Mário Vaz: “O 5G em Portugal ainda não tem um ‘business case’ que o justifique”

“Não temos de ter receio. Estaremos seguramente preparados na data que tal se justificar, mas não devemos olhar para o 5G apenas nessa ótica de calendário”, defende o CEO da Vodafone Portugal.

Na semana em que a Vodafone Portugal apresentou os resultados referentes ao segundo trimestre do ano, o primeiro trimestre do ano fiscal 2018/2019, Mário Vaz,  CEO da empresa, fala ao Jornal Económico do mercado das telecomunicações, da iminente convergência do sector com os media, da chegada da tecnologia 5G e da necessidade de existir cooperação e coinvestimento no sector das telecomunicações.

Que avaliação faz da situação atual do mercado das telecomunicações em Portugal?

O mercado das telecomunicações em Portugal, mas também na Europa, está a atravessar uma fase de transição. Primeiro, é preciso comprovar quanto este sector das telecomunicações é estratégico e estrutural no de­senvolvimento da economia, num momento em que tanto se fala de economia digital, onde as telecomunicações têm um papel essencial. Nesse contexto, quer na vertente de utilização pessoal, quer na vertente empresarial, tem-se visto o crescimento muito acentuado de utilização, que não tem necessariamente reflexo no ponto de vista do valor do mercado como um todo.

No mercado das telecomunicações na Europa, pela sua fragmentação e pela pressão competitiva existente nos outros mercados tem-se vindo a assistir a valores relativamente estáveis ou até de decréscimo, de que o mercado português é exemplo – os últimos dados da Anacom referentes ao último trimestre do ano passado dizem que em 2017 o mercado das telecomunicações em Portugal estava a decrescer, mas o retalho cresceu 1%. O que quer dizer que há uma crescente utilização dos serviços de telecomunicações, mas isso não tem tido reflexo no que diz respeito ao crescimento do sector como um todo em termos do seu valor. O que naturalmente traz grandes desafios para os operadores a nível europeu, mas pela própria evolução das cotações bolsistas porque atravessamos, neste momento, uma evolução onde se antecipa já a chegada do 5G a partir de 2020, de acordo com os mandados europeus e depois pela sua estabilidade 2020-2025. O que quer dizer que há investimentos expressivos de poder chegar a curto e médio-prazo sem que ainda se tenha tirado partido daquilo que foram os fortes investimentos nas redes móveis, mas também é importante realçar que os investimentos em telecomunicações neste sector têm passado muito pela componente fixa no caso português: nós investimos praticamente mil milhões de euros nos últimos anos para podermos disponibilizar uma rede de última geração de fibra aos nossos clientes.

Defende que o roll out da tecnologia 5G deve ser feito quando o mercado assim o exigir. Como se manifesta essa exigência e quando considera que acontecerá?

O 5G, do ponto de vista tecnológico é bastante complexo e está ainda numa fase de abertura. Mesmo do ponto de vista standard haverá coisas a determinar e haverá coisas num âmbito da sua solução que irão ser definidas, mas do ponto de vista tecnológico não temos de ter nenhum receio. Já se sabe que aí vem, é inevitável, até há um calendário entre 2020 e 2025 e os fornecedores da tecnologia estão a trabalhar nos standards para disponibilizar o hardware para que isso aconteça. Nós já estamos neste momento a alocar grande parte do investimento que fazemos em rede para ser 5G Ready – nós temos uma rede 5G Ready – seja na vertente core, seja na vertente rádio, tudo o que é possível fazer antecipando aquilo que é a tecnologia 5G está a ser feito. Temos também um conforto, que é saber de que nós [o sector] temos excelentes engenheiros de telecomunicações em Portugal e os grandes fornecedores também estão cá em Portugal, interessados seguramente em fazer negócio com um operador português e nós temos excelentes engenheiros e, por isso, do ponto de vista tecnológico o 5G vai acontecer.

O que é importante para o 5G é que haja um ecossistema e que haja um modelo de negócio associado. E a verdade é que hoje o 5G não tem nenhum business case que o justifique. É preciso começar a trabalhar nisso, porque hoje ele está a ser promovido quer pela vertente de inovação tecnológica quer até pela agenda política. E o que é importante é que ele seja motivado pela necessidade em função de modelos de negócio que tragam valor acrescentado e, acima de tudo, como é nosso caso específico em Portugal, que traga competitividade para o país.

