Máximo dos Santos: “Quanto mais dependentes do turismo mais afetadas serão as economias”

“Uma economia forte precisa de um sector financeiro sólido, mas as relações entre ambos são, evidentemente, de influência mútua. A regulação visa justamente contribuir para que essa solidez seja alcançada”, disse o vice-governador do Banco de Portugal no Fórum da Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting .

António Cotrim / Lusa

O vice-governador do Banco de Portugal, Luís Máximo dos Santos, alertou que “quanto mais dependentes do turismo mais afetadas serão as economias” durante o Fórum ALF, que se realizou nesta terça-feira, 25 de maio, em formato online, num painel subordinado ao tema “Os Desafios da Supervisão e o Anteprojeto de Código da Atividade Bancária”.

“O tema do Fórum ALF – a recuperação da economia portuguesa – não podia ser mais oportuno e pertinente.  De facto, o nosso futuro coletivo está bastante dependente do que formos capazes de fazer, enquanto sociedade, para recuperarmos a nossa economia dos diversos choques que a pandemia lhe causou”, começou por afirmar Luís Máximo dos Santos.

Na opinião do vice-governador, “para alcançar esse objetivo é fundamental mobilizar as instituições públicas e privadas em torno desse propósito comum, envolver o nosso tecido empresarial e as pessoas, designadamente através das estruturas associativas e representativas, tanto no plano social, económico e do conhecimento, como da cidadania em geral”.

“Uma economia forte precisa de um sector financeiro sólido, mas as relações entre ambos são, evidentemente, de influência mútua. A regulação visa justamente contribuir para que essa solidez seja alcançada”, disse Máximo dos Santos.

O vice-governador do Banco de Portugal invocou a necessidade de “abertura de espírito de uma forma participada e envolvente” para evitar “erros do passado”.

“Não podemos ter medo de existir, na famosa expressão do filósofo José Gil, nem tão pouco ter medo que os outros existam. Temos de ser ousados e corajosos, pois as soluções para este tempo não serão iguais às de nenhum outro. Quantas barreiras já foram ultrapassadas desde que a urgência da pandemia se impôs? Quantas verdades julgadas indiscutíveis foram já postas em causa?”, questionou.

A pandemia acentuou muitas das desigualdades económicas e sociais existentes e criou outras, lembrou adiantando que a evolução positiva da pandemia em Portugal e o avanço a bom ritmo do processo de vacinação “dão-nos mais esperança, mas não nos eliminam, em definitivo, ao menos por ora, a incerteza sobre quando poderemos dizer que a pandemia estará controlada”.

Máximo dos Santos antevê que a pandemia vai gerar “novos padrões de comportamento por parte dos consumidores e isso é muito importante para a economia em geral e o sector financeiro em particular”.

“Quanto mais dependentes do turismo mais afetadas serão as economias, pois começa a emergir um consenso de que a retoma do turismo se fará a ritmo bem mais lento do que outras atividades afetadas pela pandemia”, alertou o vice-governador do Banco de Portugal.

“O processo de transformação digital foi e continuará a ser estimulado por este inesperado acontecimento. Mas, noutro plano, temos visto também que alguma disrupção na importação de produtos de alta tecnologia está a dificultar o crescimento da produção industrial em diversos países”, constata o responsável da entidade de supervisão.

“Por tudo isto, talvez não seja exagerado dizer que do pós-pandemia vai emergir uma nova realidade económica quanto à tipologia dos problemas, à natureza e profundidade das assimetrias, às prioridades dos consumidores, à valorização da poupança e à visão sobre o comércio internacional. Consequentemente, vai ser preciso também uma nova visão sobre as políticas económicas e a combinação dos seus diferentes instrumentos”, disse.

“A economia não vai ficar igual e o setor financeiro vai ter de se adaptar a esse movimento, que acresce aos abalos intensos que já estava a sofrer”, lembrou, acrescentando que “o sector do crédito especializado tem aqui um importante papel a desempenhar, designadamente pelo conhecimento que tem dos clientes e pela mais-valia que é a relação de proximidade que com eles estabelece”.

A Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting (ALF), liderada por Alexandre Santos, foi a anfitriã do fórum subordinado ao tema “Leasing, Factoring e Renting – Recuperação da Economia Portuguesa”, que contou também com a participação do ministro do Planeamento, Nelson de Souza; do secretário de Estado das Finanças, João Nuno Mendes; do professor da Nova SBE – Universidade Nova de Lisboa Pedro Brinca; do presidente da Fundação Europeia Leaseurope, Patrick Beselaere; e do secretário-geral da Associação do Comércio Automóvel de Portugal, Hélder Pedro,.

 

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