Milhares manifestaram-se em Paris por uma lei climática mais ambiciosa

Os manifestantes, juntos atrás de uma faixa que dizia “Lei do clima = falência do mandato de cinco anos”, ligavam a zona da República à da Bastilha, em Paris.

Yves Herman/REUTERS

Milhares de pessoas manifestaram-se hoje em Paris por uma lei climática mais ambiciosa, enquanto surgem dúvidas sobre um referendo pretendido pelo Presidente, Emmanuel Macron, para incluir a luta contra as mudanças climáticas na Constituição.

Os manifestantes, juntos atrás de uma faixa que dizia “Lei do clima = falência do mandato de cinco anos”, ligavam a zona da República à da Bastilha, em Paris.

Emmanuel Macron comprometeu-se perante os membros da Convenção dos Cidadãos pelo Clima (CCC) a enviar aos deputados as suas propostas de alteração ao artigo 1.º da Constituição francesa.

Este painel de 150 pessoas, sorteado aleatoriamente, foi criado em 2019 para dar voz aos cidadãos na luta contra as alterações climáticas.

O texto foi aprovado em março pela Assembleia Nacional, a câmara baixa do parlamento onde Emmanuel Macron tem uma grande maioria.

O projeto de lei diz que a França “garante a preservação do meio ambiente e da diversidade biológica e o combate às mudanças climáticas”.

No entanto, a maioria do Senado rejeita o termo “garantias”, que alega conferir à preservação do meio ambiente uma forma de prioridade sobre os demais princípios constitucionais.

Perante a relutância do Senado, dominado pela oposição e que deve começar na segunda-feira com a redação do texto, o Journal du Dimanche afirma que o Presidente renunciou ao escrutínio. O texto deve, de facto, ser votado nos mesmos termos pelas duas câmaras para poder ser submetido a referendo.

Os ambientalistas, partidos de esquerda e sindicatos, que hoje se manifestaram para denunciar “uma reunião perdida para o clima”, viram esta posição como mais uma uma prova do recuo do executivo, que eles denunciam.

“Trata-se de continuar a denunciar a falta de ambição da lei do clima e, desde hoje, o quase certo abandono do referendo, o que constitui mais um passo atrás”, resumiu o manifestante Cyril Dion, que faz parte da Convenção dos Cidadãos pelo Clima.

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