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Literacia financeira: o ativo estratégico em tempos de escolhas complexas

Perante uma conjuntura económica cada vez mais exigente, saber mais sobre Finanças é essencial para decisões responsáveis. Por isso, um projeto como a Escola das Finanças, da Cofidis, assume papel central na capacitação dos jovens, promovendo escolhas informadas
13 Fevereiro 2026, 09h00

Vivemos um contexto económico marcado pela crescente sofisticação dos produtos financeiros e pelo rápido acesso ao crédito online. Por isso, a literacia financeira passou a ser determinante nas decisões que moldam o futuro de famílias, jovens e empresas. Ainda assim, muitas escolhas financeiras do quotidiano continuam a ser feitas sem a compreensão plena dos custos, riscos e implicações de longo prazo, aumentando a vulnerabilidade económica e o risco de exclusão financeira.

Face a isso, a pressão sobre os orçamentos familiares, combinada com uma oferta cada vez mais diversificada de soluções de financiamento, torna o processo de decisão mais exigente. Portanto, saber comparar taxas, compreender cláusulas contratuais, avaliar a adequação de um crédito às necessidades reais ou antecipar o impacto de um compromisso financeiro ao longo do tempo são competências essenciais para garantir estabilidade e autonomia económica.

A este cenário soma-se a digitalização acelerada dos serviços financeiros, sendo que a facilidade de acesso ao crédito online, a rapidez dos processos e a simplificação da experiência do utilizador trouxeram ganhos claros de conveniência e eficiência, mas também novos desafios, com a redução do tempo de reflexão e a perceção de menor risco associada à desmaterialização das operações a poder conduzir a decisões precipitadas.

Perante esse cenário, a literacia financeira assume também uma função de proteção do consumidor, garantindo que a inovação tecnológica é acompanhada por escolhas informadas, responsáveis e alinhadas com a capacidade financeira de cada um.

Crédito aliado de projetos de vida

É neste enquadramento que a Cofidis defende uma abordagem de crédito responsável, encarando o financiamento como um instrumento ao serviço das pessoas e da economia, e não como um fim em si. Isto porque o crédito, quando bem compreendido e utilizado de forma consciente, pode ser um facilitador de projetos de vida, motor de inclusão e apoio à concretização de objetivos pessoais e profissionais. Pelo contrário, quando mal avaliado, pode transformar-se num fator de fragilidade financeira.

A promoção da literacia financeira surge, assim, como um fator de igualdade de oportunidades. Ao dotar os cidadãos de ferramentas para compreender melhor o funcionamento do sistema financeiro, contribui-se para reduzir assimetrias de informação, reforçar a autonomia individual e fomentar comportamentos financeiros mais sustentáveis.

Foi a partir desta visão que nasceu a Escola das Finanças, iniciativa da Cofidis dedicada à educação financeira com especial foco nos jovens. Através de programas estruturados, conteúdos pedagógicos acessíveis e parcerias com universidades, a Escola das Finanças tem capacitado milhares de alunos para uma relação mais informada, crítica e consciente com o dinheiro. Temas como poupança, crédito, orçamento familiar e planeamento financeiro são abordados de forma prática, aproximando a educação financeira da realidade quotidiana.

Mais literacia, melhores consumidores

Num país onde os níveis de literacia financeira continuam a revelar fragilidades, iniciativas deste tipo assumem um papel estruturante, promovendo uma mudança cultural e preparando as novas gerações para tomar decisões mais responsáveis num ambiente económico cada vez mais complexo.

Para a Cofidis, investir em literacia financeira é também assumir um compromisso social de longo prazo. Ao contribuir para a formação de consumidores mais informados, a empresa reforça uma visão de crédito responsável alinhada com o desenvolvimento económico e social do país. Porque, num mundo de escolhas rápidas e impactos duradouros, saber decidir é, cada vez mais, um ativo estratégico.

Nesta perspetiva, deve também entender-se a literacia financeira como uma política preventiva, com impacto direto na sustentabilidade económica e social. E ao promover uma compreensão mais profunda do crédito, do risco e do planeamento financeiro, iniciativas como a Escola das Finanças contribuem para decisões mais equilibradas, reduzem situações de sobre-endividamento e reforçam a confiança dos cidadãos no sistema financeiro, criando bases mais sólidas para um crescimento inclusivo e duradouro.

