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Marcelo Capitão: “Não faz sentido não haver harmonização de regras da poupança e do investimento”

“Para a competitividade da União Europeia é fundamental estimular a poupança e, simultaneamente, dar as condições para que essa poupança possa ser aplicada também no espaço europeu, ao invés de ser – como acontece – canalizada para mercados como o americano”, defende o responsável da Corum.
8 Novembro 2025, 10h00

Marcelo Capitão é diretor da Corum Portugal que gere fundos imobiliários que investem em imóveis comerciais (como grandes superfícies) e em que os particulares podem investir. Por isso ambicionam ser uma alternativa aos depósitos a prazo na Europa, numa altura em que a Comissão Europeia prepara a União da Poupança e Investimento – para melhorar a forma como o sistema financeiro da UE canaliza as poupanças para investimentos produtivos, e para ampliar as fontes de financiamento disponíveis para as empresas e os cidadãos.

A este propósito Marcelo Capitão considera que “não faz sentido termos uma zona monetária comum e depois não haver harmonização de regras quer na poupança quer no investimento”. Defende que “para a competitividade da União Europeia é fundamental estimular a poupança e, simultaneamente, dar as condições para que essa poupança possa ser aplicada também no espaço europeu, ao invés de ser – como acontece – canalizada para mercados como o americano”.

O responsável pela Corum em Portugal considera “fundamental que sendo um espaço único, também o seja em termos de Poupança e Investimento, harmonizando regras e anulando barreiras fiscais que constituem um dos principais obstáculos”.

Marcelo Capitão considera que os fundos da Corum são uma alternativa europeia aos depósitos a prazo “tendo em conta que são produtos de poupança que apresentam consistentemente ao longo dos anos boas taxas de rentabilidade e que remuneram mensalmente os seus acionistas”. Qualquer um de nós pode ser acionista já que o valor mínimo de investimento que “inclui as taxas aplicáveis e a comissão de subscrição” é de 195 euros por ação no Corum XL; de 1.135 euros no Corum Origin; e 215 euros no Corum Eurion, este último um fundo ESG.

“Os fundos da Corum comercializados em Portugal, apresentam uma taxa interna de rentabilidade (TIR) que varia entre os 4,15% a 5 anos do Corum XL e os 6,74% de TIR a 10 anos no caso do Corum Origin. O terceiro fundo que disponibilizamos no nosso mercado, o Corum Eurion, tem uma TIR de 6,36% a 5 anos”, revela.

“Os pequenos aforradores podem também optar por subscrições mensais por débito direto de frações de valores que acumulados se traduzem na aquisição de ações dos diversos fundos. O pagamento de dividendos é mensal, sendo que, sempre que existem transações de ativos (associados a mais valias) geram um dividendo extraordinário também pago aos acionistas dos fundos”, explica que o gestor que lembra que em França (a Corum Investments é francesa) o tempo de permanência nestes fundos é superior a 25 anos em média.

Parece atraente, mas apesar de ser uma forma de investimento que os portugueses conhecem bem – o imobiliário – “o facto de serem fundos, cria de imediato alguma desconfiança no aforrador, não fazendo diferença entre as várias tipologias de fundos que existem e que têm perfis de risco e exposições a diferentes tipos de ativos”, reconhece o gestor.

A Corum tinha anunciado que os seus fundos imobiliários iam ser distribuídos nos balcões dos bancos. No entanto ainda não acontece. Marcelo Capitão explica que “É um processo que tem sido complexo, dada a especificidade dos nossos fundos, mas continuamos apostados em disponibilizar aos portugueses esta forma de poupança no canal bancário”.

A Corum tem sob gestão cerca de 9,5 mil milhões de euros nas suas duas tipologias de fundos: imobiliário e obrigações.
“Tendo em conta que os fundos estão disponíveis nos diversos mercados onde estamos presentes, neste momento o número de acionistas já ultrapassa os 140 mil. Em Portugal, onde estamos desde 2019, temos vindo sistematicamente a crescer de forma consistente”, revela ao Jornal Económico Marcelo Capitão. São fundos que investem só em imobiliário comercial de grande dimensão já com arrendatário incluído. Mais de 95% dos ativos estão ocupados e os arrendatários são empresas consideradas sólidas.

Questionado sobre se admitem investir em Data Centers disse que “a estratégia de investimento da Corum é agnóstica nos diversos setores. O fundamental é avaliar o preço, rentabilidade e garantia no médio longo prazo desse retorno”.

A gestão é 100% Corum, contando para tal com sete escritórios na Europa, explica este fã de Warren Buffett que se revê na máxima “não poupes o que sobra depois de gastares, mas gasta o que sobra depois de poupares”.

Os fundos imobiliários da Corum distinguem-se dos outros fundos imobiliários tradicionais. São fundos “apresentam uma estratégia de diversificação geográfica e setorial, de modo a reduzir o risco potencial do investimento”, explica o responsável pelo mercado português.

Os fundos Corum Origin e Corum XL, geridos pela Corum, fecharam setembro com quatro aquisições de imóveis em França, Irlanda e Reino Unido, totalizando um investimento de 228 milhões de euros. “Em Portugal detemos 20 imóveis e estamos permanentemente a analisar o mercado”, diz o gestor.

“Os fundos imobiliários da Corum oferecem em Portugal uma forma de poupança que tem décadas em França, um país com tradição na poupança”, sublinha o gestor. Marcelo Capitão é da opinião que há alguns fatores que contribuem para uma “pobre diversificação” da poupança em Portugal. “Em primeiro lugar é o conservadorismo que nos caracteriza. Somos, neste momento, uma sociedade que tem aversão ao risco. Por outro lado, a iliteracia financeira subsiste, sendo o desconhecimento das alternativas também um fator de bloqueio”.


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