Montepio com quebra de 77,2% nos resultados semestrais para 3,6 milhões

A justificar a queda dos resultados está a margem financeira que deslizou 11% para 120 milhões de euros. Já as comissões mantiveram-se em 57 milhões de euros. Com isto o produto bancário fixou-se em 182,2 milhões, menos 9% do que em junho de 2018.

O Banco Montepio apresentou em comunicado ao mercado os resultados do primeiro semestre. O Banco da Associação Mutualista Montepio Geral reportou um lucro de 3,6 milhões de euros que compara com  15,8 milhões no semestre homólogo de 2018. Isto traduz uma queda de 77,2% num ano. Face ao trimestre anterior os resultados caíram  três milhões.

Os resultados antes de impostos subiram 14,9% para 9,6 milhões, salienta a instituição.

“O Banco Montepio registou um resultado consolidado antes de impostos de 9,6 milhões de euros, no primeiro semestre de 2019. É uma subida de 14,9% face ao apurado no mês de junho de 2018 (8,4 milhões de euros)”, avança o comunicado.

A justificar a queda dos resultados está a margem financeira que deslizou 11% para 120 milhões de euros. Já as comissões mantiveram-se praticamente em 57,7 milhões de euros (0,3 milhões). Registo ainda para o menor contributo dos Resultados de operações financeiras que ascenderam a -0,4 milhões de euros, quando comparado com o montante realizado no primeiro semestre de 2018 (5,2 milhões). Com isto o produto bancário fixou-se em 182,2 milhões, menos 9% do que em junho de 2018.

Os Resultados de operações financeiras foram negativos em 0,4 milhões de euros no primeiro semestre de 2019, que comparam com os ganhos de 5,2 milhões de euros registados no período homólogo do ano anterior, devido à redução dos resultados com a carteira de títulos (-2,8 milhões), ao efeito líquido da reavaliação da emissão de obrigações hipotecárias ao justo valor e de instrumentos derivados (-1,8 milhões), conjugados com a evolução favorável da reavaliação cambial (+1,1 milhões).

O banco justifica que a quebra dos lucros  reflete a menor contribuição do Finibanco Angola (-5 milhões de contributo para os lucros consolidados) e a menor eficiência fiscal face à verificada no primeiro semestre de 2018 (+8,5 milhões em Impostos).

Na sequência da venda da participação do Grupo Banco Montepio no BTM, em Moçambique, concretizada no final de 2018, a atividade internacional está agora concentrada em duas jurisdições, Angola e Cabo Verde. O Banco destaca “o menor contributo do Finibanco Angola registado nos Resultados de operações em descontinuação, que ascenderam ao montante de 5,9 milhões de euros no final do primeiro semestre de 2019, face aos 11,9 milhões de euros apurados no período homólogo de 2018”, lê-se no comunicado.

No balanço o crédito líquido cai cerca de 1.000 milhões de euros num  ano (-7,7%) para 11.660 milhões. Do lado oposto, os depósitos recuperam 1,6% para 12.680 milhões de euros.

Nas rubricas da eficiência destaque para os custos operacionais que caíram  para 125,4 milhões de euros, ou seja -5,5%. Mas o cost-to-income agravou para 68,8%, devido à queda do produto bancário.

O rácio dos custos com pessoal sobre produto bancário ficou nos 42,7%.

No que toca à qualidade da carteira de crédito, o banco que tem de confirmar em breve o CEO por imposição do Banco de Portugal, tal como avançou o Jornal Económico na edição desta sexta-feira, tem um rácio de NPE (malparado) de 14,7%, quando no ano anterior esse rácio era pior e estava em 15,8%. No entanto o banco registou um agravamento no segundo trimestre face ao anterior trimestre, quando o rácio era de 14,3%.

Recorde-se que em julho o Banco Montepio chegou a acordo para a venda de uma carteira de malparado de 321 milhões numa carteira que englobou aproximadamente 13 mil contratos. O que fixa o rácio proforma em 12,9%.

O montante de imparidades para crédito no período foi de 42 milhões  (no ano passado era de 45,8 milhões). Por isso o custo do risco de crédito manteve-se em 0,66%.

A cobertura dos NPE fixou-se em 49,7%.

O rácio de capital CET1 do Banco Montepio está nos 13,7% o que compara com o  rácio homólogo de 13,5%. O rácio de capital total está em 15,2%, mas beneficiou de uma emissão de dívida subordinada em janeiro de 100 milhões, subscrita em 80% pela Associação Mutualista Montepio Geral.

(atualizada)

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