Melhoria da formação de marítimos permitiria atrair mais navios e empresas para Portugal, defende EISAP

O secretário-geral da EISAP sublinha que o ensino em Portugal na área dos marítimos não está ao nível de outros países. Nuno Mendão sublinha que as escolas com oferta letiva na área deveriam apostar mais na formação em inglês. Com uma melhor formação, e conteúdos em inglês, poderiam estar reunidas as condições para atrair mais empresas do setor para Portugal.

A European International Shipowners of Portugal (EISAP) diz que o ensino em Portugal não está ao nível de outros países na formação de marítimos. O secretário-geral, Nuno Mendão, diz que o país tem cerca de 616 navios registados no Registo Internacional de Navios (MAR) no final de 2020, com cerca de 10.500 tripulantes a bordo. “Apenas 3% desses tripulantes são portugueses. Porque Portugal não consegue oferecer produzir marítimos suficientes de qualidade”, reforça.

“Este é um dos pontos de oportunidade do país que não está relacionado com o MAR. Portugal deveria olhar para isto. A EISAP tem tentado dar os seus contributos e chamar a atenção para isto. Isto exige um trabalho político que vai além do MAR. Perceber que há aqui oportunidades para criar um mercado de trabalho para portugueses, a bordo de navios de carga e de cruzeiro também. Neste momento temos hotéis fechados, a indústria dos cruzeiros também abrandou. Aquilo que ganham em terra ganham três ou quatro vezes mais a bordo de um navio de cruzeiro. Mas isto exige uma formação adaptada para saber trabalhar a bordo de um navio. Há uma grande oportunidade para Portugal investir na formação e na produção de marítimos para a indústria de transporte marítimo de carga”, explica Nuno Mendão.

O secretário-geral sublinha que se Portugal conseguisse cumprir esse objetivo, poderia levar a que muitas companhias “começassem eventualmente, em vez de contratar outras nacionalidades, começassem a contratar portugueses. Isto seria um incentivo para que começassem a deslocar as suas operações, a sede das suas operações, e o seu quadro de pessoal, para Portugal”, reforça.

“E isto faria com que aumentasse o registo das companhias em Portugal, porque iriam ter no quadro do MAR, e no quadro da lei do toonage tax, que é uma lei que pretende incentivar os navios e os tripulantes a registar as suas companhias cá, a contratar pessoas cá”, sublinha o secretário-geral da EISAP.

EISAP pede mais formação na área marítimas e aposta na língua inglesa

A EISAP pede mais formação na área marítima e também um maior investimento das escolas, com oferta letiva nestas áreas, em inglês. Atingindo isto, Nuno Mendão, diz que mais empresas estariam disponíveis a deslocalizar as suas empresas para Portugal.

“Aumentar a nossa oferta enquanto país de profissionais para navios de cargos e por essa via fazer com que as companhias venham contratar cá mais pessoas, e perceberem por essa via que têm mais benefícios em sediar cá as suas empresas do que tê-las noutros países. Nos navios de cruzeiros a EISAP não tem tantos associados, mas é também uma área de oportunidade que nós queremos trabalhar, expandir o nosso número de membros dentro de outras companhias com navios de cruzeiro. Mas para isso é preciso investir na formação, em conseguir formar marítimos de nível mundial para que eles sejam atrativos para as companhias internacionais”, sublinha.

Nuno Mendão sublinha que por exemplo na escola náutica são “muitíssimo poucas” as cadeiras no curso que são lecionadas em inglês. “É impensável numa indústria mundial estarmos a formar profissionais e termos pouquíssimas aulas a serem lecionadas em inglês. Faria sentido que tudo fosse dado em inglês para formar os profissionais desde o início na adoção, na agilidade, com a língua inglesa, que é a língua internacional da indústria”, vinca o secretário-geral da EISAP.

EISAP quer mais navios e empresas registados em Portugal

Nuno Mendão diz que a EISAP tem trabalhado juntamente com a Associação de Armadores Nacionais, da qual é membro associado, em ações que ajudem a promover a bandeira nacional juntos de outros mercados.

“Não faz sentido ter uma companhia internacional que regista o seu navio cá e nós não estarmos simultaneamente a conseguir atrai-la para registar a sua companhia cá, pagar cá os seus impostos sobre os rendimentos que tiver enquanto companhia, ter contribuições para a Segurança Social, contratando marítimos nacionais, contribuindo assim para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, etc… É claramente algo que tem de ser desenvolvido, mas acho que estamos no bom caminho”, salienta.

Consulte a edição do Económico Madeira, de 12 de fevereiro.

 

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