Lisboa é a cidade ibérica com maior número de hostels na Península Ibérica (93 unidades) superando Barcelona (81), Madrid (48) e Porto (36).
Os dados foram divulgados num estudo elaborado pela consultora britânica Christie que analisou os hostels em dez cidades ibéricas, incluindo Lisboa e Porto.
Apesar de Lisboa ser a cidade ibérica com maior número de hostels, Barcelona conta com o maior número de camas neste tipo de unidades (8.283 camas), com Lisboa na segunda posição (5.900) seguida de Madrid (5.614), Porto (2.048) e Sevilha (1.680)
Mas analisando as receitas geradas por cama disponível (RevPAB), os hostels das maiores cidades espanholas superam os nacionais. Os hostels de Barcelona geram um RevPAB entre 16 e 21 euros, enquanto os de Madrid geram receitas por cama de 15 a 20 euros. Estes valores descem para um intervalo de 12 a 17 euros tanto em Lisboa como no Porto.
Em termos de preços cobrados por cama, Barcelona volta a liderar o ranking, empatado com San Sebastian, com os preços a variarem entre 21 e 26 euros. Segue-se Madrid e Palma de Maiorca com valores entre 20 e 25 euros. Depois, os hostels de Porto e de Sevilha cobram entre 18 e 23 euros por cama. Já Lisboa surge com preços entre 17 e 22 euros por cama, tal como Málaga. Por último, Bilbao e Valência cobram diariamente entre 15 a 20 euros por cama.
Em termos de taxa de ocupação, Málaga lidera o ranking (78%-83%), seguindo-se Barcelona (76%-81%), e Sevilha (75%-80%). Segue-se Lisboa (73%-78%), Palma de Maiorca (72%-77%), Valência e Madrid (71%-76%) e Porto (70%-75%).
“A oferta de hostels em Lisboa é relativamente recente, com a maior parte das propriedades a estarem abertas há cinco ou seis anos”, começa por analisar a Christie, apontando que as unidades são mais pequenas face a Barcelona, com 60 a 70 camas cada em média. Por tipologia, Lisboa tem 74% de design hostels, 21% de hostels low cost e 5% de hostels temáticos.
A consultora aponta que design hostels são unidades com “instalações modernas, mobília e elementos decorativos de elevada qualidade e design. Habitualmente, oferecem grandes instalações de lazer e de alimentação”.
A Christie aponta que quase três quartos dos hostels em Lisboa são detidos por cadeias, com a portuguesa Hub Hostels em destaque. “Devido ao crescente interesse gerado por Lisboa nos três últimos anos, a maioria das novas aberturas foram da responsabilidade de operadores internacionais como o Selina Hostels e operadores espanhóis como o Be Hostels, Bluesock Hostels, Rodamon Hostels e Sant Jordi Hostels”, de acordo com a consultora.
Os operadores Room007 e Selina Hostels devem abrir duas novas propriedades nos próximos anos em Lisboa, aponta a Christie.
Analisando o Porto, a consultora britânica aponta que mais de três quartos dos hostels no Porto (83%) pertencem a design hostels, a maior fatia entre as 10 cidades ibéricas. Já os hostels low cost pesam 15%, seguidos dos hostels temáticos (2%).
“Tal como Lisboa, o Porto experienciou a entrada de operadores internacionais como Bluesock Hostels, Selina Hostels e Cats Hostels, que providenciam uma maior capacidade de camas e são os maiores atores no mercado”, pode-se ler no documento.
A maior fatia de camas em Lisboa pertence a operadores independentes (46%), seguido da Hub Hostels (9%), da Bluesock Hostels (8%), das Pousadas de Juventude (7%), da Selina e da Destination Hostels (5%).
Os operadores independentes também dominam no Porto (42%), seguido da Selina (13%), Bluesock Hostels (11%), Nice Way Hostels e Cats Hostels (8%) e Hostelling International (7%).
Portugal deverá continuar a atrair investidores internacionais
Para o futuro, a Christie aponta que os mercados português e espanhol deverão registar a “entrada de novas marcas atraídos pelos resultados positivos”. “Os operadores internacionais que ainda não estiverem presentes nestes mercados, ou com presença limitada, vão tentar aumentar a sua presença de forma a satisfazer a procura existente, gerando sinergias e economias de escala em cada país”.
Depois, a Christie aponta para uma diminuição de operadores independentes ou a fusão com operadores consolidados à medida que o setor profissionaliza-se cada vez mais, aumentando a oferta de hostels de maior qualidade.
Em terceiro, a entrada de operadores de hostels de outros mercados vai contribuir para o desenvolvimento de novos conceitos no mercado ibérico como as “cápsulas, hostels resorts, produtos mistos como um cruzamento entre hostels e apartamentos (co-living), residências de estudantes ou parques de campismo”.
Por último, a evolução dos mercados imobiliários em Lisboa e Porto vai ser determinante para determinar se os níveis de rentabilidade vão crescer ou diminuir.
“A menor oferta de ativos adequados para o desenvolvimento de hostels, assim como o aumento do interesse dos investidores para entrarem nestes mercados, vai aumentar os preços por metro quadrado e consequentemente, as margens vão certamente reduzir”, prevê a Christie.
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