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Livro: “América”

Original de 1986, “América” é fruto da viagem que Jean Baudrillard realizara aos Estados Unidos no ano anterior. Nesta narrativa provocadora, o filósofo e sociólogo reflete sobre o país que vive numa hiper-realidade, onde as imagens se sobrepõem ao real.
31 Janeiro 2026, 12h38

Durante algumas décadas, os Estados Unidos da América encheram os sonhos de pessoas por todo o mundo. Não apenas os automóveis, o brilho das estrelas de cinema ou a música, mas, também, uma certa ideia de liberdade e a certeza de que lá, naquele país de paisagens desmesuradas e cidades cuja dinâmica cortava a respiração e ameaçava partir os pescoços de tanto se esticarem para trás, seria possível vingar, se a tanto nos dispuséssemos. A familiaridade era tanta que, ao chegar ao país pela primeira vez, dir-se-ia que já lá tínhamos estado.

Jean Baudrillard (1929-2007), autor do conhecido “Sociedade de Consumo” e de “A Violência do Mundo” (uma actualíssima reflexão sobre o terrorismo contemporâneo, a meias com Edgar Morin) não terá sido imune a essa espécie de ‘eterno retorno’ onde, apesar de tudo (já lá vamos), é possível viver dias felizes.

 

 

Original de 1986, “América” é fruto da viagem que o filósofo e sociólogo realizara aos Estados Unidos no ano anterior. Num registo diarístico e provocador (por exemplo, considera o Halloween uma “vingança das crianças sobre o mundo adulto”), Baudrillard reflecte sobre a ideia daquele país enquanto ‘utopia realizada’, que vive numa hiper-realidade, onde as imagens se sobrepõem ao real.

De há muito que os dois lados do Atlântico olham entre si com um misto de fascínio, desprezo e incompreensão. Há aqui um pouco das várias emoções contraditórias que um europeu comum sente em relação aos EUA; e há, também, momentos sublimes.

Da editora Língua Morta, com tradução de Tereza Coelho e um posfácio de João Oliveira Duarte.


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