Marcelo Rebelo de Sousa anuncia que vai propor renovação do Estado de Emergência até 1 de maio

Comunicação do Chefe de Estado aos portugueses mostra que as medidas de contenção irão continuar e abre caminho a uma terceira renovação até 17 de maio. “Temos de garantir uma evolução que se traduza não só numa redução do número de novos casos como também no decréscimo no número absoluto de casos”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou que “tem formado a convicção” de que irá propor a renovação do Estado de Emergência até 1 de maio, apesar de a próxima apresentação da situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal só estar marcada para a próxima quarta-feira. Numa comunicação televisiva aos portugueses, o Chefe de Estado admitiu ainda que “temos de estar suficientemente realistas” para a possibilidade de que essa não seja a última prorrogação, tal como o primeiro-ministro António Costa admitira na quarta-feira a líderes de partidos políticos e foi noticiado pelo Jornal Económico.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que “temos que estar muito focados num combate que ainda não está totalmente ganho”, considerando que os últimos dados de evolução da pandemia de Covid-19 em Portugal mostram que “estamos a caminhar para o meio da segunda fase do combate” e que ainda persiste muita incerteza. “Se queremos abrir perspectivas relativamente a maio quanto ao ano letivo e a outros setores de atividade económica e social temos de garantir uma evolução que se traduza não só numa redução do número de novos casos como também no decréscimo no número absoluto de casos”, disse.

Referindo-se aos últimos dados divulgados pela Direção-Geral de Saúde (DGS), que apontaram para “uma quase duplicação em relação aos últimos dias”, Marcelo Rebelo de Sousa recordou o que disse aquando da primeira prorrogação do Estado de Emergência. Nomeadamente que os “portugueses deviam estar preparados para ver o numero de infetados subir”, antecipando na altura que no dia 17 poderia haver 20 ou 30 mil atingidos pela pandemia, nomeadamente devido ao aumento do número de testes nos lares de terceira idade.

Em sentido contrário, o Chefe de Estado salientou que felizmente a proporção entre casos detetados e internados não tem subido, tal como a proporção entre o total de internados e o de necessitados de cuidados intensivos. Nesta sexta-feira, segundo os dados da DGS, já havia 15.472 casos confirmados em Portugal, dos quais 1.179 estão em internamentos, com 226 de entre estes últimos nas unidades de cuidados intensivos.

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