Ministro da Defesa assegura que não existem “movimentos zero” nas Forças Armadas portuguesas

“Só na comunicação social é que vejo essas referências, não o sinto nas Forças Armadas. Essas organizações são praticamente inexistentes e não correspondem à atitude dos nossos militares”, salientou João Gomes Cravinho durante a audição parlamentar conjunta das comissões de Orçamento e Finanças e da Defesa Nacional, esta quarta-feira.

O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, garantiu que “movimentos que se manifestam nas redes sociais e sob anonimato dos seus membros não existem nas Forças Armadas”, durante a audição parlamentar conjunta das comissões de Orçamento e Finanças e da Defesa Nacional sobre o Orçamento de Estado para 2020 (OE 2020), esta quarta-feira, 22 de janeiro.

“Sindicatos e movimentos zero não correspondem minimamente às impressões que vivi nos últimos 15 meses de convivência [desde que foi nomeado ministro no primeiro Governo liderado por António Costa] com as Forças Armadas. Essas organizações são praticamente inexistentes nas Forças Armadas”, afirmou João Gomes Cravinho em resposta à questão colocado pelo deputado do Bloco de Esquerda (BE) João Vasconcelos.

O deputado do BE interpelou o ministro sobre o estatuto dos militares das Forças Armadas, o estado da operação do Arsenal do Alfeite, que serve de estaleiro e base naval militar, e uma alegada crescente reivindicação ao associativismo entre militares, defendendo que a degradação da condição exercício dos militares pode levar à “criação de movimentos zero” nas Forças Armadas. Por isso, o Governo “não pode ficar cego, surdo e mudo”, comentou.

“Só na comunicação social é que vejo essas referências, não o sinto nas Forças Armadas. Essas organizações são praticamente inexistentes e não correspondem à atitude dos nossos militares”, salientou em resposta João Gomes Cravinho.

João Vasconcelos sustentara a sua interpelação com dados da Associação dos Oficiais das Forças Armadas (AOFA), frisando que pelo menos 30% dos militares terão interesse em garantir direitos associativos. Isto é, poder participar ativamente em organizações sindicais ou movimentos políticos.

Antes, João Gomes Cravinho já tinha afirmado que “a Defesa é nacional e deve estar fora da conflitualidade politico-partidária”, em resposta à interpelação de Ana Miguel Santos, deputada do Partido Social Democrata (PSD).

Em 17 de janeiro, surgiu um documento não assinado de um movimento que se autodenomina Militares Unidos contra a falta de aumentos ou promoções e de condições de segurança e em que se pede que os militares, praças, sargentos ou oficiais, mostrem o “descontentamento”.

E apelavam a que não comparecessem nos refeitórios à hora de almoço ou ficassem na unidade até ao arriar da bandeira nacional, na terça-feira, véspera da apresentação do OE 2020 no parlamento, pelo ministro da Defesa Nacional.

A Associação de Praças das Forças Armadas apoiou e associou-se a este protesto simbólico, enquanto a Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) se demarcou embora tenha admitido compreender os motivos da iniciativa.

No final de 2019, a AOFA alertou para o aparecimento de movimentos de “tipo zero”, a exemplo daqueles que surgiram nas forças de segurança, na PSP, neste caso na Marinha portuguesa.

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