Lei ‘Uber’: Governo está subjugado ao interesse das multinacionais, acusa CGTP

“A CGTP está ao lado da luta dos profissionais do táxi”, afirmou Arménio Carlos, considerando que o atual Governo tem “dois pesos e duas medidas” e que está “subjugado ao interesse das grandes multinacionais”.

Cristina Bernardo

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, acusou hoje o Governo de estar “subjugado ao interesse das grandes multinacionais” de plataformas eletrónicas de transporte, expressando apoio à luta dos taxistas.

“A CGTP está ao lado da luta dos profissionais do táxi”, afirmou Arménio Carlos, considerando que o atual Governo tem “dois pesos e duas medidas” e que está “subjugado ao interesse das grandes multinacionais” que estão à frente das plataformas eletrónicas de transporte de passageiros.

Falando aos cerca de 500 taxistas concentrados em frente à Assembleia da República, o líder sindical considerou, contudo, que a “força da razão vai-se sobrepor à força do poder”.

O responsável da CGTP defendeu que os taxistas não são “portugueses de segunda quando há estrangeiros de primeira”, referindo-se às plataformas, e exigindo que não haja uma “discriminação”, mas “direitos iguais”.

Na perspetiva de Arménio Carlos, a situação pode ser resolvida se o Governo tiver “bom senso e disponibilidade” para ouvir o setor do táxi.

Relativamente às plataformas que atuam em Portugal, a CGTP “não tem nada contra”, no entanto, “a lei é para ser cumprida por todos”, disse o dirigente, defendendo que há atualmente “concorrência desleal”.

Arménio Carlos disse ainda acreditar que, no futuro, as plataformas que atuam em Portugal vão “pôr os clientes a pagar muito mais”.

O secretário-geral da CGTP deixou palavras de apoio ao protesto dos taxistas, que dura há oito dias, apelando a que mantenha a “união, coragem e determinação” na luta pelo futuro do setor, “independentemente das dificuldades e dos obstáculos”.

Perante esta manifestação de apoio, os cerca de 500 profissionais em protesto aplaudiram e gritaram “o táxi unido jamais será vencido”.

Os taxistas estão concentrados em frente à Assembleia da República desde cerca das 15:00 a acompanhar o debate quinzenal através da rádio, refugiados em sombras devido ao calor, aplaudiram a intervenção da coordenadora do BE, Catarina Martins, e vaiaram o primeiro-ministro, António Costa, na resposta.

Os taxistas estão em protesto desde dia 19, com concentrações em Lisboa, Porto e Faro, contra a entrada em vigor, em 01 de novembro, da lei que regula as quatro plataformas que operam em Portugal – Uber, Taxify, Cabify e Chauffeur Privé.

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