O Região de Leiria Crescimento, o primeiro fundo de investimento regional do país, gerido pela Portugal Ventures, já canalizou acima de seis milhões de euros para empresas do distrito. Até ao momento, o fundo já recebeu 118 candidaturas, registando-se uma “forte adesão”, segundo Luís Febra, presidente da NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria.
O êxito do fundo de capital de risco fechado, a força da indústria leiriense e as oportunidades económicas do distrito marcaram um encontro entre empresários e líderes políticos da região, que decorreu esta terça-feira, dia 28 de outubro, à margem do evento NEXXT Leiria 2025, e no qual esteve presente o CEO do Banco Português de Fomento (BPF).
“Leiria tem todas as condições para ser um grande polo de investimento direto estrangeiro”, defendeu Gonçalo Regalado. A região do centro do país, que se prepara para estender a sua capacidade industrial à área da Defesa, “tem condições de atração de talento com muitíssima capacidade e competitividade”, além de “presidentes de câmara modernos, com a cabeça ‘arejada’ e com intensidade”, assinalou o mesmo responsável, citado em comunicado de imprensa, listando os vários setores estratégicos da região: metalomecânica, moldes, plásticos, aço, construção, pedra natural e pedra trabalhada, maquinaria e um “turismo vibrante”.
Assinalando que Portugal tem sido procurado por investidores dos Estados Unidos, Brasil, China, Médio Oriente, Canadá, França, Espanha, Alemanha, o diretor do BFP mostrou-se disponível para promover uma maior proximidade com a região a fim de trabalharem as oportunidades de investimento. “Nós temos capacidade para, convosco, e em estreita articulação, sentarmo-nos aqui, em Leiria, e não em Lisboa, e dizer: ‘É isto que o país tem’. Digam-nos onde querem ir e o que querem, que nós vamos estar mais próximos do território para podermos trazer ainda mais e melhor investimento”.
Do lado da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL), Gonçalo Lopes assinalou que Leiria “é hoje o terceiro ecossistema mais inovador do país, num mercado que é cada vez mais dinâmico e competitivo”.
Nas palavras do também presidente da Câmara Municipal de Leiria, “é um grande orgulho ver Leiria afirmar-se como um território onde a inovação tecnológica acontece, onde as ideias se transformam em soluções e as empresas encontram talento e condições para crescer”. “Queremos consolidar Leiria como um polo de inovação e tecnologia, reforçando o ecossistema empresarial, criando novos espaços de incubação e aceleração e promovendo a ligação entre o conhecimento, o investimento e as pessoas”, continuou.
A representar um dos 16 concelhos do distrito, Jorge Vala, presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, descreveu o encontro de líderes e decisores como “um momento de reflexão estratégica sobre o futuro da região de Leiria”. “A partilha de ideias e ambições que aqui se fez é uma prova de que o futuro constrói-se em rede, com diálogo, confiança e visão partilhada entre o setor público, privado e financeiro”, finalizou.
Por sua vez, Pedro Pimpão, presidente da Câmara Municipal de Pombal, sublinhou o papel dos autarcas no apoio à iniciativa empresarial. “É um território de gente muito empreendedora, e isso verifica-se a vários níveis. Pela primeira vez na história, temos um fundo da região para apoiar as empresas da própria região. É um fundo endógeno. Nós, autarcas, temos o nosso papel, mas vamos apoiar empresários que apoiem outros empresários a crescer”, defendeu.
De acordo com Vítor Ferreira, diretor-geral da Startup Leiria, “existe um propósito no fundo Região de Leiria Crescimento que vai além da emoção”. “É um efeito multiplicador. Um excelente exemplo é um dos primeiros investimentos do fundo, a BHOUT. A tecnologia e algoritmos da BHOUT são feitos em Leiria, pela Void. Os plásticos e moldes são de Leiria, as peças de metal são maquinadas em Leiria, a espuma vem da Leirispumas, de Leiria, e os sensores são de Leiria, tal como o coro. Ou seja, um investimento no fundo gera negócio, gera efeitos multiplicadores e gerará retorno aos investidores do fundo. É um exemplo de retorno económico e desenvolvimento regional, e também potencial de gerar um futuro unicórnio”, analisou.
Primeiro fundo de investimento regional de Portugal
O Região de Leiria Crescimento – Fundo Capital de Risco Fechado (FCRF) foi criado em abril do ano passado, com um capital total subscrito de 14,3 milhões de euros, tendo recebido até hoje 118 candidaturas. O montante de investimento solicitado ascende a 79 milhões de euros, com cinco investimentos executados até agora nas empresas Leadzai, Twevo, BHOUT (BHT), entre outras, num total de mais de seis milhões de euros.
Segundo Luís Febra, presidente da NERLEI CCI, “as linhas de financiamento apresentadas, especialmente dirigidas a setores âncora da economia nacional, representam oportunidades concretas para o crescimento sustentável” e “modernização do tecido empresarial” da região de Leiria.
Constituído em abril de 2024, com um capital total subscrito de 14,3 milhões de euros, o Fundo ‘Leiria Crescimento’ abriu já quatro calls. O investimento previsto está intervalado entre 250 mil euros a 1,5 milhões de euros por empresa, nas fases seed, startup e later stage venture (séries A, B e C), e que estejam sediadas na com sede na CIMRL ou que na região pretendam estabelecer-se com presença e operações significativas.
Os primeiros esforços para a criação de um fundo para capitalização das empresas pensado para o desenvolvimento da região de Leiria partiram da CIMRL. E foi no início de 2023 que a NERLEI CCI, tendo como parceiros a CIMRL, o Politécnico de Leiria, a ACILIS e a Startup Leiria, e a Portugal Ventures ao nível nacional, que foi apresentada uma candidatura ao Banco Português de Fomento para a criação do Região de Leiria Crescimento.
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