É nesse contexto que nós lançámos o 5G, porque sabemos que vai acontecer, sabendo-se que, à data de hoje, o 5G é também a forma mais eficiente futura de disponibilizar dados móveis e de fazer face àquilo que vai ser esgotado pela capacidade das redes atuais 4G e 4,5G. É essencial começar a pensar que negócio é que se vai fazer à volta do 5G. Tendo esta vantagem de que o que o 5G traz já hoje pode ser feito no 4G e no 4,5G, vamos começar a trabalhar e explorar essa oportunidade de negócio, porque o 5G, e as telecomunicações, é instrumental e é essencial para a competitividade do país e para a economia  digital e para a indústria 4.0.

Portugal tem de tirar partido daquilo que é um ativo excelente que nós temos: a nossa liderança, somos realmente um dos melhores países europeus e do mundo no que diz respeito às telecomunicações.

A partir de 2020, Portugal estará preparado para o 5G?

Do ponto de vista tecnológico não temos de ter receio. Estaremos seguramente preparados na data que tal se justificar, mas não devemos olhar para o 5G apenas nessa ótica de calendário, de pôr a bandeira para dizer que temos o 5G.

O que é essencial é que o país diga que nós já precisamos do 5G, porque esse é que é o momento ideal, o momento de que o 5G é útil para as pessoas, para as empresas e útil para a economia portuguesa e para a competitividade nacional, e nisso, sinceramente, não estamos lá. Estamos longe de estar lá, porque o que já temos hoje é suficiente para garantir níveis de competitividade para o país, dinâmica inovadora – ainda há muito para oferecer no LTE [Long Term Evolution, ou evolução de longo prazo]. Temos é que ir explorando o mais possível, acelerando o mais possível o potencial do 4G para fazer a transição para o 5G.

Considera que há margem para a consolidação no mercado português?

A nível europeu, houve alturas de tendências de movimentação de consolidação. Recentemente, a Vodafone investiu 18,4 mil milhões de euros em ativos fixos na Liberty [Seguros] em mercados onde nós não tínhamos oferta fixa. É um investimento no contexto de convergência de serviços, coisa que em Portugal começámos em 2012 e fizemo-lo do ponto de vista orgânico. Em Portugal, não vejo oportunidades para consolidação acrescida. Temos pouco mais de três operadores, alguns mais concentrados do ponto de vista geográfico, ou do ponto de vista de segmento de mercado, e três operadores com uma presença multissectorial de dimensão nacional. Não vejo que essa consolidação venha a ter lugar, nem vejo que haja necessidade dela existir.

Há quem defenda essa convergência com outros sectores. Como é que olha para esse futuro? Faz sentido a convergência com os media ou o 5G e a capacidade que vai oferecer é o futuro do mercado?

A convergência nos serviços de telecomunicações é uma realidade crescente no nosso mercado e também na Europa. A convergência de serviços fixos, incluindo nestes Internet de alta velocidade fixa, Internet móvel, televisão – começámos no 3P e hoje já vamos no 5P -, é uma realidade. É aí que nós nos focamos, na experiência do cliente: uma experiência diferenciada, oferecendo as melhores redes móveis, a melhor rede fixa, os conteúdos que os clientes querem usar, onde quiserem usar. E é isto que faz a ponte com a nossa perspetiva de convergência entre media e telecom. Sempre defendemos que os conteúdos devem ser universais, os conteúdos devem ter outra abrangência do ponto de vista do público, motivado pelo próprio interesse do conteúdo. É o conteúdo que determina a dimensão do interesse desse público.

O mercado português, a meu ver, não tem escala para que se faça essa convergência e eu acho que não seria bom nem para o setor das telecomunicações nem para o setor dos media, no que diz respeito a um mercado com a dimensão do português e que é relativamente reduzido a players de conteúdos portugueses. Sobre a nossa posição em Portugal, tivemos esse caso, recentemente, da Media Capital e do Grupo Altice e nós sempre dissemos que não seria bom para Portugal, sobretudo pela questão da pluralidade que tem a ver com a própria democracia na componente informativa e depois naquilo que era o impacto com o sector das telecomunicações, respeitando as regras da concorrência.

Como avalia o desempenho do regulador nos últimos tempos, olhando para o mercado, para o sector, tendo em conta o particular caso da Media Capital-Altice e a atuação da Anacom?

