Mesmo sem auditoria, Novo Banco recebeu mais 850 milhões de euros em apoios do Estado

Os 850 milhões de euros foram transferidos para o Fundo de Resolução sob a forma de um empréstimo, que injetou 1.037 milhões de euro no Novo Banco. O dinheiro destina-se a compor as contas do Novo Banco de 2019.

António Costa tinha garantido, esta quinta-feira, de que não haveria mais ajudas do Estado enquanto não fossem conhecidos os resultados da auditoria ao Novo Banco. Contudo, de acordo com a notícia avançada pelo “Expresso“, esta sexta-feira, o banco terá recebido mais um empréstimo público no valor de 850 milhões de euros antes do tempo. Esse montante, saíu do Tesouro português para o Fundo de Resolução sob a forma de um empréstimo, que, por sua vez, com a ajuda desse dinheiro, depois injetou 1.037 milhões no Novo Banco.

De acordo com o jornal, a transferência estava prevista desde fevereiro, um facto do qual o primeiro-ministro não teria conhecimento. Em declarações aos jornalistas, esta manhã, no Porto, o primeiro-ministro admitiu que não tinha sido informado, tendo já pedido desculpa ao Bloco de Esquerda pela informação errada transmitida durante o debate quinzenal.

“Não tinha sido informado que, na véspera, o ministério das Finanças tinha procedido a esse pagamento”, assumiu.

A autorização para o financiamento do Fundo de Resolução, que tem a responsabilidade de capitalizar o banco que resultou da resolução do BES, em 2014, foi dada esta quarta-feira, tendo a entidade liderada por Máximo dos Santos adicionado o valor remanescente para as necessidades do Novo Banco depois de um ano de prejuízos de mais de mil milhões.

Relacionadas

Costa assume que não foi informado do pagamento do empréstimo ao Novo Banco

“Não tinha sido informado que, na véspera, o ministério das Finanças tinha procedido a esse pagamento”, assumiu o primeiro-ministro, em declarações aos jornalistas no final de uma iniciativa no Porto.

“É uma operação irresponsável”. PAN critica injeção de 850 milhões de euros pelo Governo no Novo Banco

Para o PAN a verba aplicada no Fundo de Resolução do Novo Banco seria, no atual momento de emergência nacional, melhor empregue para colmatar as “graves consequências” da pandemia.
Recomendadas

Covid põe cheques e levantamentos em dinheiro em mínimo de 20 anos. Compras com cartões em mínimo de 11 anos

Em abril, a redução do uso de cheques rondou os 45% em número e 48% em montante, face ao período homólogo, e as operações com cartões recuaram  42,9% em número e 28,8% em valor. A pandemia trouxe ainda o aumento dos pagamentos contactless e uma quebra dos levantamentos em dinheiro.

Imparidades do Novo Banco desaceleraram depois da venda à Lone Star

O Novo Banco constituiu menos novas imparidades depois da venda à Lone Star. O ano em que o banco constituiu maior volume de imparidades foi em 2017, ano da venda ao fundo norte-americano.

Marques Mendes diz que os quatro contratos da venda do Novo Banco devem ser tornados públicos

“Há pelo menos quatro contratos, quatro documentos contratuais envolvendo o Estado, a União Europeia, a Lone Star e o Fundo de Resolução, e se fosse possível, devia-se torná-los todos públicos.  [Porque] quando há dinheiros públicos, deve ser tornado público. Há quatro contratos e há pelo menos um que é mais importante que o contrato de compra e venda”, disse o comentador político.
Comentários