Lisboa Financial Fórum: “o emprego barato tem custos para a sociedade e para os contribuintes”

O humanismo pode aumentar a competitividade empresarial. Melhores salários e participação dos trabalhadores na estrutura acionista do empregador pode ser a solução.

Dez anos após a crise financeira que colocou em causa o sistema financeiro, o humanismo na sociedade e na competitividade empresarial foi o mote da 2ª edição do Lisboa Financial Fórum, uma conferência promovida pela corretora ActivTrades e da qual o Jornal Económico é media partner. Apesar da retoma económica dos últimos anos, os “mercados de capitais ainda têm uma má imagem”, disse Isabel Neves, presidente do Lisbon Business Angels Club. A investidora informal revelou que ainda “tem medo do mercado de capitais porque, por detrás dele, está a ganância das pessoas.

“Tenho receio da perda de humanismo por parte das pessoas que manipulam os mercados de capitais”, confessou.

“Os mercados financeiros, assim como as empresas, são pessoas e aí é que está a questão” disse Marco Silva, consultor estratégico. “Muitos críticos do capitalismo apontam o dedo às grandes corporações, mas por detrás deles, estão pessoas. E as pessoas têm defeitos”.

Em Portugal, durante a crise, Isabel Neves, frisou que “faliram muitas pequenas e médias empresas e, atrás delas, faliram muitas famílias”.

Marco Silva salientou que a solução passa por uma alteração das mentalidades, por exemplo, copiando o sistema de governação e de estrutura da tradição anglo-saxónica. “O emprego barato tem custos para a sociedade e para os contribuintes”, disse. Para o consultor, todas as startups que se tornaram em grandes empresas, como o Facebook, têm na sua estrutura acionista “os primeiros empregados, que se tornaram ricos”.

“Esta noção, de trazer a empresa para as mãos dos trabalhadores, é humanista e faz com que todos remem na mesma direção”, disse.

 

Ler mais

Relacionadas

João Lourenço: “Não posso dar nota 10 à relação com Portugal. O objetivo é atingir a excelência”

João Lourenço termina a visita oficial a Portugal este sábado. Em conferência de imprensa, disse que os dois países “vão olhar para o presente e para o futuro”. “Daí termos a obrigação, sobretudo enquanto políticos, de continuar a trabalhar no sentido de atingirmos a tal nota 10”, explicou. Durante o seu discurso, o Presidente de Angola foi interrompido pela interpelação da filha de uma das vítimas do 27 de maio de 1977.

Santander premeia voluntariado nas universidades. Conheça os projetos finalistas

Quatro dos 10 finalistas abordam o tema da inclusão social, três o voluntariado de competências, dois a área da saúde e um a da educação. O vencedor será conhecido a 5 de dezembro.

Orçamento familiar: Descubra a importância de definir objetivos

A definição do orçamento familiar é essencial para controlar as suas despesas correntes e perceber se há margem para tomar algumas decisões, como comprar casa, investir ou preparar a reforma.

Kuwait Petroleum entra em Portugal com negócio de 20 milhões

Petrolífera kuwaitiana negoceia a compra de participação de 50% da rede portuguesa do grupo Vapo, pretende duplicar o número de postos e contar com abastecimento direto através do porto de Sines.

Anacom quer rever preços até 2021

A Autoridade Nacional de Comunicações quer, no próximo triénio, assegurar o “respeito integral pela sua autonomia” na relação com as operadoras de telecomunicações.
Recomendadas

Ministério da Agricultura antecipa pagamento dos fundos comunitários

O Ministério da Agricultura vai antecipa os pagamentos como forma de financiar o setor desde já. Entretanto, começou a apoiar os agricultores a escoarem os seus produtos nos mercados locais e lançou uma campanha destinada a promover o seu consumo.

A (outra) hora da Europa?

Ao longo do tempo, cada nação europeia pensou-se como “Europa que baste”, ou humanidade que baste, no pior dos casos. A identidade europeia foi sempre utopia, mas é raro as utopias serem inúteis.

Incentivos a fundo perdido e agilização de pagamentos. CIP apresenta plano extraordinário para apoiar economia

Numa carta enviada ao Governo e Presidente da República, a CIP sugere que as garantias do Estado sejam convertidas em incentivos a fundo perdido para as pequenas e médias empresas (PME), a agilização de pagamentos entre empresas e a revisão do regime de insolvências.
Comentários