Montepio confirma a sindicatos saída de 800 trabalhadores até 2022

Sindicatos dos bancários estão reunidos com administração do banco, depois de terem recebido ontem com surpresa a notícia de uma eventual dispensa de centenas de trabalhadores. Presidente executivo confirmou que plano de reestruturação prevê saída de 800 trabalhadores até 2022. Sindicatos dizem que “será algo de uma magnitude nunca vista na Europa”.

Os sindicatos dos bancários e a comissão de trabalhadores do Banco Montepio estão reunidos nesta quarta-feira, 23 de setembro, com a comissão executiva da instituição financeira liderada por Pedro Leitão, após notícias que deram conta de que em cima da mesa está um plano de reestruturação que prevê a saída de 800 trabalhadores, cerca 20% do pessoal dos 3.560 que estavam a trabalhar no banco até ao fina de junho. O presidente do banco já confirmou que plano de ajustamento prevê a redução de oito centenas de funcionários no âmbito de um pedido de estatuto de empresa em reestruturação ao Governo que é feito por triénio, ou seja até 2022.

Fonte próxima ao processo confirmou ao JE que plano de reestruturação do Montepio que está a ser apresentado contempla a redução de cerca 20% do pessoal nos próximos três anos através de um programa de reformas antecipadas e rescisões de contratos. E avança que já terá sido entregue ao Governo um projeto de pedido de estatuto de empresa em reestruturação, que é feito por triénio, no âmbito do plano de ajustamento quer quer colocar em marcha ainda este ano. Este projeto terá de demonstrar que a dimensão da reestruturação para a viabilidade económica e financeira da empresa, obriga a ultrapassar aqueles limites. Estará depois nas mãos do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) aprovar ou não, sendo ainda consultado o Ministério da Economia e os parceiros sociais sobre a situação económica e do emprego no setor em causa.

Esta quarta-feira, 23 de setembro, numa  nota de esclarecimento, o Banco Montepio informo que, após a publicação deste artigo, que o presidente da comissão executiva do banco, Pedro Leitão, não disse, em qualquer uma das reuniões tidas esta tarde, que seriam dispensados 800 colaboradores, mas que o “número 800 foi apenas referido a título indicativo, no âmbito do esclarecimento feito àquelas estruturas sobre o requerimento formal dirigido às autoridades competentes para efeito de alargamento de quota para subsídio de desemprego”, disse fonte oficial do banco.

Mas várias fontes sindicais asseguraram ao Jornal Económico que o presidente do Montepio sinalizou na reunião de quarta-feira que “foi pedida [junto do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social] a proteção para 800 trabalhadores”.

O Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB), o Sindicato dos Bancários do Norte (SBN) e o Sindicato Independente da Banca (SIB) deram conta do encontro – que se iniciou por volta das 16 horas – depois de o jornal ECO ter noticiado que o Banco Montepio está a estudar redução da sua dimensão e prepara-se para pedir ao Governo a adesão um regime que facilita rescisões por mútuo acordo.

“O SNQTB, SBN, SIB e, tanto quanto julgamos saber, os restantes sindicatos, bem como a comissão de trabalhadores, foram convocados para uma reunião que terá lugar amanhã [23 de setembro], por meios telemáticos, com o presidente da comissão executiva do Banco Montepio, Pedro Leitão”, avançaram os sindicatos nesta terça-feira, 22 de setembro, deixando a nota da sua “estranheza face às notícias vindas a público, através da comunicação social, tendo em conta os valores humanistas da Associação Mutualista”.

“Reiteramos o compromisso com os nossos associados do Montepio de que não transigiremos na defesa dos seus direitos e, assim que haja informação relevante, disso daremos nota”, realçaram aqueles sindicatos, tendo o presidente do SNQTB afirmado à TSF que a saída de 800 trabalhadores do Montepio “será algo de uma magnitude nunca vista na Europa”.

Paulo Marcos sublinhou que na semana passada receberam uma convocatória para uma reunião a realizar esta quarta-feira, 23 de setembro, com a comissão executiva do Montepio. “Imagine que nos vá contar alguma coisa mas [a notícia] ter surgido desta maneira é absolutamente lamentável”, afirma o presidente do SNQTB. Para Paulo Marcos, em vez de dispensar funcionários, o banco devia começar a questionar a quem dá créditos que causam prejuízo, considerando que é preciso perceber quem são os beneficiários efetivos desses créditos, pois ” uma só perda de um grande devedor é equivalente a vários anos de salários de todos os trabalhadores”.

Segundo o ECO, o Banco Montepio prepara-se para pedir ao Governo o estatuto de empresa em reestruturação no âmbito do plano de ajustamento que tem um custo estimado de 80 milhões para o banco. Com o recurso a esta medida excecional que está prevista na lei laboral, o banco da mutualista abre a porta a uma redução significativa de pessoal. Em causa está um pedido ao MTSSS do estatuto de empresa em reestruturação através do qual a instituição financeira procura flexibilizar a quota de que dispõe (em função da sua dimensão) para acordos com trabalhadores com vista a uma rescisão amigável, mantendo estes o direito ao subsídio de desemprego.

Ao ECO, o presidente do conselho de administração e o presidente da comissão executiva do Banco Montepio, Carlos Tavares e Pedro Leitão, respetivamente, responderam apenas que o banco que “está a ajustar processos e a estudar a sua dimensão, tal como foi partilhado com os colaboradores e as respetivas estruturas. Mas outras fontes asseguraram ao ECO que a administração do Banco Montepio já informou o Banco de Portugal deste plano de reestruturação.

Sindicatos preocupados com reduções de trabalhadores

Também o Mais Sindicato (ex-SBSI) e o Sindicato dos Bancários do Centro (SBC) acompanham a situação no setor, nomeadamente no Montepio e no Novo Banco – e, dizem, “não aceitam que a adaptação da banca seja conseguida apenas à custa do fator trabalho”.

“As muitas notícias vindas a público sobre a intenção de redução de quadros de pessoal no setor bancário têm deixado os Sindicatos preocupados, levando-os a agir na defesa dos postos de trabalho”, realçam em comunicado, dando conta de que não admitem que a adaptação das empresas, embora por vezes necessária para garantir a sua sustentabilidade, seja feita apenas à custa do fator trabalho.

“Os lucros da banca ao longo dos anos foram assegurados pelos seus trabalhadores, pelo que jamais admitirão que estes sejam os primeiros a serem penalizados”, acrescentam, sinalizando que não deixam de acompanhar cada caso concreto, obtendo esclarecimentos de qualquer empresa que implemente estratégias de redução dos seus efetivos.

“Estão a fazê-lo no Montepio Geral, como foi comunicado aos sócios, aguardando até final de setembro nova reunião com administração para obter informação destelhada sobre as suas pretensões”, concluem, manifestando ainda apreensão quanto a eventual redução de postos de trabalho no Novo Banco, onde, dizem, querem conhecer o plano que eventualmente a instituição pretenda implementar. “Nesse sentido, foi já solicitada à administração do Novo Banco uma reunião com caráter de urgência, aguardando-se a qualquer momento a sua realização”, rematam.

  • Notícia atualizada às 10h30 de 24 de setembro com o esclarecimento do Banco Montepio.
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