Metro de Lisboa estuda expansão para Campo de Ourique e Alcântara, mas também para Cruz Quebrada, Sacavém e Loures

O ministro Matos Fernandes revelou hoje as novas linhas de expansão do metro em estudo: de Alcântara até à Cruz Quebrada, de Santa Apolónia até Sacavém e uma entre Odivelas, o Hospital Beatriz Ângelo (Loures), o Infantado e Santo António dos Cavaleiros. Em metro ligeiro, elétrico rápido ou BRT, autocarro rápido, em via dedicada.

Tiago Petinga/Lusa

O ML – Metropolitano de Lisboa está neste momento a estudar quatro linhas de expansão da rede, dentro da cidade de Lisboa, e fora do concelho, para os concelhos vizinhos de Oeiras e de Loures (duas linhas), revelou há minutos João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente, numa audição que está a decorrer na Comissão Parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas.

“Estão a ser feitas todas as avaliações, a solicitação das autarquias, daquilo que devem ser os estudos de procura para as próximas linhas. Uma, muito adiantada, os estudos começaram em paralelo [com os da linha circular], é a expansão da linha vermelha, de São Sebastião para as Amoreiras, Campo de Ourique, Infante Santo, Alcântara, Alto de Santo Amaro”, anunciou o ministro do Ambiente.

Neste projeto de expansão, Matos Fernandes realçou a estação da Infante Santo: “Àqueles que falam hoje da complexidade da empreitada da estação da Estrela, quando ouvirem falar do que vai ser a estação da Infante Santo, vão, de facto, ficar ainda mais preocupados. Aquela diferença de cotas faz desta obra uma obra de engenharia muitíssimo mais complexa do que a obra da estação da Estrela. Obra de engenharia para a qual a engenharia portuguesa tem saber e certamente que dará uma solução. Mas, para aqueles que disseram ‘ai Jesus, a estação da Estrela’, vão ficar mais surpreendidos aqui”, avisou o ministro do Ambiente.

Além da expansão da linha vermelha, dentro da cidade de Lisboa, o Metro de Lisboa está também a estudar três outras linhas para fora do concelho.

“Num protocolo entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Câmara Municipal de Oeiras, está a ser feita uma avaliação da extensão, sempre comparando metro ligeiro, elétrico rápido ou BRT [‘Bus Rapid Transit’, ou sejam, autocarros rápidos, em via dedicada, com ou sem trilhos, possivelmente alimentados a energia elétrica], que vai de Alcântara, Alto de Santo Amaro, Ajuda, Miraflores, Linda-a-Velha e Cruz Quebrada. Uma extensão de dez quilómetros”, revelou Matos Fernandes.

O ministro do Ambiente adiantou ainda que se está a fazer “o mesmo para o concelho de Loures, a partir de Santa Apolónia; Santa Apolónia, Expo, Portela, Sacavém”.

“Também a solicitação da Câmara Municipal de Loures, uma extensão que liga a estação de Odivelas ao Hospital Beatriz Ângelo [em Loures] e liga ao Infantado, passando por Santo António dos Cavaleiros, em forma de U. São cerca de 12 quilómetros”, anunciou o ministro do Ambiente.

“Todos estes trabalhos estão em curso. Aquilo que estamos a fazer não é a tomar decisões, é a fazer estudos rigorosos, com metodologias comparáveis para permitir à Área Metropolitana de Lisboa tomar as decisões que entender por bem tomar, obviamente, sujeitas ao nosso juízo crítico relativamente ao que deve ser a futura expansão do Metro de Lisboa”, explicou João Pedro Matos Fernandes.

Para o ministro do Ambiente, “deve, obviamente, concentrar-se a oferta de transportes onde existe mais procura”.

“É absolutamente fundamental fechar este grande anel circular entre o Cais do Sodré e o Campo Grande. O sítio onde há mais procura e mais contínua ao longo de todo dia, para, depois, com toda a naturalidade, toda a seneridade e toda a informação técnica, promover a expansão de modos de transporte coletivos, radialmente para fora desta área central”, defendeu Matos Fernandes.

A audição ao ministro do Ambiente decorre na sequência de um requerimento apresentado pelo grupo parlamentar do PAN, questionando a opção do Governo em avançar com a linha circular, entre o Rato e o Cais do Sodré, tendo já, na semana passada, decorrido a adjudicação de uma das empreitadas do projeto.

Recorde-se que o projeto da linha circular do Metro de Lisboa tem estado envolta em polémica e mereceu  inclusivamente a oposição da Assembleia da República.

Matos Fernandes foi muito crítico em relação ao requerimento do PAN, considerando-o “muito duvidoso do ponto de vista da honestidade intelectual”, uma vez que, no seu entender, “omite de forma gravíssima o que foi a promulgação da lei do Orçamento do Estado pelo Presidente da República”.

Socorrendo-se do texto assinado por Marcelo Rebelo de Sousa na referida promulgação, Matos Fernandes sublinhou que “a Assembleia da República não suspendeu qualquer decisão administrativa”, garantindo que “não é verdade que a Assembleia da República tenha feito vingar a sua decisão, estranha, de que a linha circular não podia ser feita”.

O ministro do Ambiente referiu ainda que a decisão sobre a linha circular do Metro de Lisboa “é mesmo a última decisão que este Governo decide em relação à Área Metropilitana de Lisboa”.

Para justificar a opção de ir em frente com a linha circular do Metro de Lisboa, Matos Fernandes garantiu que só havia dois projetos comparáveis, em termos de investimento, na casa dos 200 milhões de euros: a extensão de “meia linha vermelha, até Campo de Ourique”, ou o fecho da linha entre o Rato e o Cais do Sodré. E entre estas duas alternativas, os estudos de procura concluíram por uma diferança de dois para um passageiros em favor do último projeto, garantiu o ministro.

“Sendo dentro da cidade de Lisboa, a linha circular é a que melhor serve quem vem de fora de Lisboa, indo ao Cais do Sodré, quem vem de barco da margem sul, e quem vem da linha de Cascais. É porque tem mais gente que aí se deve levar a linha. E acho que a linha de Cascais se deve manter até ao Cais do Sodré”, defendeu Matos Fernandes.

O ministro do Ambiente referiu ainda que para este investimento de cerca de 200 milhões de euros, foi possível cativar financiamento comunitário na ordem dos 83 milhões de euros.

Matos Fernandes faliou ainda de outros investimentos em curso por parte do Metropolitano de Lisboa, na ordem dos 12,5 milhões de euros, desde a remodelação da estação de Arroios, que, apesar dos atrasos, “deverá estar pronta em meados do próximo ano”; da remodelação da estação do Areeiro, que deverá deverá estar concluída em julho; dos novos acessos à estação do Colégio Militar, “que vão concluir-se este mesmo mês”; e das obras na estação dos Olivais, “que já estão concluídas”.

 

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