Máximo dos Santos acredita que é possível melhorar a formação financeira dos portugueses apesar da complexidade de alguns produtos

A complexidade atual de muitos produtos e serviços financeiros pode ser um obstáculo à literacia financeira, mas o vice-governador do BdP defende que a importância da promoção da literacia financeira e que esta seja intensificada.

Luís Máximo dos Santos

O Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (CNSF) e o Ministério da Educação assinaram esta segunda-feira um protocolo de cooperação com vista a reforçar a parceria existente entre os supervisores financeiros e o Governo e desta forma promover a educação financeira em contexto educativo e formativo.

O CNSF promove entre hoje e o próximo dia 29 de outubro a Semana da Formação Financeira 2021, com o lema “10 anos em que Todos Contam!”, assinalando uma década de atividade do Plano Nacional de Formação Financeira (PNFF).

No discurso na sessão solene da Semana da Formação Financeira, o vice-governador, Luís Máximo dos Santos, lembrou que “desde há muito que o Banco de Portugal reconhece a grande importância da literacia financeira para o desenvolvimento e a estabilidade do sistema financeiro e, consequentemente, para o desenvolvimento económico do país, procurando ser coerente na sua ação com esse reconhecimento”.

O protocolo que o CNSF assinou com o Ministério da Educação “é mais um passo na direção certa, tendo em vista a prossecução deste objetivo comum”, realça Luís Máximo dos Santos.

Com efeito, seja enquanto parceiro no âmbito do CNSF, seja atuando por sua iniciativa exclusiva, “o Banco de Portugal tem realizado múltiplas iniciativas e alocado consideráveis recursos à promoção da literacia financeira, em geral, e da literacia financeira digital, em particular, objetivos que se encontram, de resto, inscritos no seu Plano Estratégico para 2021-2025”.

No entanto, diz Máximo dos Santos, “importa reconhecer que neste tema o papel das escolas é central e decisivo. Por isso, a promoção da educação financeira nas escolas é um elemento central do PNFF, desde o seu início, em 2011”.

“Ora, os progressos verificados nesse contexto são inegáveis, como o demonstram os resultados muito positivos obtidos, em 2018, no PISA – Programme for International Student Assessement, em que Portugal participou pela primeira vez no módulo da literacia financeira”.

“A promoção da literacia financeira, nas suas múltiplas vertentes, precisa – hoje como amanhã – de ser intensificada, pois é uma tarefa contínua, que nunca está concluída”, defendeu o vice-governador.

Máximo dos Santos admite que “alguns podem ver nesse objetivo alguma dimensão utópica, dada a complexidade atual de muitos produtos e serviços financeiros”.

“Claro que existem limites à formação financeira dos cidadãos em geral e é por isso mesmo que a atuação das instituições financeiras (em particular a dos bancos) nas suas relações com os clientes é hoje tão regulada. Tal facto, porém, só torna a promoção da literacia financeira mais importante (e não menos), pois para que os clientes façam as perguntas certas é preciso que sejam razoavelmente conhecedores e estejam bem informados”, destacou o responsável do Banco de Portugal.

Máximo dos Santos reafirmou “o pleno compromisso e empenho do Banco de Portugal em contribuir decisivamente para a prossecução do objetivo comum de continuamente melhorarmos a formação financeira dos portugueses”.

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