Manuel Alegre, Pedro Nuno Santos e Duarte Cordeiro. Ana Gomes soma apoios na ala mais à esquerda do PS

Governantes, deputados, ex-dirigentes e militantes históricos juntam-se à lista de apoiantes da ex-eurodeputada socialista Ana Gomes, por se recusarem a apoiar uma candidatura presidencial de direita. Maioria dos apoios vem da ala mais à esquerda do PS.

EP2018

Com a direção do Partido Socialista (PS) a dar liberdade de voto aos seus eleitores e militantes nas eleições presidenciais de janeiro, vários membros da ala mais à esquerda do partido já vieram anunciar o apoio à ex-eurodeputada socialista Ana Gomes. Entre os apoios recebidos constam governantes, deputados, ex-dirigentes e militantes históricos, que se recusam a apoiar uma candidatura presidencial de direita.

Tal como já era esperado, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, foi um dos primeiros socialistas a manifestar apoio a Ana Gomes, assim que a Comissão Nacional do PS apresentou as orientações para as presidenciais. O ministro demarcou-se do ponto de vista ideológico do atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, criticando a sua “centralidade” política, que considera ser um fator de “instabilidade”.

No Governo, também o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, veio apoiar Ana Gomes. “Votarei na candidata presidencial Ana Gomes”, escreveu numa publicação no Facebook, defendendo que essa “será uma candidatura progressista, humanista, ambientalista, de defesa da liberdade, pelo combate às desigualdades e de convergência no combate à extrema direita, à xenofobia, ao reacionarismo e ao conservadorismo”.

Quem também esperou que o partido se manifestasse para se chegar à frente no apoio a Ana Gomes foi o dirigente histórico Manuel Alegre. Em declarações ao jornal “Público”, Manuel Alegre explicou que apoia a ex-eurodeputada  “pela sua coragem, pela sua brilhante carreira profissional, pelo seu excecional contributo à causa de Timor-Leste, pelo rigor e desassombro com que desempenhou as funções de eurodeputada, pela frontalidade com que tem lutado pela causa da transparência, contra a promiscuidade entre negócios e política”.

O deputado e líder da concelhia do PS/Porto Tiago Barbosa Ribeiro foi outro dos socialistas que veio juntar-se à lista de apoiantes de Ana Gomes, considerando que estas eleições tratam de “política e não de personalidades”. “[Ana Gomes] nem sempre teve razão, como acontece a todos, mas teve-a nos momentos fundamentais de um já longo percurso e projeta valores alinhados com o campo da esquerda plural”, defendeu, no Facebook.

A candidatura de Ana Gomes já contava com alguns apoios dentro do PS, como o antigo líder parlamentar e ex-eurodeputado socialista Francisco Assis, e do líder da tendência minoritária dentro da Comissão Política do PS, Daniel Adrião. Também o ex-candidato presidencial e antigo deputado eleito pelo PS Henrique Neto considera que é uma candidatura “potencialmente vencedora” e Paulo Pedroso, ex-ministro do PS (que entretanto se desfiliou do partido) escreveu no Twitter que “há muito tempo” que “não via o líder da extrema-direita tão nervoso”.

Fora do partido, Ana Gomes já recebeu também o apoio do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), que destacou a diplomata e ex-eurodeputada como uma candidata “forte e independente” e a única que é “progressista, humanista, europeísta” e “vai ao encontro dos valores do PAN e sente a emergência climática que vivemos e também as preocupações dos nossos jovens”.

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