Alice do outro lado do espelho? Lewis Carroll anda por aqui? Poderia acontecer, até porque os universos oníricos do autor britânico e da artista Inês Galvão se tocam. Dizemos nós. Silêncio e Forma – título da exposição patente no Centro Cultural de Cascais até ao dia 19 de outubro – reúne 27 obras realizadas em acrílico sobre papel, tela e colagem, onde formas orgânicas e figuras híbridas emergem do espaço entre o real e o imaginado.
Neste convite à contemplação e também à descoberta do mundo que habita cada tela, redescobrimos a capacidade de nos surpreender, estranhar. Neste exercício, somos donos da construção de sentido. Aliás, desde a invenção da escrita até aos smartphones que o ser humano exterioriza a memória e o conhecimento em ferramentas. A tela é, sem dúvida, uma ferramenta. E o que nela é plasmado pode, além de questionar o nosso tempo, servir para dizer quem somos.
Será nesse espaço mental, imagético, que habitarão as figuras e formas oníricas que tanto invocam o corpo humano, como insinuam a silhueta de plantas ou animais. Desacelerar é o mote, num processo criativo que privilegia a escuta, o gesto e o instinto. E aceitar o silêncio. “Há momentos em que tudo se cala. É aí, no intervalo entre o ruído e o meu mundo, que surgem estas formas”, escreve Inês Galvão, referindo-se à sua prática artística.
A exposição insere-se na programação do Bairro dos Museus, uma iniciativa promovida pela Fundação D. Luís I, em articulação com a Câmara Municipal de Cascais. Fica o convite para acompanhar os seres que habitam “Silêncio e Forma” com vagar e generosidade. Até 19 de outubro.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com