Livre repudia agressão a estudante cabo-verdiano que morreu em Bragança

Deputada do Livre presta ainda as condolências à família e amigos de Luís Giovani dos Santos Rodrigues e pede justiça. “A luta contra o ódio e o racismo é também a luta pelo reforço da democracia, não apenas enquanto sistema político, mas enquanto um bem a preservar em tempo de ameaças e manipulações ideológicas”, pode ler-se no comunicado.

O partido representado no Parlamento por Joacine Katar Moreira quer ver “esclarecidas as circunstâncias da morte” do jovem cabo-verdiano em Bragança e se há “testemunhas dos factos que precederam os atos” na noite de 21 de dezembro. Luís Giovani dos Santos Rodrigues, originário da Ilha do Fogo, em Cabo Verde, terá sido agredido por 15 pessoas, tendo ficado gravemente ferido. Dez dias depois, o jovem não resistiu e acabou por morrer no hospital de Santo António no Porto, segundo um comunicado emitido pela Embaixada de Cabo Verde em Lisboa.

Num comunicado divulgado na página oficial de Facebook, que exprime a posição da deputada única do partido, Joacine Katar Moreira afirma que está “solidária” com todos os outros amigos de Giovani que também terão sido espancados na mesma noite e apela “a que a justiça tenha lugar”.

Posted by Joacine Katar Moreira on Sunday, 5 January 2020

“A luta contra o ódio e o racismo é também a luta pelo reforço da democracia, não apenas enquanto sistema político, mas enquanto um bem a preservar em tempo de ameaças e manipulações ideológicas”, pode ler-se no comunicado.

O partido afirma aguardar pela “justiça a Giovani e por uma explicação à sociedade” notando que a justiça “se prende com a verdade e com a reposição da confiança nas pessoas, no Estado e nas entidades que o representam”.

PJ já identificou maioria dos suspeitos

Enquanto prossegue a investigação forense e se fazem exames complementares no âmbito da autópsia, a PJ já terá identificado a maioria dos cerca de 15 homens que terão participado na discussão num bar em Bragança, informa o Jornal de Notícias, esta segunda-feira.

Segundo o jornal Expresso, nenhuma hipótese está posta de parte: “Neste momento está tudo em aberto e a PJ não excluiu qualquer possibilidade sobre a motivação do crime. Admite-se que tenha sido ódio racial e que tenha sido um crime de motivo fútil”, explicou uma fonte próxima da investigação ao jornal.

Giovani, nascido em Mosteiros, na Ilha do Fogo, tinha 21 anos e chegou a Portugal em outubro para estudar. Foi para Bragança para se licenciar em Design de Jogos Digitais no instituto politécnico local – embora as aulas deste curso sejam leccionadas no campus de Mirandela.

Segundo noticiou o jornal Público, Giovani estava com três amigos, todos cabo-verdianos, no bar Lagoa Azul, no centro de Bragança, a fim de uma normal noite de diversão quando, na fila para pagar o consumo, um dos rapazes deu um encontrão não intencional numa rapariga. O namorado dela não gostou – e tudo se desenrolou desde aí.

Os funcionários do bar tentaram amenizar os ânimos mas não terá sido o suficiente. Foi quando os outros, já cá fora, se organizaram com cintos, paus e ferros. Assim que Giovani e os amigos saíram e viraram a esquina para ir para casa, prosseguiu o ataque. “O Giovani foi lá pedir-lhes para pararem, mas antes de acabar a frase já tinha levado uma paulada na cabeça”, declarou ainda o seu primo, citado pelo jornal Contacto.

O caso foi denunciado às autoridades de Bragança como um possível homem alcoolizado caído na rua sem menção a agressões ou ferimentos, contou esta segunda-feira à Lusa fonte dos bombeiros locais. Só depois de chegar ao local e avaliar a vítima, é que a equipa de emergência descobriu um ferimento na cabeça e “verificou que se tratava de um possível traumatismo craniano”, indicou o segundo comandante dos bombeiros de Bragança, Carlos Martins.

Giovanni foi conduzido ao Hospital Distrital de Bragança, e encaminhado posteriormente para o Hospital Geral de Santo António, no Porto no dia 21 de dezembro. Depois de ter entrado num estado de coma, o jovem não resistiu e morreu no dia 31 de dezembro.

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