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Lojas falsas geradas por IA: como se proteger deste novo tipo de burla?

Em poucos minutos, é hoje possível criar lojas falsas com aspeto profissional, anúncios convincentes e conteúdos praticamente indistinguíveis dos utilizados por marcas legítimas. Saiba como proteger-se neste artigo do Portal da Queixa.
13 Janeiro 2026, 11h35

A rápida evolução da inteligência artificial está a dar origem a um novo tipo de burla. Em poucos
minutos, é hoje possível criar lojas falsas com aspeto profissional, anúncios convincentes e
conteúdos praticamente indistinguíveis dos utilizados por marcas legítimas.

Neste contexto, saber identificar sinais de alerta e comprar com confiança tornou-se essencial para evitar prejuízos. Segundo o Barómetro Anual do Consumo 2025, realizado pela Consumers Trust Labs, com base nos dados do Portal da Queixa, os consumidores apresentaram 238.698 reclamações ao longo do ano, das quais 8,04 % estão relacionadas com fraude ou tentativa de burla.

Estes números evidenciam que as fraudes online são um problema real e crescente, reforçando a importância de conhecer os sinais de alerta e de adotar boas práticas de segurança antes de realizar compras na internet.

Lojas e anúncios falsos: um problema em crescimento
A utilização de inteligência artificial permite gerar imagens, vídeos e textos de elevada qualidade, que
são depois usados em anúncios pagos nas redes sociais e em motores de busca. Estes anúncios
direcionam os consumidores para lojas online visualmente apelativas, com promoções agressivas e
um processo de compra aparentemente normal.

Na prática, muitos destes sites não correspondem a negócios reais. Os produtos nunca chegam ou
chegam com qualidade muito inferior à prometida, e o apoio ao cliente é inexistente. Quando
começam a surgir reclamações, a loja desaparece e reaparece pouco tempo depois com outro nome
e domínio.

Como funcionam estas fraudes digitais
Grande parte destes esquemas segue um padrão semelhante. Os burlões recorrem a conteúdos
criados por inteligência artificial, utilizam plataformas de e-commerce prontas a usar e investem em
anúncios altamente segmentados para atingir públicos específicos.

O envio das encomendas praticamente nunca acontece, e quando ocorre, o produto recebido
raramente corresponde ao item anunciado, sendo normalmente acompanhado de informações
mínimas ou inexistentes sobre prazos e condições.

O perigo mais grave surge quando os consumidores partilham dados bancários durante a compra: essas informações podem ser utilizadas indevidamente para roubo adicional, aumentando significativamente o prejuízo financeiro e a vulnerabilidade do comprador.

Sinais de alerta antes de comprar
Antes de avançar para uma compra online, é fundamental estar atento a sinais de alerta, como preços demasiado baixos, promoções agressivas ou informações pouco claras sobre a empresa.

Uma pesquisa prévia no Portal da Queixa pode revelar reclamações, experiências negativas ou até a ausência de resposta por parte da marca, o que é motivo de preocupação. Além disso, através da ferramenta #NãoSejasPato, é possível partilhar o URL da loja de onde pretende comprar para avaliar a sua confiabilidade e tomar decisões mais seguras.

Imagens excessivamente perfeitas, avaliações repetitivas ou sem validação externa, assim como
mecanismos de pressão para concluir rapidamente a compra, como contadores regressivos ou
alertas de “últimas unidades” são sinais de que deve abrandar antes de clicar em finalizar a sua
compra.

Dedicar alguns minutos à verificação da loja pode fazer toda a diferença. Pesquisar o nome da marca online, confirmar há quanto tempo o site existe e verificar se apresenta páginas legais completas são passos simples, mas eficazes. Comparar imagens com as de marcas oficiais ou retalhistas reconhecidos ajuda a identificar incoerências. E, embora o cadeado HTTPS indique uma ligação segura, é importante lembrar que não garante, por si só, que a loja seja legítima.

Pagar com segurança reduz o risco
A escolha do método de pagamento é determinante para a proteção do consumidor. Cartão de crédito e plataformas de pagamento reconhecidas oferecem maior capacidade de resposta em situações de fraude ou problemas com a encomenda.

Métodos como transferências bancárias diretas ou pagamentos instantâneos para contactos desconhecidos devem ser evitados, sobretudo quando se trata de lojas pouco conhecidas. Utilizar cartões virtuais com limites de valor e ativar alertas bancários são medidas adicionais que ajudam a
reduzir o impacto de eventuais burlas.

Como agir em caso de fraude
Quando uma compra online não corre como esperado, seja por falta de entrega, produto diferente do
anunciado ou ausência de resposta por parte da loja, é importante não ignorar o problema.

Organizar toda a informação relacionada com a compra, como confirmações, comprovativos de pagamento e anúncios, é o primeiro passo para perceber quais as opções disponíveis. Caso tenha
utilizado um método de pagamento com proteção ao consumidor, é aconselhável verificar os prazos
para contestação e iniciar o processo o quanto antes.

Dar visibilidade à situação também é fundamental. Ao expor o caso no Portal da Queixa, está a contribuir para alertar outros consumidores e a pressionar por uma solução. Em situações mais graves, poderá ainda ser pertinente formalizar a ocorrência junto das autoridades competentes.

Informação e prevenção continuam a ser a melhor defesa
Num cenário em que a inteligência artificial está a ser utilizada para criar esquemas cada vez mais
sofisticados, a informação continua a ser a principal aliada do consumidor. Pesquisar antes de
comprar no Portal da Queixa e utilizar ferramentas como o #NãoSejasPato são hábitos simples que
ajudam a reduzir riscos e a comprar com mais confiança.


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