[weglot_switcher]

Ministra da Saúde rejeita ter falhado, mas admite “grande tensão” na pasta

Ana Paula Martins garante que não se desviará “um milímetro” daquele que é o seu dever enquanto ministra da Saúde e recusa responder sobre alegado pedido de demissão.
FILIPE AMORIM/LUSA
12 Novembro 2025, 14h15

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, rejeita ter “falhado” no caso da grávida que morreu no Amadora-Sintra, mas admite cumprir o seu dever “sempre debaixo de grande tensão e pressão mediática”.

“Não sinto que tenha falhado, estou a cumprir o meu dever, admito que sempre debaixo de grande tensão e pressão mediática, mas não me desviarei nem um milímetro de cumprir esse dever,  e como toda a gente sabe continuarei aqui a trabalhar todos os dias com o Governo de que faço parte para melhorar a condição de saúde dos portugueses”, disse Ana Paula Martins esta quarta-feira quando questionada pelos jornalistas à margem da Convenção Nacional da Saúde (CNS), onde foi apresentado o Relatório de Avaliação de Desempenho e Impacto do Sistema de Saúde (RADIS).

Interrogada sobre se não deveria ter falado com a família da grávida que morreu no passado dia 31 de outubro, a governante afirmou que “todas as palavras que podia dar, de lamento e de grande consternação, dei-as no dia em que soube da ocorrência”, sendo agora altura de aguardar “serenamente” os resultados dos inquéritos que estão em curso sobre o caso (o do próprio hospital, o da Inspeção-Geral de Atividades em Saúde – IGAS – , e o do Ministério Público).

Numa primeira reação à morte da mulher de 36 anos, a ministra disse que a grávida não estava a ser acompanhada nos cuidados de saúde. Uma informação dada a Ana Paula Martins pelo próprio hospital que, mais tarde, corrigiu. Afinal, a mulher estava a ser acompanhada no centro de saúde de Agualva Cacém desde julho. O caso levou o presidente do conselho de administração, Carlos Sá, a apresentar a demissão, oito meses depois de ter assumido o cargo.

Questionada sobre o alegado pedido de demissão que a própria terá apresentado ao primeiro-ministro, Ana Paula Martins não fez qualquer comentário.

Já sobre as conclusões do RADIS,  a ministra da Saúde assinalou que a dificuldade em aceder a consultas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) é “um problema muito preocupante” que tem “anos de existência”.

“Este novo sistema que estamos a implementar, que vai ter de cobrir todos os hospitais do SNS, vai ajudar-nos muito. Também os protocolos de referenciação dos cuidados de saúde primários para os hospitais, uma vez que até temos cuidados mais integrados com as Unidades Locais de Saúde (ULS) – essa é a grande promessa: termos uma melhoria nos tempos de acesso à primeira consulta”, defendeu a governante.

Quanto aos atrasos na cirurgia na área da oncologia, a ministra da Saúde adiantou que “uma parte grande está concentrada nos institutos de oncologia” e “têm que ver essencialmente com alguns destes doentes não aceitarem – e muito bem – sair daquele instituição e, apesar de tudo, preferirem aguardar”.

Além disso, justificou também Ana Paula Martins, embora se possa “melhor muito nas listas de espera”, a realidade é que “há casos que todos os dias chegam” ao SNS e que acabam por ser “mais prioritários ainda”. O que acaba por fazer aumentar o tempo de espera dos doentes que já estavam em espera que é “superior àquele que gostaríamos que existisse”.

“Isto acontece também porque estamos a aumentar os rastreios”, argumentou ainda Ana Paula Martins.

 

 

 

RELACIONADO

Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.