Manifesto considera que investimento do Governo em hidrogénio é “aventura” em que o país não pode embarcar

O grupo composto por mais de 30 especialistas considera que não existe uma “racionalidade económica” para realizar um investimento na produção de hidrogénio. “O país não pode mais uma vez embarcar numa aventura como a Estratégia do Hidrogénio, que absorverá uma parte significativa dos recursos”, apelam.

Nasa – Unsplash

Cerca de 30 personalidades da área de Economia, Gestão e Engenharia subscrevem um documento fortemente crítico da aposta do Governo no hidrogénio, lembrando a falta de maturidade da tecnologia, os custos que o país já teve com a subsidiação das renováveis e a falta de apoio à população portuguesa que se encontra em estado de pobreza.

Num manifesto enviado, esta quinta-feira às redações, os assinantes afirmam ser contra a aposta do Governo no hidrogénio, considerando que “o país não pode mais uma vez embarcar numa aventura como a estratégia do hidrogénio, que absorverá uma parte significativa dos recursos, financiando projetos sem rentabilidade”.

Governo vai financiar até 40 milhões de euros projetos de hidrogénio verde

O conjunto de redatores pede que sejam realizados ” investimentos produtivos”, nomeadamente nas exportações, e que “promovam a modernização e dinamização da estrutura produtiva ou infraestruturas estratégicas”. Desta forma, Portugal poderá reduzir a pobreza no país “e evitar que continuemos a caminhar para a cauda da União Europeia”.

“Só com projetos viáveis, competitivos, com uma adequado equilíbrio no financiamento e na partilha de riscos entre os fundos públicos afetos ao projeto e o investimento privado, que aumentem a competitividade no sector dos bens transacionáveis se poderá aumentar a nossa taxa de crescimento potencial, garantir empregos bem remunerados e fomentar a coesão económica e social”, lê-se no documento.

O manifesto chega um dia depois do Governo ter anunciado um investimento de 40 milhões de euros em projetos de hidrogénio. Segundo João Galamba, que anunciou a medida, esta quarta-feira via comunicado, Portugal apresenta “condições únicas” com os “recursos certos” e “alta competitividade” para liderar a transição energética na Europa e para produzir hidrogénio verde na Europa.

O grupo salienta que não existe “racionalidade económica” para investir “na produção de hidrogénio” pelo menos nos próximos 10 a 15 anos.

“Não podemos repetir o maior erro na introdução maciça das renováveis na década dos anos 2000 que foi o investimento em tecnologias que ainda estavam imaturas. Entrar na economia do hidrogénio em força como o Governo pretende é repetir, com custos ainda mais elevados, esse erro”, concluem.

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