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Mais de 700 cabos roubados em postos de carros elétricos em seis meses

Mais de um milhão de euros mensais de prejuízos para os operadores e os utilizadores impedidos de carregar. Associação defende que atos de sabotagem e furto sejam enquadrados como crimes contra infraestruturas críticas.
10 Outubro 2025, 12h20

Foram roubados mais de 700 cabos em mais de 300 postos de carros elétricos no espaço de seis meses.

A denúncia é feita pela UVE – Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos que revela a sua “profunda preocupação com a crescente ocorrência de furtos e atos de vandalismo sobre cabos de carregamento em Postos de Carregamento de Veículos Elétricos (PCVE), registados em várias regiões do país”.

Estes incidentes estão a criar “sérios constrangimentos para os utilizadores, comprometendo a confiança na rede pública de carregamento, causando prejuízos significativos aos OPC (Operadores de Pontos de Carregamento) e colocando em causa o esforço coletivo da transição energética e descarbonização da mobilidade”.

Em condições normais de funcionamento, os equipamentos operam mais de 12 mil horas por mês.

O impacto financeiro para os operadores atinge mais de um milhão de euros por mês “agravado ainda pelos custos de reposição e pelas dificuldades logísticas de restabelecimento do serviço, o que demonstra a gravidade do problema, e reforça a urgência de medidas eficazes de prevenção e resposta”.

A UVE alerta também que “esta situação representa um grave risco de redução do investimento no setor da mobilidade elétrica. A instabilidade e insegurança associadas ao vandalismo e furto de componentes críticos podem levar os operadores e investidores privados a adiar ou redimensionar projetos de expansão da rede, prejudicando o crescimento da infraestrutura e, consequentemente, o ritmo de adoção dos veículos elétricos em Portugal”.

A associação defende que “deve ser equacionado o enquadramento destes atos de sabotagem e furto como crimes contra infraestruturas críticas, com o consequente agravamento das molduras penais aplicáveis. Apenas desta forma será possível criar um efeito dissuasor robusto perante este fenómeno que, de forma reiterada, tem afetado o normal funcionamento da rede”.

Assim, a UVE defende que deve ser “estudado um programa urgente de apoio às infraestruturas de carregamento” com dois eixos:

“1. Medidas preventivas e de segurança adicional – apoio à implementação de soluções de reforço da proteção física e eletrónica dos equipamentos, como sistemas de monitorização, alarmes, sensores e revestimentos anti-corte, iluminação reforçada ou dispositivos de bloqueio dos cabos, entre outros, com vista a mitigar os efeitos dos furtos e atos de vandalismo.

2. Incentivo à rápida recuperação dos equipamentos afetados – criação de um mecanismo de compensação para os operadores que assegure a reparação e reposição do serviço em prazos reduzidos, premiando a eficiência e a capacidade de resposta, de modo a minimizar o impacto para os utilizadores e para a rede no seu conjunto.”

 


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