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Mercado europeu de gás natural viu preço disparar mas Julius Baer antevê regresso aos 30 euros

Os preços do gás natural na Europa dispararam nos últimos dias, subindo de menos de 30 euros para quase 40 euros. O Julius Baer mantém uma visão cautelosa, prevendo que os preços voltem a cair para menos de 30 euros em breve.
19 Janeiro 2026, 21h14

O mercado europeu de gás natural registou um aumento significativo dos preços, passando de menos de 30 euros para quase 40 euros por MWh. Esta subida foi influenciada pelas preocupações com a escassez de oferta devido ao frio no início do ano e a interrupções temporárias nos terminais de exportação dos EUA, mas a intensidade é atribuída principalmente à realização de lucros e à cobertura de posições curtas num mercado anteriormente pessimista.

Quem o diz é Norbert Rücker, Head Economics and Next Generation Research do Julius Baer.

O Julius Baer mantém uma visão cautelosa, prevendo que os preços voltem a cair para menos de 30 euros em breve, uma vez que os fundamentos subjacentes, incluindo o amplo fornecimento de GNL e o aumento da capacidade de energia solar, permanecem sólidos.

Num research o Julius Baer diz que “o mercado europeu do gás natural está a sofrer um aumento acentuado dos preços, o que gera preocupações sobre os potenciais riscos de abastecimento. Os níveis de armazenamento estão, de facto, abaixo da média, mas este défice não diminuiu muito desde o início da época de aquecimento. É importante realçar que, com as interrupções nos terminais de exportação dos EUA aparentemente resolvidas, a Europa deverá conseguir atrair importações suficientes para manter os seus stocks abastecidos”.

“A intensidade do aumento dos preços dos últimos dias aponta para uma onda de realização de lucros no mercado de futuros, principalmente porque o sentimento era bastante pessimista anteriormente. Com o cenário geral inalterado e a onda de oferta de gás natural liquefeito (GNL) ainda a ganhar força, mantemos a nossa visão cautelosa e prevemos que os preços desçam abaixo dos 30 euros no curto prazo”, defende o analista.

Embora o aumento repentino dos preços, que passaram, nos últimos dias, de menos de 30 euros para quase 40 euros, não esteja relacionado com a geopolítica nem com os acontecimentos na Venezuela ou no Irão, os acontecimentos parecem apontar para preocupações crescentes com a escassez de oferta.

Os stocks de gás natural na Europa, especialmente no noroeste, incluindo a Alemanha, estavam abaixo da média do ano passado no início da época de aquecimento. A vaga de frio do início do ano aumentou ainda mais o défice, o que aparentemente desencadeou uma reacção nos preços.

No entanto, acrescenta o analista, a tendência sazonal de queda dos stocks até ao momento mantém-se em grande parte dentro da normalidade e não indica um aperto acentuado.

“Os stocks continuam a ser geralmente mais abundantes na Europa e prevê-se que acabem por ajudar a colmatar o défice na Alemanha e em França”, defende.

Apesar de as interrupções nos terminais de gás natural liquefeito (GNL) dos EUA terem aumentado as preocupações na Europa, estas interrupções foram em grande parte revertidas entretanto.

“Fundamentalmente, temos dificuldade em identificar riscos significativos de abastecimento para a Europa. Os preços elevados de hoje aceleram o equilíbrio do mercado, atraindo ainda mais importações marítimas e, em parte, restringindo a geração de energia a gás natural e aumentando a geração de energia a carvão”, refere Norbert Rücker.

Com a expansão substancial da capacidade das centrais solares nos últimos anos, a procura de gás natural proveniente destas centrais começa a diminuir cada vez mais cedo com a chegada da primavera, encurtando o período de declínio dos stocks durante o inverno, explica o analista.

“O panorama geral mantém-se inalterado. O fornecimento de gás natural por via marítima é amplo, dado que mais terminais de exportação entrarão em funcionamento ainda este ano. Isto deverá pressionar os preços de volta para abaixo dos 30 euros”, defende o Julius Baer.

“É claro que o clima de inverno continua a ser a incógnita a observar por enquanto. A intensidade do pico de preço sugere que os fluxos dominam os fundamentais. O humor do mercado tem sido excecionalmente pessimista e a força inicial dos preços foi provavelmente amplificada pela cobertura de posições curtas no mercado de futuros. Os últimos dias parecem uma pausa para a realização de lucros, o que abalou os preços. Os próximos meses deverão ser novamente marcados pela pressão do GNL sobre os preços. Mantemos a nossa visão cautelosa e posição curta”, defende o banco focado exclusivamente na gestão de fortunas e no private banking.


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