No caso Media Capital, os três reguladores tiveram a atitude esperada e que do nosso ponto de vista era a única decisão possível, que era o chumbo daquela operação. A Anacom fez logo um parecer, que apesar de ser apenas um parecer era contra essa aquisição. A ERC teve uma decisão que era definitiva em outubro do ano passado e era aí que a nosso ver o processo deveria ter terminado. Mais tarde, a Autoridade da Concorrência, que já veio depois da decisão dos próprios intervenientes do negócio deixarem cair o mesmo, também seria contra o que tudo isto traria para a concorrência, quer para os media quer para as telecomunicações. No que diz respeito aos reguladores, houve uma lição a tirar: é que não podemos ter reguladores fragilizados, porque, a qualquer momento, o regulador tem de tomar decisões e o mercado não será devidamente regulado se ele estiver fragilizado, e o regulador estava realmente fragilizado. No que diz respeito à Anacom, não gosto de avaliar o desempenho antes do final do mandato, e com a agravante de que a totalidade da constituição do conselho de administração é recente. Estamos a oito meses da totalidade do exercício do conselho de administração da Anacom e por isso esperarei por essa altura.

Mas as terminações é uma decisão com um impacto incrível?

Essa é uma decisão onde nós fomos contactados e nesse caso não tenho razões de queixa pela forma como a decisão foi anunciada. Mas tenho críticas sobre o conteúdo da decisão e sobre a oportunidade e a profundidade da mesma. Oportunidade, porque a justificação para que Portugal passe a ser o segundo país da Europa com terminações mais baixas – nós éramos o nono e estávamos abaixo da média europeia com os anteriores valores – tem a ver com a competitividade, com os reflexos desta redução para os consumidores finais e a verdade é que nada disto é sustentado pelos próprios números. Depois, há uma razão que eu não percebo, enquanto português. É que o valor das chamadas terminadas é o valor que é pago por todos os operadores quando entregam chamadas em Portugal. O que quer dizer que nós vamos receber menos e vamos continuar a pagar valores muito mais elevados.

As licenças sobre conteúdos desportivos têm sido foco de disputa entre empresas de telecomunicações em diversos mercados e Portugal não é exceção. Como vê a entrada de um novo player, a Eleven Sports, no mercado?

A minha resposta é dada na ótica da Vodafone e não como acionista da Sport TV. O que nós queremos é dar os conteúdos aos nossos clientes e sabemos que o futebol é, naturalmente, um conteúdo que eles querem e, por isso, nós estamos abertos a qualquer player que chegue ao mercado português com conteúdos que os clientes queiram ver.

Confirma que a Vodafone está em negociações com a Nowo?

Sim, é público. A Nowo endereçou aos demais operadores uma proposta e nós estamos numa fase de análise, ainda sem conclusão.

Voltando ao 5G. O secretário de Estado das Infraestruturas afirmou numa entrevista ao Jornal Económico que tem passado aos operadores uma mensagem de partilha. Como tem encarado a Vodafone essa mensagem? O que está disposta a partilhar e se é desta, com o 5G, que virá essa partilha?

Eu fico satisfeito de ouvir o secretário de Estado passar uma mensagem que a Vodafone há muito defende, a partilha. Faz todo o sentido e a partilha não põe em causa a diferenciação, a inovação dos serviços e a concorrência no mercado.

Nós andamos a pregar no deserto muitos anos sobre essa necessidade no que respeitava a redes fixas e se há alguém que pode apresentar créditos de solução de ir à procura de coinvestimento é a Vodafone.

No 5G mais do que coinvestimento, falo em cooperação. Acho que é essencial a cooperação, que vai muito para além de apenas sectorial das telecomunicações.

Aquilo que estará na mente do secretário de Estado no que diz respeito a coinvestimento nesta componente do 5G é preciso concretizar um pouco melhor. O que é que estamos a falar, o que é que isso significa? Estamos abertos e podem sempre contar com a Vodafone em soluções de coinvestimento, quando elas fazem sentido para o país, tornando os investimentos mais eficientes. Podem sempre contar com a Vodafone, mas vamos esperar.

 

As necessidades de investimento no 5G são idênticas às que houve com o 4G?

É um bocado difícil a esta data antecipar. Por exemplo do ponto de vista de espectro estamos a falar de muitas frequências e com potenciais completamente diferentes.

O que sabemos e aquilo que é importante e que já estamos a fazer, porque nós investimos nos últimos anos muito na nossa rede, é garantir que o máximo de elementos seja agnóstico à tecnologia.

