Mohan Munasinghe Nobel da Paz vem falar a Lisboa

O ciclo de encontros do Jornal Económico, do Grupo Bel e da Planetiers arranca com um dos principais especialistas mundiais sobre sustentabilidade e alterações climáticas, temáticas que se afiguram decisivas para o futuro da Humanidade. Na sua intervenção, abordará os grandes desafios que as mudanças climáticas acarretam para as sociedades e economias mundiais.

Natural do Sri Lanka, Mohan Munasinghe é físico de formação. Era o vice-presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas quando este organismo partilhou o Prémio Nobel da Paz de 2007 com o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore. Em termos mediáticos,  este especialista já afirmou que partilhar o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) das Nações Unidas com Al Gore foi “muito bom”. Na altura, a Academia Sueca escreveu que o prémio foi entregue pela identificação de factos científicos e disseminação. Mohan ajudou com a parte científica, a contribuição de Gore centrou-se na disseminação. Esta complemetariedade acabou por ser um trunfo.

O Jornal Económico, o Grupo Bel (acionista de referência da Megafin SA) e a Planetiers promovem na segunda-feira, 18 de março, o primeiro de um ciclo de  encontros sobre grandes temas da atualidade, com oradores de renome nacional e internacional.A primeira sessão terá precisamente como orador convidado este académico. Na sua intervenção, Mohan Munasinghe abordará os grandes desafios que as mudanças climáticas acarretam para as sociedades e economias mundiais. O evento terá a forma de um pequeno-almoço na Sala Belém do Hotel Pestana Palace, em Lisboa, com início previsto para as 8h30.

Nascido a 25 de julho de 1945, Munasinghe é pós-graduado em Engenharia, Física e Economia (Cambrige, MIT, McGill e Universidade de Concórdia), recebeu doutoramentos honoris causa, escreveu centenas de livros e artigos científicos e técnicos sobre economia, desenvolvimento sustentável, alterações climáticas, poder, energia, recursos naturais, transportes, ambiente, desastres naturais e tecnologia. É membro das mais reconhecidas academias de ciência do mundo e integra as direções editoriais de jornais técnicos e científicos.

Este especialista frequentou ainda as mais reputadas universidades do mundo. É presidente do Munasinghe Institute of Development (MIND), professor no Instituto de Desenvolvimento Sustentável da Universidade Federal do Pará (Brasil), professor convidado da Universidade de Pequim (China) e é membro do Conselho Consultivo Internacional da SCI da  Universidade de Manchester (Reino Unido).

Em 2011, criou o Instituto Munasinghe para o Desenvolvimento, no Sri Lanka. É um instituto de pequenas dimensões que dá bolsas a estudantes para estudos em áreas relacionadas como a sustentabilidade e programas de formação para o público em geral em vários países. Tem ainda alguns trabalhos de investigação. O trabalho e a missão estão muito centrados em áreas como agricultura, energia ou recursos hídricos.

Em outubro de 2017, foi agraciado com o mais alto nível pelo governo francês. O grau de Oficial da Ordem Nacional da Legião de Honra, que lhe foi concedido pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e que lhe foi entregue pelo embaixador da França no Sri Lanka, Jean-Marin Schun, é a mais alta condecoração honorífica francesa, instituída em 1802 por Napoleão Bonaparte. Segundo comunicado emanado da Embaixada de França no Sri Lanka, a distinção deveu-se à sua “grande dedicação e experiência nos campos do ambiente, proteção e desenvolvimento sustentável, bem como a sua contribuição para o esforço global de preservação do planeta Terra”.

No ano passado,  Munasinghe esteve presente no evento Climate Change Leadership Porto Summit 2018 . Depois de se apresentar em português como “um grande amigo de Portugal, que gosta das pessoas e da comida”, falou sobre as alterações climáticas e apontou os vários “objetivos não cumpridos e as promessas quebradas” desde os anos 1940 até à actualidade. Explicou ainda que as cimeiras mundiais “estão a perder eficácia”, pois a “maioria das promessas nunca são cumpridas” o que deixa as “pessoas céticas”, deu como exemplo a Declaração dos Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) de 1947, “que contém todos os elementos que estão nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2015, quase 70 anos depois, ainda por cumprir”.

Para Mohan Munasinghe, os Objetivos de Desenvolvimento_Sustentável, a Agenda 2030 e os Acordos Climáticos de Paris “são a última oportunidade para se acertar as coisas”, olhando para o facto de “haver hoje líderes de nível médio, como presidentes de câmara, empresas ou líderes comunitários, a dar melhor exemplo que os principais líderes mundiais”.

 

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