Moody’s mantém ‘rating’ de Portugal em Baa3, mas sobe perspetiva para ‘positiva’

A agência continua, no entanto, a colocar a República um nível abaixo das principais pares – tanto a Standard & Poor’s como a Fitch atribuem um rating de ‘BBB’.

A Moody’ s manteve esta sexta-feira a notação da dívida soberana portuguesa em ‘Baa3’, mas subiu a perspetiva de ‘estável’ para ‘positiva’, citando a queda contínua e mais celére do que esperado do peso da dívida pública e a possibilidade de mais melhorias na saúde do setor bancário do país.

A agência salientou que a queda do fardo da dívida pública deverá continuar, com “prováveis descidas materiais nos próximos três a quatro anos”, para abaixo de 110% do Produto Interno Bruto em 2022.

A segunda razão para a melhoria da perspetiva é o setor bancário. “Enquanto algumas instituições continuam a ter algum impacto nas finanças públicas, o sistema como um todo está ficar mais robusto e aumentou a capacidade de absorver perdas”.

“O crédito malparado, embora alto, continua a cair, e as descidas na alavancagem do sistema melhora a posição creditícia”, adiantou.

A agência continua, no entanto, a colocar a República um nível abaixo das principais pares – tanto a Standard & Poor’s e a Fitch atribuem um rating de ‘BBB’.

A Moody’s foi a primeira a ‘atirar’ a notação portuguesa para o patamar de ‘lixo’, em julho de 2011, e a última a devolver o rating para grau de investimento (em outubro do ano passado).

A decisão de manter o rating em Baa3 foi derivada principalmente do facto de o peso da dívida pública, que é das mais elevadas no universo analisado pela Moody’s, ir continuar a ser um constrangimento na notação por “alguns anos” apesar da queda contínua desse rácio.

“A manutenção também equilibra a relativa riqueza e diversificação da economia do país com as modestas perspetivas de crescimento e os constrangimentos económicos estruturais”, sublinhou.

Meta do défice vai ser atingida

A Moody’s recordou que o défice público de 2018 caiu para 0,5% do PIB, superando a meta de 0,7%, e que o Governo “tem em certa medida resistido a pressões para aumentar a despesa apesar da proximidade das eleições”

“Isto, combinado com fortes receitas fiscais, crescimento que cria emprego, juros em queda e controlo das despesa irá resultar na meta do défice deste ano, uma queda para 0,2% do PIB, ser atingida”, adiantou.

A agência alertou que as pressões políticas para aumentar os salários na função pública e a despesa na saúde irão continuar, mas vincou que acredita que o Governo será capaz de resistir a essa pressões e manter um défice orçamental abaixo de 1% nos próximo anos e, com mais quedas nas taxas de juro, continuar a substituir a dívida por financiamento mais barato.

“Esta mudanças nas nossas projecões significam que a redução da dívida pública irá continuar a um ritmo mais rápido que inicialmente previsto”, referiu, adiantando que prevê que caia pata 108% do PIB em 2022, face aos 114% que previa anteriormente.

[Atualizada às 22h12]

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