Mariana Mortágua acusa André Ventura de estar “comprometido até ao pescoço” com negócios obscuros da banca

A deputada do Bloco de Esquerda aproveitou o anúncio de que o partido vai aprovar todas as propostas de inquérito parlamentar ao Novo Banco, incluindo a do Chega, para defender a necessidade de se investigar todas as “influências e obscuros interesses privados” nos partidos e acusar André Ventura de ser “um político do pior que o sistema tem”.

Cristina Bernardo

O Bloco de Esquerda (BE) anunciou esta sexta-feira que vai votar a favor de todas as propostas de criação de comissão de inquérito, incluindo a do Chega, que se propõe a investigar o financiamento de campanhas políticas pelo Grupo Espírito Santo (GES). Para o BE, é preciso investigar todas as “influências e obscuros interesses privados” nos partidos, incluindo no Chega de André Ventura, que classificam como “um político do pior que o sistema tem”.

“Queremos investigar influências e obscuros interesses privados nos partidos políticos. Além do passado, vamos aproveitar para investigar e conhecer melhor os negócios dos dirigentes do Chega e a origem do financiamento do seu partido. Façamos já essa investigação”, instou a deputada bloquista Mariana Mortágua, na discussão sobre as propostas de criação de uma comissão de inquérito ao Novo Banco, na Assembleia da República.

Em cima da mesa estavam quatro propostas de inquérito parlamentar, apresentadas pelo Chega, BE, Partido Socialista (PS) e Iniciativa Liberal.

A proposta do Chega, a que se referia Mariana Mortágua em específico, tem como objetivo “averiguar sobre o financiamento ilícito de todas as campanhas eleitorais onde eventualmente surjam ligações ao BES/GES, bem como escrutinar e avaliar as operações de alienação de ativos desenvolvidas pelo Novo Banco e as linhas de crédito concedidas, assim como a idoneidade dos seus destinatários e contrapartes negociais”.

Sublinhando que o BE vai votar a favor de todas as propostas de criação de comissão de inquérito apresentadas, Mariana Mortágua afirmou que a investigação ao financiamento ilícito no Chega poderia começar a ser feito e apontou vários nomes de dirigente e ex-dirigentes do Chega com ligações a negócios ruinosos na banca.

“Façamos já a investigação. E pouparemos a Assembleia da Republica a uma comissão de inquérito futura e pouparemos também o país das aldrabices de um partido comprometido até ao pescoço com os negócios mais obscuros da elite financeira e económica”, instou Mariana Mortágua, sublinhando que André Ventura “não é só um político do sistema; é um político do pior que o sistema tem”.

Mariana Mortágua referiu, a título de exemplo, o nome de Salvador de Andrade, que foi “administrador da ex-imobiliária do BES, onde é colega de José Maria Ricciardi”, e que “até há bem pouco tempo” era vice-presidente do Chega. Recentemente, referiu a deputada bloquista, foi “gabar-se para a revisão ‘Visão’ de financiar o Chega”.

O mesmo acontece, segundo Mariana Mortágua, com Pedro Pessanha, dirigente do Chega/Lisboa, que “assessorou vários negócios do ex-BES Angola (BESA)”, hoje conhecido como Banco Económico, e com Francisco Cruz Martins, “ligado aos escândalos do Banif, Vale do Lobo, Panama Papers e negócios com a elite angolana”, que veio assumir publicamente que “participa e mobiliza os seus contactos para ‘luxuosas almoçaradas’ de angariação de apoios e fundos para o Chega”.

Ler mais
Relacionadas

Novo Banco. IL diz que “trabalhadores são as vítimas mais ignoradas deste circo”

João Cotrim Figueiredo, deputado da Iniciativa Liberal, pretende uma comissão de inquérito parlamentar para dissipar as dúvidas que pairam sobre o Novo Banco, que penalizam a gestão, reputação e trabalhadores do banco. E ataca o Governo, que diz que “mentiu sobre consequências financeiras” da venda do banco.

Ventura quer “investigação sem fim, sem necessidade de bodes expiatórios, mas sem medo” na CPI ao Novo Banco

O deputado do Chega! voltou a realçar a necessidade de investigar “quem, de que forma e como recebeu dinheiro do antigo Banco Espírito Santo para financiar campanhas eleitorais”, assim como o processo de resolução do BES e o papel do supervisor.

BE insiste em ver auto-avaliação do Banco de Portugal à sua atuação no BES

Mariana Mortágua, deputada do BE, afirmou esta manhã que a proposta do partido para uma comissão de inquérito parlamentar sobre o Novo Banco pretende “apurar responsabilidades”, nomeadamente do Banco de Portugal, que “não pode continuar a esconder o relatório que analisa a sua própria intervenção no BES”.
Recomendadas

Bancos australianos dizem que têm muito dinheiro

“Há toda essa liquidez a fluir e eu não tenho muita utilização produtiva para ela, porque as pessoas não a querem”, afirma Shayne Elliott, CEO do ANZ Bank.

Fidelidade mantém cobertura dos custos de internamento na segunda vaga de Covid-19

A Fidelidade mantém assim a cobertura dos custos nesta segunda vaga de Covid-19. “Após as notícias que têm sido difundidas nos últimos dias, o grupo segurador líder em Portugal vem desta forma reafirmar o compromisso com os seus clientes de assumir a cobertura integral dos custos de internamento em caso de infeção por Covid-19”, diz a seguradora.

BdP conclui reforma legislativa que lhe dá poder para inibir provisoriamente votos de um acionista qualificado

É a verdadeira reforma da lei bancária o anteprojecto que o Banco de Portugal leva a consulta pública. Num trabalho coordenado por Máximo dos Santos, o supervisor propõe proibir que bancos realizem operações com entidades em países não cooperantes; obriga à transparência das estruturas de participação dos grupos; obriga à garantia que as filiais ou sucursais sejam autossuficientes em liquidez; e dá poder de inibição provisória de voto e determinação de venda de participações qualificadas.
Comentários