Monica Bellucci: “Sinto-me muito bem em Lisboa”

Atriz italiana aproveitou uma conversa com o público no Lisbon & Estoril Film Festival para elogiar a cidade onde comprou casa e também o país.

“Sinto-me muito bem em Lisboa. Adoro a cidade, as pessoas são muito acolhedoras, a comida é ótima, estão de parabéns por esta bela cidade, por um céu tão bonito, uma luz maravilhosa e por um país tão encantador como é Portugal”: foi assim que a atriz italiana Monica Bellucci, que recentemente comprou casa na capital portuguesa, aproveitou para agradecer a forma como foi recebida no país durante uma sessão de conversa com o público antes da exibição do seu filme “Malèna” em pleno Lisbon & Estoril Film Festival.

Numa sala principal do Monumental esgotada, Bellucci começou por responder a Paulo Branco, organizador e diretor do certame que a convidou a “estar mais vezes no festival”, em função do modo como tem conduzido os passos no cinema – Branco referiu-se a carreira, mas, na resposta, a italiana optou por “parcours cinematographique”, indicando que tem procurado “experiências e sentimentos diferentes com realizadores variados”, porque, no fundo, é também nesse sentido que tem conduzido a sua vida. “Gosto muito de viajar e de conhecer diferentes culturas. O Cinema tem contribuído muito para isso”, admitiu, reconhecendo que, se voltasse para trás, “não mudaria” os diversos projetos onde se envolveu. “Participei em grandes sucessos, em fracassos, em filmes que nem chegaram a sair para o circuito comercial, mas não mudaria aquilo que fiz”, indicou.

Questionada acerca do modo como selecionava os trabalhos, Bellucci confessou que “o mais importante são as ideias e os argumentos”, porque o seu comportamento não se modifica por estar a trabalhar com realizadores mais ou menos experientes ou por nomes como os irmãos Wachowski (de “Matrix”), Gaspard Noé “de “Irreversível”), Sam Mendes (da aventura de 007 em “Spectre”), Philippe Garrel (“Um Verão Escaldante”), Giuseppe Tornatore (“Malèna”) ou Emir Kusturica (“On the Milky Road”). E, por falar em Kusturica, a atriz elogiou “o maravilhoso papel” que o realizador escreveu para si no referido “On the Milky Road”, a ser exibido no próximo sábado durante o festival.

Afirmando-se “muito italiana e orgulhosa de o ser”, Bellucci recordou exemplos de atrizes suas compatriotas que admira como Sophia Loren, Gina Lollobrigida, Ana Magnani ou Silvana Mangano, reconhecendo que, “se fosse francesa, provavelmente teria Jeanne Moreau ou Brigitte Bardot”, a quem também admira, como padrões.

Sobre a questão da influência da beleza, comentou que “dura apenas cinco minutos” e tem várias etapas – “quando participei em ‘Malèna’ tinha a beleza própria daquela fase, agora espero ter outra característica da atual”, defendeu -, manifestando confiança de que a vissem como muito mais do que uma bela mulher. “Em italiano” foi a resposta a sorrir face à dúvida sobre qual a língua em que dizia palavrões que fez rir o público presente, tal como aconteceu logo no início com vários percalços seguidos em relação aos microfones que estavam a captar discursos vindos de outra sala.

À questão acerca da desigualdade de salários entre homens e mulheres na indústria cinematográfica, Monica Bellucci ripostou dizendo que isso é, no fundo, “o que sucede nos diversos setores da sociedade”, mas realçou outro ponto: “Ser atriz permite-me fazer algumas coisas que não poderia caso fosse advogada ou médica – por exemplo, depois de nascer a minha primeira filha, Deva, agora com 12 anos, pude levá-la para o set e amamentá-la, o mesmo sucedendo com a minha segunda filha, Léonie, que tem seis anos. Em que outras profissões poderia fazer isso?”

Quanto a “Malèna”, considerou ter sido “um filme muito importante” e agradeceu a Tornatore porque isso lhe permitiu “ter acesso a uma série de outros realizadores e projetos”. E, quando um espectador lhe recordou certa entrevista em que agradecia aos pais, Brunella e Pasquale, por lhe terem ensinado como agir perante o medo, admitiu: “É claro que continuo a ter medos. Tenho medo quando viajo, porque não sei o que irá acontecer; tenho medo pelas minhas filhas, mas também quando conheço pessoas novas, por exemplo.” Reconhecendo que dá importância, na seleção dos papéis, ao modo como pode ser encarada pelas duas filhas, Monica Bellucci salientou: “Acima de tudo, quero que me vejam como mãe porque é desse modo que devem olhar para mim e é isso que me preocupa. Elas ajudam-me a manter os pés bem assentes no chão. Depois, quando faço cinema, voo bem alto!”

A terminar, além de agradecer o convite de Paulo Branco e de se mostrar impressionada “com os inúmeros realizadores, atores, fotógrafos e tantos outros de alta qualidade presentes no festival”, deixou manifestações de gratidão também àqueles que vão seguindo o seu trabalho. “Porque sem o público nada somos”, concluiu.

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