Milhões da Europa começam a chegar este ano para o hidrogénio verde

O Plano de Recuperação e Resiliência vai começar a distribuir apoios já este ano e vai ser lançado um leilão para atribuir apoios. Várias empresas estão já a trabalhar para desenvolver um ‘cluster’ industrial de H2 verde de Sines.

Os milhões da Europa vão começar a chegar para o hidrogénio verde este ano. O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) conta com 185 milhões de euros para apoiar projetos de hidrogénio verde. Com este apoio, o Governo espera atingir uma capacidade de 264 megawatts (MW) até ao final de 2025.

Estão assim previstos três concursos anuais para os projetos se poderem candidatar, com o primeiro a arrancar entre julho e setembro deste ano. Os outros têm vão ter lugar no terceiro trimestre de 2022 e 2023. Entre as regras, nenhum projeto pode levar mais de 15 milhões de euros de apoio, ou 45% do valor total do projeto.

O Governo também pretende lançar este ano um leilão para apoiar a produção de hidrogénio, conforme consta na medida das Grandes Opções 2021-2025, aprovado em meados de abril pelo Conselho de Ministros.

Segundo o documento, o Governo vai continuar a preparação e apresentação da candidatura dos projetos portugueses aos fundos europeus (Projetos Importantes de Interesse Comum Europeu, ou IPCEI na sigla original).

“Estão já identificados inúmeros projetos de produção de hidrogénio verde e outros gases renováveis (ex.: biometano), sendo que os primeiros projetos surgirão no decorrer de 2021, com particular ênfase nos sectores dos transportes e da indústria, ao mesmo tempo que decorrem os trabalhos para a instalação de um cluster industrial de hidrogénio verde em Sines, estando em avaliação a possibilidade da formação de um segundo cluster a norte do país”, segundo o documento.

Um dos projetos que tem merecido maior destaque é o H2 Sines, um consórcio que conta com várias grandes empresas nacionais e parceiros internacionais. O objetivo deste projeto é criar um cluster industrial de produção de hidrogénio verde com base em Sines. Numa primeira fase, o objetivo é instalar um projeto-piloto de 10 megawatts de eletrólise. Depois, até 2030, o projeto poderá “m função de critérios económicos e tecnológicos, evoluir até 1GW de capacidade de eletrólise, suportados, a prazo, por cerca de 1,5GW de capacidade de geração de energia elétrica renovável para alimentação dos eletrolisadores”, segundo o comunicado divulgado em julho de 2020. Este projeto foi um dos 37 que mereceram o parecer positivo do Comité de Admissão de Projetos, que integrou responsáveis de vários ministérios e organismos.

A EDP é precisamente uma das empresas que integra este consórcio e aponta que o projeto se encontra numa “fase de análise e desenvolvimento”. Este consórcio (que conta com a EDP, Galp, REN, Martifer, Vestas e Engie) tem assim trabalhado na “avaliação das oportunidades de desenvolvimento do hidrogénio verde em Sines”, segundo o presidente executivo da EDP. Sobre a candidatura ao IPCEI, “também se aguardam desenvolvimentos”, disse Miguel Stilwell de Andrade. Questionado sobre se a elétrica portuguesa está interessada no leilão, o gestor disse que a “EDP avaliará quando conhecer os detalhes deste processo”.

Por sua vez, a Galp aponta que o “projeto ainda está numa fase inicial para avaliar a viabilidade do projeto”.

“O projeto H2Sines é um dos projetos de grande envergadura avaliados pela Galp, nomeadamente através de parcerias relacionadas com a produção de hidrogénio verde a partir de energias renováveis, tendo em vista a sua associação com a descarbonização de processos industriais e de mobilidade, ou para injeção em gás natural através das redes de distribuição”, sublinhou Susana Quintana-Plaza, administradora da Galp com o pelouro das Renováveis e Novos Negócios.

Sobre o leilão, a gestora da Galp aponta que “está sempre atenta às oportunidades que estejam alinhadas com a estratégia de desenvolvimento do seu portefólio, nomeadamente as que concretizem o objetivo de ter um peso crescente das energias renováveis e que respeitem os princípios de rigorosa disciplina financeira a que aplicamos todos os investimentos da empresa”.

Outras empresas energéticas também estão atentas ao sector do hidrogénio verde e às oportunidades em Portugal.

A Enel Green Power destaca que está à “espera de conhecer em pormenor os mecanismos de apoio que vão existir em Portugal, para perceber quais os projetos poderão seguir em frente”, de acordo com Antonio García Gallego.

Sobre o leilão de hidrogénio, o responsável da empresa italiana sublinhou que a empresa está a analisar a “possibilidade de participar”, mas adianta que vai “esperar para conhecer os detalhes da convocatória, para decidir se ela se adequa estrategicamente na estratégia do hidrogénio verde traçada pelo grupo Enel”.

Já a Akuo aponta que também vai aguardar para saber os “detalhes do processo” para perceber como pode ter um “valor acrescentado”, sinaliza João Macedo.

A Finerge, por seu turno, garante que “não descarta” a hipótese de participar no leilão de hidrogénio verde, mas avisa que terá ainda de “analisar as condições e modalidades”, segundo o presidente executivo da energética, Pedro Norton.

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