões nos mercados. A presidente do BCE defendeu que uma divisa, “para ter um papel internacional, tem de cumprir certos requisitos”, como “um ambiente estável e seguro, em que a lei é conhecida e respeitada”, além da “capacidade para fazer trocas com o resto do mundo” – algo reforçado no caso europeu pelos acordos comerciais recentes com a Mercosul e a Índia.

O risco de a inflação ficar sistematicamente abaixo do objetivo de médio prazo do banco, de 2%, tem crescido, dada a força do euro e as últimas leituras do indicador de preços, que ficou em 1,7% em janeiro. No entanto, Lagarde continua a ver o BCE “numa boa posição”.

“Há muito tempo que projetamos que a inflação não alcance o objetivo em 2026”, lembrou, apontando às projeções macroeconómicas lançadas ao longo do ano anterior. Ao mesmo tempo, “olhando para o médio prazo, estamos no objetivo em 2027 e 2028”, pelo que a situação permanece favorável, ainda que Lagarde reconheça uma atenção redobrada na dinâmica de preços nos serviços e ainda sobre os salários.

“Nada de fundamental se alterou no cenário base”, rematou.

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