Leiria: Missões empresariais estão de regresso

Esta iniciativa estratégica é recuperada para ajudar as empresas em novas geografias de exportação. A par da criação de um Fundo de Apoio à Coesão Social e ao Desenvolvimento Económico da Região.

Na sequência da pandemia, a NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria fez um pedido de alteração das ações que tinha no seu projeto conjunto de apoio à internacionalização das empresas, o International Business 2018-2020. Refere António Poças, o presidente da direção da NERLEI, que as duas principais alterações solicitadas ao COMPETE foram ao nível da extensão do prazo de execução do projeto: que devia terminar em final de 2020 e foi alargado até março de 2021; e ao nível da tipologia de ações.

Anteriormente à pandemia, a NERLEI “privilegiava a ida aos mercados externos, com a realização de missões empresariais, apesar de já ter previstas algumas missões virtuais. Agora o nosso plano de apoio à internacionalização de empresas engloba duas missões empresariais (presenciais): a Marrocos e à Polónia e cinco missões virtuais: Polónia, Canadá, Emirados Árabes Unidos, México e Suíça. As primeiras quatro missões estão previstas ainda para o último trimestre de 2020: três virtuais e uma com deslocação ao mercado.

Por outro lado e desde há muitos anos que uma das principais áreas de atuação da NERLEI é apoiar e orientar as empresas para candidatarem os seus projetos de investimentos individuais a fundos comunitários existentes, informando sobre os apoios disponíveis e respetivo enquadramento dos investimentos nesses apoios. “Além deste aconselhamento ao nível dos projetos individuais de cada empresa, a NERLEI dinamiza ela própria também, diversos projetos, designados conjuntos, porque têm como beneficiários finais várias empresas”, diz o gestor.

António Poças adiante que “assim que foi declarado o Estado de Emergência, a NERLEI focou o seu apoio em esclarecer e apoiar as empresas em todas as suas dúvidas, criando uma linha específica para o efeito, sobretudo no que respeita ao recurso aos vários apoios que o Governo ia anunciando. Por outro lado, internamente, e no âmbito dos projetos conjuntos, financiados pelo Portugal 2020, que vinha dinamizando, a equipa da NERLEI acelerou pedidos de pagamento de incentivos às entidades gestoras, de forma a poder, no mais curto espaço de tempo possível, transferir essas verbas para as empresas, ajudando-as na sua tesouraria. Entre março e junho, foram transferidos cerca de 700 mil euros”.

Jorge Santos, do Gabinete de Apoio Económico e Social de Leiria frisa já estar em execução “a criação de um Fundo de Apoio à Coesão Social e ao Desenvolvimento Económico da Região de Leiria com personalidade jurídica e ser regulamentado pela CIMRL. Estamos a preparar o trabalho para podermos aceder aos fundos anunciados de Bruxelas, desenvolvendo projetos estratégicos de valor acrescentado alinhados com as orientações já conhecidas, nomeadamente a reindustrialização, a descarbonização e a transição digital”. Salienta ainda que entre os apoios mais solicitados, para além do prolongamento do lay-off simplicado (que foi substituído por outra figura), Jorge Santos diz que “é necessário colocar no terreno o apoio anunciado às microempresas e pequenas empresas que não conseguem aceder aos apoios existentes, bem como o adiamento do pagamento de prestações suspendidas. Os seguros de crédito continuam a não funcionar de forma a serem considerados uma ferramenta geradora de valor para a atividade empresarial”.

De salientar ainda que a NERLEI foi impulsionadora e fundadora de incubadoras de empresas, em parceria com o Politécnico de Leiria, com a autarquia de Leiria e com outras instituições e empresas. Em 2004 foi criada a Incubadora D. Dinis – Associação para o Desenvolvimento do Empreendedorismo, Inovação e Novas Tecnologias, que, entretanto, evoluiu para IDD NET. Uma estrutura que resultou de um projeto apresentado pela NERLEI a fundos comunitários, que teve como associados fundadores a NERLEI, o Politécnico de Leiria e a Câmara Municipal de Leiria, ao qual se juntaram, posteriormente, várias outras instituições e empresas. Em 2018, foi criada a Startup Leiria, com os mesmos parceiros institucionais e várias empresas de novas tecnologias. “O objetivo da Startup Leiria era ser um catalisador do empreendedorismo intensivo em conhecimento, apostando sobretudo na digitalização industrial. Neste momento, os parceiros das duas estruturas acordaram proceder à fusão das duas entidades, por entenderem que não se perde o foco que presidiu à criação de cada uma e se podem potenciar ganhos com uma maior articulação das respetivas atividades”, conclui António Poças.

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