Por exemplo, o 5G traz investimentos por si em atena: as antenas do 5G que nós há pouco tempo já utilizámos no Rock in Rio Lisboa, por exemplo, como já tínhamos feito uma experiência preliminar na Altice Arena. Do ponto de vista de antenas há uma tecnologia nova que vai ter de ser introduzida nos sites. O número de sites, em particular nos centros urbanos vai ter de aumentar de forma expressiva, mas já não será, provavelmente, com a mesma expressão que foi no 2G, 3G ou no 4G. Esta é outra configuração.

Agora são sempre níveis de investimento expressivos, mas desse ponto de vista este é um sector de fortes investimentos. Muitas vezes nem sequer é compreendido por quem está de fora e às vezes até pelo poder político que olha muito bem para a margem antes de olhar para aquilo que são os investimentos, as amortizações e depreciações que nós temos. Enfim, acabamos por ter margens muito reduzidas, pelos esforços de investimentos muito reduzidos. E é um ciclo que nunca termina.

Quando estávamos muito bem no 2G, veio o 3G que não teve retorno – enfim, não se recuperou o investimento -, depois veio o 4G e agora já aí está o 5G.

Já teve alguma indicação sobre o leilão de frequências?

Ainda não, Mas tenho reafirmado a mensagem que sempre referi: acho que há aqui uma visão consistente da relevância das telecomunicações pelo papel que as telecomunicações têm de ter no país e para a competitividade do país e é dessa forma que o Governo tem de olhar para o 5G. Tem de olhar por aquilo que foi o esforço que fizemos para garantir que os portugueses tivessem melhor utilização de redes de nova geração fixa e móvel, o investimento que fizemos e relativamente não recuperamos – bem longe disso.

E há o esforço adicional que aí vem e a importância que isso pode ter para o país. É que há uma decisão a tomar: se é a decisão de curto prazo ou a decisão de longo prazo. Se é uma decisão conjuntural ou estrutural. Se os leilões tiverem um valor expressivo, o investimento vai ser muito reduzido. O lençol tem as suas dimensões e destapa-se de um lado para tapar o outro, mas esperemos que isso não venha a acontecer.

Também considera que existe o risco de os leilões servirem para, indiretamente, financiar o regulador?

No caso dos leilões, o financiamento vai direto para o Estado. O que eu espero é que não seja utilizado, pelo largo espectro que o 5G implica, como uma forma de ganhar taxas acrescidas, porque acrescentar taxas às muitas que já hoje temos será, claramente, penalizante para o sector. E se é penalizante para o sector, é penalizante para o país.

Se houver uma visão de curto-prazo de ir buscar ao leilão verbas para fazer face a alguma necessidade premente orçamental, resolve-se um problema de curto-prazo mas cria-se um problema de longo-prazo para o país e, por isso, outros buracos orçamentais virão no futuro, por falta de competitividade do país e por falta de investimento em infraestrutura essencial para as telecomunicações.

Mas mais uma vez, estou confiante que não será esse o caso. O leilão não pode ser visto como um aproveitamento ou como uma forma de tapar algum buraco que as contas do Ministério das Finanças mostrem no Excell, do ponto de vista orçamental.

O sector das telecomunicações tem sido usado para tapar várias células de Excell porque quando foi o 4G, o investimento feito à cabeça pressuponha um determinado nível de esforço em taxas, que depois sofreram aumentos ao longo do tempo. É um dos problemas que nós temos, que é a previsibilidade regulatória e fiscal. Enfim, é um dos problemas do país que algum dia terá de ser resolvido.

E em relação à rede. No quadro das recomendações da Anacom relativamente aos incêndios falou-se em enterrar uma parte da rede. No caso da Vodafone, quantos quilómetros de rede vão enterrar e quando?Já foi definida a utilização das condutas da IP?

O que resultou desse infortúnio nacional, que foram os incêndios, foi a conclusão de que havia infraestruturas das Infraestruturas de Portugal (IP)que estavam disponíveis e que deveriam ser utilizadas pelos operadores detrimento de outro tipo de infraestruturas.

O que nós sempre referimos é que sempre que há condutas disponíveis, nós naturalemente utilizamos essas conduta. A verdade é que até esse infortúnio não estava ainda fechado as condições de acesso às mesmas.

Há operadoras a concorrer com base no preço, qual é a sua opinião? Há o risco de esmagar as margens ao ponto de dificultar a rentabilidade?

O mercado português das telecomunicações desde sempre se distinguiu pela sua enorme competitividade, sendo o preço apenas uma das variáveis que contribuem para esta dinâmica. A Vodafone sempre teve a capacidade de competir e de ultrapassar os desafios colocados, quer pelo mercado como um todo, como pelos players de forma individual.

