Lições da Archegos

Após mais de 10 mil milhões de perdas, os analistas questionam se nada foi aprendido com a crise de 2008.

As perdas de mais de 10 mil milhões de dólares, na sequência do colapso do familly office Archegos, têm gerado duras críticas à banca de investimento. O público questiona se nada se aprendeu com a crise de 2008 e como foi possível permitir a um só cliente a tomada de posições alavancadas em montante tão elevado. “Bill” (Sung Kook) Hwang já tinha sido condenado por práticas ilegais na sua atuação em mercados mais a Oriente e isso deveria, pelo menos, ter acendido algumas “luzes vermelhas”.

Na verdade, a Goldman Sachs terá inicialmente rejeitado fazer negócios com Hwang, mas a pressão dos lucros gerados pelos seus concorrentes foi mais forte e acabou por aceitá-lo como cliente e conceder-lhe generosas linhas de crédito para transação de derivados. Mas, boys will be boys e o mesmo se aplica aos bancos de investimento: está no seu ADN assumir riscos que ninguém assumiria e isso, suponho, nunca irá mudar.

Mas há um ângulo que merece mais atenção: a manipulação de mercado. Pelo que se vai sabendo, a Archegos utilizou Total Return Swaps nos vários bancos para fazer subir as cotações de algumas ações e dar a ideia de que existia uma procura real pelos títulos porque as compras surgiam de vários lados e não parecia ser só um comprador. O objetivo era criar a falsa impressão de ampla procura, convidando o resto do mercado a entrar no barco, para depois despejar as suas posições.

Não sendo um fã de demasiada regulação, é neste aspeto que algo deve mudar. Formalmente, as posições eram dos bancos de investimento, mas de certa forma, o “beneficiário efetivo” era a Archegos e isso estava escondido do mercado. Portanto, algo estará para melhorar na obrigatoriedade de comunicação ao mercado de quem detém posições relevantes, curta ou longas, sob a forma de derivados.

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