3 perguntas a Pavlina Borovkova, Diretora Financeira e Jurídica da Cofidis

Perante a atual oferta e complexidade de soluções de crédito, que riscos identifica para os consumidores com baixos níveis de literacia financeira?

A diversidade de soluções de crédito que hoje existe exige capacidade de leitura e interpretação. Num contexto em que as opções se multiplicam, quem domina melhor os conceitos financeiros consegue comparar propostas, perceber o impacto real de uma decisão no orçamento familiar e planear com maior segurança. Para muitos consumidores, o desafio está precisamente aí: transformar informação disponível em conhecimento útil. Quando isso não acontece, a decisão tende a ser tomada com base em critérios imediatos, como o valor da prestação, em detrimento de uma visão mais global. É por isso que a literacia financeira é determinante na promoção de escolhas mais equilibradas. Mais do que um tema técnico, trata-se de uma questão de igualdade de oportunidades. A isto acresce a necessidade de desenvolver pensamento crítico: saber distinguir informação de desinformação, identificar fontes credíveis e verificar dados tornou-se uma competência tao relevante quanto compreender taxas ou prazos. A capacidade de compreender produtos financeiros influencia diretamente a autonomia económica das pessoas, a estabilidade ao longo do tempo e como respondem a imprevistos. Reforçar essa competência é um passo essencial para uma economia mais sólida e inclusiva. A literacia financeira é, assim, também a base de uma relação de confiança mútua entre instituições e clientes, construída sobre escolhas informadas e responsáveis.

Como integra a Cofidis o conceito de crédito responsável na sua estratégia e como é que a literacia financeira reforça essa abordagem junto dos clientes?

Na Cofidis, o crédito responsável é um critério prático de decisão. Começa como desenhamos os produtos, passa pela clareza da comunicação e concretiza-se no acompanhamento ao longo da relação com o cliente. Avaliamos a capacidade financeira de forma rigorosa, apostamos numa linguagem simples e transparente e evitamos soluções que possam colocar em risco o equilíbrio financeiro.

A literacia financeira reforça esta abordagem porque cria uma relação mais madura e equilibrada entre a instituição e o cliente. Um consumidor informado consegue comparar alternativas, compreender encargos, avaliar riscos e tomar decisões com maior consciência. Esta confiança é necessariamente bidirecional: quanto mais autónomos e preparados são os clientes, maior é também a qualidade do nosso portefólio, com níveis de cumprimento mais sustentáveis e relações de longo prazo mais sólidas. Educar financeiramente não é apenas proteger o consumidor, é também contribuir para um sistema financeiro mais sustentável, onde o crédito cumpre o seu verdadeiro papel: apoiar projetos de vida sem comprometer o futuro.

Que impacto concreto tem tido a Escola das Finanças na capacitação dos jovens no que toca ao aumento do conhecimento sobre o tema?

O impacto tem sido relevante na forma como passam a olhar para o dinheiro e para as escolhas financeiras que irão enfrentar ao longo da vida. O programa aposta na sensibilização para conceitos fundamentais, na leitura crítica da informação financeira e na promoção de uma relação mais consciente com temas como o consumo, o planeamento e a tomada de decisão.

Já chegámos a cerca de 60 000 jovens, em diferentes contextos educativos, o que nos permitiu atuar de forma consistente na promoção da literacia financeira junto de quem ainda está a formar a sua visão sobre estes temas, estimulando a capacidade de questionar, compreender e decidir com maior autonomia. Mais do que transmitir conteúdos, procuramos desenvolver autonomia: a capacidade de comparar, questionar e fazer escolhas com base de informação verificada, criando as bases para uma confiança duradoura no sistema financeiro. Este trabalho tem um impacto estrutural: jovens mais informados tornam-se adultos mais preparados para interpretar opções financeiras, ponderar consequências e tomar decisões com maior equilíbrio. É assim que a educação financeira contribui, de forma concreta, para a igualdade de oportunidades e para uma maior estabilidade económica no futuro.

Este artigo é produzido em parceria com a Cofidis. 


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