Sobre os resultados da empresa: nos últimos trimestres, a Vodafone Portugal foi a única operadora a ganhar quota de mercado. Como é que tem conseguido isto? Estão a captar novos clientes? 

Para a Vodafone, conquistar quota de mercado não é um objetivo de per se. É, sim, o reflexo de uma estratégia sólida, de aposta na convergência, de investimento na área fixa, de modernização da nossa rede móvel, e de foco total no Cliente e na sua satisfação. Os últimos resultados mostram que continuamos a crescer, no negócio fixo, a dois dígitos, sendo há quatro anos o Operador que mais cresce, em termos líquidos, na televisão por subscrição. Esta é uma estratégia de sucesso, que é visível nos resultados.

E a nível de custos operacionais, estão a reduzir?

Não revelamos números. Os resultados de crescimento do EBITDA refletem, por um lado, o aumento das Receitas de Serviços, e por outro, a eficiência de custos, nomeadamente por via do potencial resultante do digital e da escala adquirida no negócio fixo, a qual numa fase inicial de lançamento, é mais penalizadora na linha de custo.

Mas no móvel desceram um pouco?
Sim, mas nós olhamos para um todo. No móvel caímos um bocadinho mas já estamos estáveis. Fomos o operador que mais cresceu na componente fixa. Isto demonstra que o que pusemos em plano há uns anos atrás teve felizmente o suporte e o apoio do acionista para investir em Portugal. No ano anterior já tínhamos regressado ao crescimento das receitas, consolidamos e isso permitiu-nos ganhar quota de mercado.

Eu prefiro ganhar e crescer, mas num mercado que cresça como um todo. É um bom sinal para o país e acho que é um bom sinal para este sector estratégico. Não foi assim, porque crescemos mas crescemos num mercado em decréscimo e isso quer dizer que alguém teve aqui uma performance menos boa e que este é um sector que precisa de se dinamizar e crescer mais.

Sobre este trimestre a única coisa que posso dizer é que ele reflete mais uma vez a nossa assertividade, a nossa estratégia, o esforço e a excelência desta equipa.

O impacto da descida dos preços das terminações móveis já se fez sentir?

Neste trimestre não houve efeitos anormais do ponto de vista regulatório que influenciem os números.

Quais os objetivos para este ano?

São objetivos de crescimento. Em primeiro lugar, no balanço e não querendo desviar-me da questão financeira, para nós, é uma estratégia muito clara e de diferenciação pelo nível de serviço que oferecemos aos nossos clientes e, por isso, o balanço do ano passado e o balanço deste trimestre e a estratégia para este ano continua a ser a mesma da liderança pela satisfação dos clientes. E isso, felizmente, é provado por todos os inquéritos que acompanhamos mensalmente. Pela liderança que temos no que diz respeito à utilização das nossas redes – a nossa rede móvel tem liderado todos os prémios de todas as entidades independentes que fazem testes e colocam quer a rede móvel, quer a rede fixa, a liderança da Vodafone e essa é uma estratégia para continuar.

Muito gostaria que este crescimento estivesse assente no crescimento total do sector das telecomunicações em Portugal.

Poderá o valor de receitas de mil milhões de euros registado no ano fiscal de 2017 ser repetido ou superado?

Há vários factores que levam que as percentagens sejam alteradas de um ano para o outro, com algumas variações. O importante é que haja uma tendência de crescimento e depois há o que não posso revelar, que são os planos e o que nos comprometemos com os nossos accionistas.

Nós tivemos por parte do nosso accionista o comprometimento e a solidariedade pela nossa estratégia no nível de investimento em Portugal. Enfim, foram bem mais do que mil milhões a serem investidos aqui em Portugal, nos últimos anos, em concorrência com muitos outros mercados da Vodafone.

Sabe que os meus colegas olham para mim um pouco de lado, porque o investimento que veio para aqui não foi para outros mercados. Esse investimento tem de ser pago, ou seja, para os accionistas e esse esforço sempre, sem pôr em causa, a competitividade da nossa oferta e acima de tudo a satisfação dos nosso clientes, temos esse compromisso com os accionistas e por isso esta estratégia de continuar activos suficientes para este nível de investimento que estamos a fazer, já não naturalmente ao mesmo nível que fizemos no passado, com critérios conjunturais e que teve muito a ver com o investimento que fizemos no fixo e na modernização móvel. Mas continua a ser muito expressivo e comprometido com país.