PremiumMário Nogueira: “A ‘geringonça’ não funcionou para os professores”

O secretário-geral da Fenprof admite que a lógica política se impôs à resolução dos problemas da classe. E aponta falta de coerência ao PS por ter reposto tempo integral de serviço nos Açores e apoiar a medida na Madeira.

O secretário-geral da Fenprof ainda tinha esperança de que partidos de direita e de esquerda se unissem nesta sexta-feira, apesar da ameaça de demissão do Governo se fosse aprovada a reposição integral do tempo de serviço dos professores. Cenário reconhecido como improvável ao Jornal Económico por quem promete continuar a lutar pelos nove anos, quatro meses e dois dias.

O PCP e o BE não ouviram o seu apelo para aprovarem as propostas do PSD e do CDS que impõem condições para a recuperação do tempo de serviço pelos professores. Perdeu-se a oportunidadede um compromisso histórico?

Foi um apelo de dez organizações sindicais, numa carta aberta assinada por mim, em nome da Fenprof, e mais nove colegas. Na perspetiva dos que estão mais à esquerda existe desilusão maior em relação aos partidos mais à esquerda, e se calhar entre os que estão mais à direita haverá em relação aos outros. Já ouvi colegas dizerem que não percebem porque é que o PSD e o CDS insistem em manter os critérios quando são a primeira coisa que põem em cima da mesa em qualquer negociação. Se de facto se pretende que os nove anos, quatro meses e dois dias fiquem registados em lei, com os dois anos, nove meses e 18 dias agora resolvidos, e depois a negociação dos outros seis e meio, é absolutamente irrelevante estarem lá as condições.

Houve falta de realismo? 

Por vezes existe a ideia de que é melhor quando estas coisas ocorram próximo de eleições, e prova-se hoje que é pior, porque outras lógicas acabam por interferir nas decisões dos partidos. Não querem perder votos nem deputados, pelo que as posições de princípios acabam por tornar-se mais inflexíveis. Percebo as posições de princípios à esquerda, à direita e até percebo as do PS – querem limpar o tempo aos professores e não podem, o que até os mói um bocado. Se pudessem, era o que fariam.

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