Matteo Salvini vai fazer campanha por André Ventura em Lisboa e Fátima

Presidente do Chega obteve garantia do líder da oposição italiana num encontro em Florença. André Ventura espera contar com ajuda de figuras da família política Identidade e Democracia, a mais à direita do Parlamento Europeu, na missão de disputar a segunda volta das presidenciais com Marcelo Rebelo de Sousa.

D.R.

O líder da oposição italiana, Matteo Salvini, vai entrar na campanha presidencial de André Ventura, deslocando-se a Portugal durante duas ou três dias na última semana de novembro. Essa participação, que foi acertada no encontro que o presidente do Chega manteve com o homólogo da Liga nesta quinta-feira, em Florença, implicará uma arruada no Chiado, em Lisboa, e ainda uma visita dos dois políticos, ambos católicos devotos, ao santuário de Fátima.

A viagem de André Ventura a Itália inscreveu-se na procura de apoios internacionais para o Chega e para a sua candidatura à Presidência da República, nomeadamente junto dos partidos da família política Identidade e Democracia, que é a mais à direita do Parlamento Europeu. Matteo Salvini garantiu na sua conta de Twitter, onde tem 1,3 milhões de seguidores, partilhando uma fotografia com o congénere português, que entre os seus partidos existe “sintonia quanto ao trabalho, às pensões, à imigração, à segurança e à defesa da Europa face ao extremismo islâmico, pelo que será um prazer trabalharmos juntos”.

Matteo Salvini foi vice-primeiro-ministro e ministro do Interior entre 2018 e 2019, mas rompeu a coligação da Liga com o Movimento 5 Estrelas, visando a realização das eleições antecipadas para as quais as sondagens atribuíam vantagem ao bloco de direita formado pela Liga, pelos Irmãos de Itália e pela Força Itália, do antigo primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. A moção de censura que apresentou contra o seu próprio governo conduziu à demissão do primeiro-ministro Giuseppe Conte, mas este acabou por manter-se em funções graças a um acordo entre o Movimento 5 Estrelas e o Partido Democrático, de centro-esquerda.

Ainda não está confirmado que Ventura possa contar com uma ajuda semelhante de Marine Le Pen, também líder da oposição em França, cujo partido Reunião Nacional (ex-Frente Nacional) é outro dos mais poderosos da Identidade e Democracia. No entanto, deverá haver a confirmação do encontro entre os dois políticos na próxima semana, que ficará marcados pela segunda Convenção Nacional do Chega. O evento, que decorre a 19 e 20 de setembro, em Évora, com uma manifestação a percorrer as ruas da cidade alentejana na sexta-feira anterior, definirá os novos órgãos nacionais, após a reeleição do líder e fundador em eleições diretas, sem opositor e com 99,4% dos votos.

Além das presidenciais de janeiro de 2021, nas quais André Ventura assumiu o objetivo de forçar Marcelo Rebelo de Sousa a disputar consigo a segunda volta – tendo prometido que abandonará o cargo se a ex-eurodeputada socialista Ana Gomes, que lançou a sua candidatura na quinta-feira, o ultrapassar em número de votos -, a Convenção Nacional deverá servir para preparar outros desafios eleitorais. A 25 de outubro realizam-se as eleições para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, existindo o objetivo de obter um ou mais deputados, nas maiores ilhas do arquipélago ou através do círculo de compensação que junta os votos que não permitiram eleger ninguém em cada uma das ilhas.

Já para setembro ou outubro de 2021 ficam as autárquicas, encaradas como um teste à implantação do partido, visto que o Chega só teve 1,29% nas legislativas de 2019, com 67.826 votos, elegendo apenas Ventura, que era cabeça de lista pelo círculo de Lisboa. Desde então, o partido beneficiou do protagonismo do seu líder, subindo nas intenções de voto para cerca de 7%, estando apenas atrás de PS, PSD e Bloco de Esquerda. Aquando da sua recondução na liderança, o presidente e fundador disse que tem o objetivo de ser a terceira força política portuguesa nas próximas eleições legislativas.

 

 

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