Ministras prometem aprender “com o que correu menos bem nos lares”, mas ainda esperam por averiguações

Conclusões da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde quanto às mortes em Reguengos de Monsaraz são, segundo Marta Temido, essenciais para que não se discuta “com base em informação contraditória”. Ana Mendes Godinho destacou “grande articulação” com as autarquias e as instituições que detêm os lares no final da audição conjunta na Assembleia da República.

Marta Temido, ministra da Saúde | José Sena Goulão/Lusa

Marta Temido e Ana Mendes Godinho terminaram a sua audição parlamentar conjunta, motivada pelo impacto da Covid-19 nos lares de terceira idade, com garantias de que o Governo irá aprender “com o que correu menos bem”. Perante as críticas quanto à sua atuação, feitas sobretudo pelos deputados do PSD, CDS e PAN, reafirmaram que existiu articulação e planeamento na resposta à pandemia e prometeram que serão divulgadas em breve conclusões sobre as mortes de idosos institucionalizados, nomeadamente no lar de Reguengos de Monsaraz, que motivaram os requerimentos para a presença das duas ministras na Assembleia da República.

A responsável pela pasta da Saúde, que assumiu maior protagonismo ao longo de toda a manhã de quarta-feira, voltou a prometer a divulgação da averiguação que pediu à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), cuja conclusão disse estar para breve, argumentando que “sem os resultados da averiguação estaremos a discutir com base em informação contraditória”.

Garantindo que houve um “esforço de planeamento e elaboração de boas normas atempadamente”, bem como a sua aplicação, Marta Temido argumentou que a proteção dos utentes e funcionários dos lares em contexto pandémico “é um problema bastante complexo e que exige uma mobilização de vários atores, o que complica o resultado independentemente dos meios à disposição”.

“O que podemos garantir é que aprendemos com o que não correu tão bem. Os erros têm de ser escalpelizados e as responsabilidades assumidas”, acrescentou Marta Temido, garantindo que o Ministério da Saúde assumirá responsabilidades, sem deixar de voltar a endereçar iguais responsabilidades às instituições particulares de solidariedade social e privados que gerem os lares.

Segundo a ministra, há que ter uma “perspetiva mais genérica e sistémica”, recorrendo aos modelos de outros países como inspiração, num contexto em que Portugal, tal como todos os países do espaço europeu enfrenta um “envelhecimento demográfico e alteração da estrutura familiar clássica”.

Esse facto também foi destacado por Ana Mendes Godinho, com a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social a destacar que Portugal é o terceiro país europeu com a população mais envelhecida. Garantindo que os lares “têm sido a nossa total prioridade desde março”, a governante destacou o programa de prevenção, com apoio ao financiamento, recursos humanos, acompanhamento técnico e campanhas de informação destinados aos lares de terceira idade. E ainda a “grande articulação com as autarquias e com as instituições, num diálogo permanente”.

Respondendo às críticas de vários deputados das comissões de Saúde e do Trabalho e Segurança Social quanto aos atrasos na resposta à pandemia, Ana Mendes Godinho enumerou as oito mil pessoas colocadas até ao momento junto das estruturas residenciais de terceira idade, o reforço de apoios financeiros num total de 165 milhões de euros, numa linha de crédito com apoio do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social. E os 400 profissionais, entre médicos, enfermeiros, auxiliares e psicólogos, que integram as 18 brigadas de intervenção rápida, disponíveis 24 horas por dia para responder a problemas dos lares.

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