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Médio Oriente pode perder até 38 milhões de turistas em 2026 devido a conflito

A Tourism Economics estima que as chegadas ao Médio Oriente possam diminuir entre 11% e 27% em relação a 2025 devido à escalada da guerra dos EUA e Israel com o Irão.
@Pixabay
6 Março 2026, 09h08

O setor do turismo no Médio Oriente enfrenta um revés abrupto em 2026 devido ao escalamento do conflito envolvendo o Irão, segundo novas análises da Tourism Economics, unidade da Oxford Economics.

Antes da escalada da violência, a região esperava um crescimento robusto de dois dígitos no número de chegadas internacionais. No entanto, a consultora apresenta agora dois cenários — ambos apontando para uma forte recessão do turismo.

No cenário mais otimista, com resolução do conflito em poucas semanas, as chegadas internacionais cairiam cerca de 11% em relação ao ano anterior, o que representa aproximadamente 23 milhões de visitantes a menos e uma perda estimada de 34 mil milhões de dólares em receitas turísticas.

Se o conflito se prolongar por cerca de dois meses, as perdas seriam muito mais graves. As chegadas poderiam cair 27%, traduzindo-se em 38 milhões de visitantes perdidos e 56 mil milhões de dólares em receitas turísticas não realizadas.

Os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) seriam os mais afetados em números absolutos, devido à sua dimensão e dependência do tráfego aéreo. Porém, as quedas percentuais podem ser ainda mais acentuadas em mercados não-GCC que se esperava recuperassem fortemente este ano. Israel e Irão, epicentros do conflito, enfrentam reviravoltas especialmente severas, com perspetivas de recuperação comprometidas.

A consultora aponta dois fatores principais para estas quedas: interrupção operacional e enfraquecimento da confiança dos viajantes. As restrições incluem o encerramento de espaços aéreos e cancelamentos de voos, limitando significativamente o acesso à região. Mesmo após a reabertura do espaço aéreo, as companhias aéreas deverão priorizar a repatriação de passageiros, atrasando a normalização das ligações.

Além disso, a perceção de insegurança terá impacto prolongado. Mesmo em conflitos curtos, a confiança nos destinos deverá permanecer baixa durante o segundo trimestre, com recuperação gradual a seguir. Em cenários mais longos, o receio de novas escaladas poderá travar reservas durante grande parte do ano.

Destinos não diretamente envolvidos no conflito, como os países GCC e a Jordânia, sentirão efeitos devido a preocupações de segurança e perceção de risco, apesar de infraestruturas intactas. A rapidez da recuperação depende da duração das hostilidades.

A Tourism Economics sublinha ainda o papel estratégico da região na aviação global, com hubs que funcionam como pontos de trânsito entre Europa, Ásia-Pacífico e América do Norte. A redistribuição de voos, o aumento dos custos de combustível e a redução da capacidade poderão pressionar os preços e impactar as reservas futuras.

O estudo evidencia como a instabilidade geopolítica pode inverter rapidamente trajetórias de crescimento, com perdas significativas moldadas tanto pela operação logística quanto pela confiança dos viajantes.

Fonte: Tourism Economics, Oxford Economics, 2026.


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