Montepio vai fazer emissão de 250 milhões e afasta aumento de capital

Banco volta aos lucros, com 30,7 milhões em 2017. CEO diz que Montepio vai emitir até 250 milhões em dívida subordinada e exclui aumento de capital.

Cristina Bernardo

A Caixa Económica Montepio Geral vai emitir entre 200 e 250 milhões de euros em dívida subordinada, para cumprir as orientações da Autoridade Bancária Europeia (EBA) para o setor financeiro e para substituir dívida anterior, disse ao Jornal Económico o presidente-executivo (CEO) do Montepio, José Félix Morgado, que afasta uma eventual necessidade de aumentar o capital do banco, graças à solidez dos seus rácios.

“O que está previsto é a emissão de entre 200 e 250 milhões de euros em dívida subordinada, indo ao encontro da recomendação que a EBA fez para o setor e que já foi adotada por outros bancos portugueses”, disse o presidente do banco, no dia em que divulgou um lucro de 30,1 milhões de euros em 2017.

O Montepio tem estado no centro de notícias sobre a possível entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no seu capital, por decisão do seu acionista, a Associação Mutualista Montepio Geral, que estará disponível para vender uma parcela de 10% do banco. Sem nunca mencionar a Santa Casa nem a Mutualista, que controla o Montepio a 100%, José Félix Morgado rejeitou qualquer necessidade de a entrada de um novo acionista ter lugar através de um aumento de capital.

“O Montepio tem dos rácios mais robustos do mercado [13,5% em Common Equity Tier 1], o que desmente aquilo que se tem dito sobre um eventual aumento de capital”, disse Félix Morgado.

Banco regressou aos lucros

O Montepio fechou o exercício de 2017 com um lucro de 116,6 milhões de euros, contra o prejuízo de 86,5 milhões no ano anterior.

Para esta evolução contribuiu o negócio recorrente do banco. Nomeadamente, com a subida de 4,3% da margem financeira e de 15,3% das comissões líquidas, acompanhada de uma descida de 5,5% nos custos operacionais, “consubstanciando as sinergias induzidas pelo redimensionamento do quadro de colaboradores e pela renegociação de contratos com fornecedores”, referiu em comunicado.

Do lado menos recorrente também se verifica uma subida, com a evolução favorável dos resultados com operações financeiras, “beneficiando dos ganhos obtidos com a alienação de títulos”, que o banco não especifica quais. Tal como não especifica se foi com venda de títulos de dívida pública portuguesa, e de outros resultados de exploração, “traduzindo o desempenho positivo associado a ativos imobiliários”, cujos valores (montante vendido e valor em carteira) também não discrimina.

Ao Jornal Económico, o presidente executivo disse que “estes resultados são o culminar do plano de recuperação iniciado em 2015 e que previa resultados positivos em 2017. Todos os indicadores tiveram uma melhoria”.

Sobre o facto de o banco ter apresentado uma forte posição de liquidez, com um rácio LCR (Liquidity Coverage Ratio) de 153,4%, 73,4 p.p. acima do requisito mínimo regulamentar de 80%, José Félix Morgado diz que “é muito expressiva a redução da exposição ao BCE”. A exposição líquida ao BCE reduziu-se para 6 milhões.

Em termos de qualidade da carteira de crédito, o banco apresenta menores dotações para imparidades e provisões, “ao incorporarem os efeitos das medidas implementadas em sede de aprovação, concessão e controlo de crédito”, disse a instituição. O total de imparidades e provisões constituídas em 2017 apresentou uma redução de 35,9% face ao valor contabilizado em 2016, situando-se em 167,7 milhões de euros.

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